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Escrito por Cassio Gusson ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

Bitcoin cai para US$ 65 mil: o que esperar do mercado cripto em junho?

Últimas NotíciasPublicadoJun 3, 2026

Correção do Bitcoin elimina excessos do mercado, enquanto investidores monitoram juros nos EUA, Ethereum, Solana e o comportamento do capital institucional

A queda do Bitcoin para a faixa dos US$ 65 mil reacendeu as dúvidas dos investidores sobre o rumo do mercado de criptomoedas em junho. Depois de um primeiro semestre marcado por forte volatilidade, saídas de capital dos ETFs à vista e incertezas macroeconômicas nos Estados Unidos, analistas avaliam que o setor entrou em uma fase de consolidação que pode definir os próximos movimentos do ciclo.

Apesar da correção, especialistas ouvidos pelo Cointelegraph Brasil afirmam que o mercado ainda preserva fundamentos importantes. O aumento das posições em derivativos de Bitcoin e Ethereum, a continuidade do interesse institucional e a evolução técnica de grandes redes blockchain aparecem entre os fatores que seguem sustentando a tese de longo prazo para os ativos digitais.

Para Fábio Plein, diretor regional da Coinbase para as Américas, o mercado está passando por um processo natural de limpeza dos excessos acumulados nos últimos meses.

"O cenário para junho aponta para um mercado de criptoativos em fase de consolidação e que está eliminando os excessos", afirma.

Segundo ele, o comportamento dos investidores institucionais mostra que a correção ainda não provocou uma fuga significativa de capital do setor.

"Enquanto isso, o aumento no interesse em aberto de BTC e ETH sinaliza resiliência institucional e retenção de risco nos balanços patrimoniais. Por exemplo, na semana passada, o interesse em aberto de ETH atingiu o recorde de 16,39 milhões de ETH, ou aproximadamente R$ 150 bilhões", destaca.

Na avaliação de Plein, o investidor brasileiro deve evitar movimentos precipitados e manter uma visão estratégica durante este período de ajuste.

"Para o investidor brasileiro, o momento exige paciência estratégica, já que o ecossistema ainda navega por um regime liderado estritamente pelas principais moedas, sem sinais imediatos de uma rotação ampla de capital para ativos de maior risco", diz.


Fed, inflação e juros seguem no centro das atenções

O cenário macroeconômico continua sendo um dos principais fatores para o desempenho das criptomoedas em junho. De acordo com André Sprone, head de Ibero-América da MEXC, a primeira reunião do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh pode se tornar o principal catalisador do mês.

"Junho começa com o mercado cripto digerindo dois eventos importantes de maio. O primeiro é o avanço do CLARITY Act. O segundo é a transição na presidência do Federal Reserve", afirma.

Segundo o executivo, o mercado ainda trabalha com a expectativa de manutenção dos juros, mas qualquer sinalização mais dura por parte da autoridade monetária americana pode pressionar ativos de risco, incluindo criptomoedas.

"O Bitcoin segue como referência obrigatória, mas o principal ângulo para junho está no calendário macro. A primeira reunião do FOMC sob Kevin Warsh será o evento mais importante do mês para ativos de risco", destaca.

Na visão da MEXC, a recuperação da região dos US$ 80 mil será fundamental para confirmar uma retomada mais consistente do Bitcoin. Caso isso aconteça, os US$ 90 mil voltariam ao radar dos investidores. Por outro lado, uma deterioração do cenário econômico global pode levar o mercado a testar novamente regiões inferiores de suporte.

Ethereum, Solana e infraestrutura blockchain entram no radar

Além do Bitcoin, algumas das principais narrativas do mercado para junho estão ligadas à evolução tecnológica das redes blockchain.

O Ethereum segue acompanhado de perto pelos investidores devido à expectativa em torno do hard fork Glamsterdam, atualização que promete aumentar a capacidade da rede, melhorar a eficiência operacional e fortalecer a infraestrutura utilizada por aplicações de finanças descentralizadas, stablecoins e tokenização de ativos.

A Solana também aparece entre os destaques. O upgrade Alpenglow, atualmente em fase de testes, pretende reduzir drasticamente a latência das transações, fortalecendo casos de uso ligados a pagamentos, jogos, aplicações de consumo e infraestrutura DePIN.

Entre as altcoins, Vinicius Bazan, embaixador da OKX, afirma que o mercado ainda exige seletividade. Segundo ele, o Bitcoin continua sendo o principal ativo para acumulação gradual de longo prazo, enquanto projetos específicos podem apresentar desempenho superior dependendo do fluxo de capital e da adoção de seus protocolos.

A Hyperliquid (HYPE) permanece entre os destaques da corretora devido à forte demanda pelo protocolo e ao lançamento de ETFs nos Estados Unidos. Já a Pendle (PENDLE) ganhou relevância por sua exposição ao mercado de renda on-chain, enquanto stablecoins como USDT e USDC seguem sendo consideradas instrumentos importantes para preservação de liquidez em momentos de volatilidade.

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