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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Para onde vai o preço e o que observar no Bitcoin nesta semana

Redução da pressão das baleias, cenário macro adverso e níveis técnicos colocam o Bitcoin em semana decisiva

Para onde vai o preço e o que observar no Bitcoin nesta semana
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O Bitcoin inicia a semana pressionado entre US$ 66 mil e US$ 67 mil, mas ainda demonstra resiliência ao sustentar uma ampla faixa de negociação mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso. Desde o início do ano, a faixa entre US$ 62.000 e US$ 75.000, domina o BTC e carrega sinais importantes sobre o que pode acontecer nos próximos dias.

Atualmente negociado próximo de US$ 66.800, o Bitcoin acumula uma queda de 47% do seu pico histórico, atingido em outubro. Esse movimento caracteriza uma fase clássica de correção após um período de forte euforia, mas também levanta dúvidas sobre a capacidade do ativo de retomar uma tendência de alta no curto prazo.

Ao mesmo tempo, dados on-chain e análises de fluxo indicam mudanças importantes no comportamento dos grandes investidores, especialmente as chamadas baleias. Esse conjunto de sinais coloca o mercado em um ponto decisivo, no qual tanto uma reversão quanto uma nova perna de queda seguem no radar dos investidores.

Uma das leituras vem da análise de Darkfost, da CryptoQuant, que identificou uma mudança clara no comportamento das baleias na Binance. Após um período intenso de distribuição, esses grandes players reduziram significativamente os envios de Bitcoin para exchanges, o que tende a diminuir a pressão vendedora no curto prazo.

Durante a aproximação do Bitcoin da faixa dos US$ 60.000, as baleias aumentaram fortemente sua atividade na Binance. Esse movimento atingiu o pico em 4 de fevereiro, quando mais de 11.800 BTC foram enviados para a exchange em um único dia, elevando de forma expressiva a oferta disponível para venda.

Esse fluxo intenso impactou diretamente a média mensal de depósitos. O volume saltou de aproximadamente 1.000 BTC por dia para quase 4.000 BTC diários até o final de fevereiro, caracterizando uma fase clara de distribuição por parte dos grandes detentores.

No entanto, nas últimas semanas, esse cenário mudou de forma relevante. A média móvel de 30 dias recuou para cerca de 1.600 BTC enviados diariamente, indicando que a pressão vendedora perdeu força. Esse comportamento sugere que as baleias estão adotando uma postura mais cautelosa, possivelmente aguardando maior clareza no cenário macro antes de tomar novas decisões”, disse.

Essa redução nos depósitos não significa, necessariamente, uma retomada imediata da alta. No entanto, ela reduz um dos principais fatores de pressão sobre o preço, criando um ambiente mais favorável para estabilização — ou até mesmo para uma possível recuperação, caso haja entrada de fluxo comprador.

Níveis técnicos definem o rumo no curto prazo

Enquanto os dados on-chain mostram um possível alívio, o cenário técnico ainda exige atenção. Segundo Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio, o Bitcoin iniciou a semana com viés de queda, chegando a testar a região dos US$ 65.000, que se tornou um ponto-chave para o curto prazo.

“A continuidade da queda pode levar o preço a buscar os suportes de curto e longo prazo em US$ 63.900 e US$ 53.300”, afirma a analista. Esses níveis são considerados estratégicos, pois concentram liquidez e podem definir a intensidade de um eventual movimento de baixa.

Caso o Bitcoin perca a região dos US$ 63.900, o mercado pode acelerar o movimento vendedor e buscar níveis mais profundos, aumentando a volatilidade e o risco de liquidações em cascata. Por outro lado, a entrada de fluxo comprador pode mudar rapidamente esse cenário.

“Se houver reversão, as resistências estão nas faixas de US$ 70.200 e US$ 74.800”, explica Ana de Mattos. Esses níveis funcionam como barreiras importantes para o preço e precisam ser rompidos com consistência para que o mercado volte a sinalizar força.

Enquanto isso não acontece, a tendência permanece lateralizada. Esse tipo de comportamento costuma indicar indecisão, com o mercado aguardando novos catalisadores antes de definir uma direção clara.

Cenário global pressiona e muda narrativa do Bitcoin

Além dos fatores técnicos e on-chain, o ambiente macroeconômico continua sendo um dos principais influenciadores do mercado cripto. Para Mychel Mendes, CFO da Tokeniza, o cenário atual não favorece ativos de risco, o que ajuda a explicar a dificuldade do Bitcoin em retomar uma tendência de alta.

“O Bitcoin bateu o fundo deste ano neste último final de março, chegando aos US$ 65 mil. Globalmente, estamos em um cenário muito ruim, com conflitos se prolongando além do esperado”, afirma o executivo. Segundo ele, esse ambiente gera insegurança e reduz o apetite dos investidores por ativos mais voláteis.

Outro ponto relevante é a mudança na narrativa de proteção. “Havia uma expectativa de que o bitcoin funcionaria como um ativo de proteção, mas o que estamos vendo é o contrário. Os investidores estão migrando para ouro e prata”, explica Mendes. Essa dinâmica enfraquece um dos principais argumentos de valorização do ativo no curto prazo.

Além disso, o comportamento de grandes investidores também chama atenção. “Warren Buffett segue extremamente dolarizado, e isso historicamente pode anteceder quedas mais fortes no mercado”, destaca. Esse tipo de sinal aumenta a cautela entre investidores institucionais e reforça o clima de incerteza.

No campo estrutural, o custo da mineração também entra no radar. “O custo de energia está extremamente alto, o que levou muitos mineradores a desligarem suas operações”, afirma. Ainda assim, Mendes ressalta que o Bitcoin possui mecanismos de ajuste que tendem a equilibrar o sistema ao longo do tempo.

Entre risco e oportunidade: mercado busca direção

Apesar do cenário desafiador, alguns analistas enxergam sinais de que o mercado pode estar próximo de um ponto de inflexão. Para Tasso Lago, especialista em cripto e fundador da Financial Move, o comportamento atual lembra momentos importantes do passado.

“O Bitcoin caminha para o sexto mês consecutivo de desempenho negativo, algo que só aconteceu em 2018”, afirma. Naquele período, após uma sequência prolongada de quedas, o mercado iniciou um movimento de recuperação que culminou em novas máximas históricas nos anos seguintes.

Além disso, Lago destaca um dado relevante: “Estamos vendo o bitcoin mais forte do que o S&P 500 e o Nasdaq, o que pode indicar acumulação institucional”. Esse tipo de movimento costuma ocorrer em fases de formação de fundo, quando investidores de longo prazo começam a aumentar suas posições.

Ainda assim, o cenário permanece dependente de fatores externos. “As tensões geopolíticas continuam influenciando o mercado. Com maior clareza sobre esse cenário, o bitcoin pode retomar sua trajetória de alta”, explica.

Segundo o especialista, os próximos alvos estão definidos. “O movimento pode levar o preço primeiro para US$ 80 mil e, depois, para a faixa dos US$ 90 mil”, projeta. No curto prazo, no entanto, o suporte entre US$ 60 mil e US$ 62 mil segue sendo o nível mais importante a ser observado.

Os níveis técnicos devem servir como principal guia para os investidores. A perda dos US$ 63.900 pode abrir espaço para novas quedas, enquanto a superação dos US$ 70.200 pode sinalizar uma retomada de força compradora.

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