
Visa vai lançar novo produto com stablecoin USDC no Brasil no segundo semetre
Executivo da Visa afirmou ao Cointelegraph Brasil sobre o avanço das stablecoins entre bancos tradicionais e prevê expansão dos cartões de crédito garantidos por criptoativos

A Visa começará a testar no segundo semestre deste ano um novo modelo de liquidação com stablecoins no Brasil. A iniciativa permitirá que adquirentes parceiros recebam liquidações em ativos digitais como USDC, ampliando o uso prático das stablecoins em operações comerciais e aproximando o mercado brasileiro de uma tendência que já ganha escala internacional.
Em entrevista ao Cointelegraph Brasil, Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa, afirmou que a companhia já realiza esse tipo de operação em outros mercados e agora prepara a chegada da tecnologia ao país.
"A gente está entrando esse segundo semestre também para fazer liquidação em stablecoin. No Brasil, vamos começar pilotos para fazer liquidação de stablecoins. Você pode escolher pagar em dólar para um estabelecimento, para um comércio ou para um emissor e, se ele quiser, vai fazer liquidação em USDC", explicou.
Segundo o executivo, a Visa já participa de mais de 150 programas globais ligados a corretoras e empresas do setor de ativos digitais que utilizam cartões da bandeira para oferecer liquidez a criptomoedas e stablecoins.
A empresa também já movimentou bilhões de dólares em operações envolvendo stablecoins fora do Brasil e agora busca replicar parte dessa experiência no mercado nacional.
O anúncio acontece em um momento de transformação acelerada da indústria de pagamentos. Para Abreu, o avanço de novas tecnologias não significa a substituição dos meios de pagamento atuais, mas sim a coexistência de diferentes trilhos financeiros.
"Eu não acredito que exista um único vencedor. Vamos ter várias formas de pagar e receber. O cartão, o Pix, a stablecoin e outros trilhos que vão aparecer. O grande ponto é quem será o orquestrador de todos esses meios de pagamento e vai transformar isso em uma experiência fluida para o cliente", afirmou.
Visa quer aproximar Pix dos cartões
Dentro dessa estratégia, a Visa também trabalha para aproximar o universo do Pix da experiência tradicional dos cartões. O executivo destacou o Visa Conecta, solução desenvolvida para integrar pagamentos instantâneos à experiência de uso já conhecida pelos consumidores.
A ideia é permitir que o usuário utilize celular, relógio ou cartão para iniciar uma transação que, nos bastidores, seja processada por meio do Pix.
Abreu acredita que a tokenização de ativos representa outro segmento com potencial de crescimento expressivo no Brasil. Segundo ele, o país vem se destacando globalmente na criação de modelos que transformam ativos físicos em instrumentos digitais negociáveis, especialmente em setores como agronegócio e crédito.
Para o executivo, a tecnologia pode ampliar o acesso ao financiamento e criar novas oportunidades de investimento para empresas e pessoas físicas.
"Se a tokenização consegue resolver uma dor de crédito e ao mesmo tempo transformar esse ativo em uma oportunidade de investimento, isso gera valor para todo o ecossistema", afirmou. Ele citou ainda iniciativas da B3 voltadas à negociação de ativos tokenizados e destacou que o movimento já começa a atrair grandes instituições financeiras.
Desafios da IA
Além das stablecoins e da tokenização, a Visa também aposta fortemente na inteligência artificial aplicada ao comércio eletrônico. A companhia trabalha no desenvolvimento do chamado Agent Commerce, conceito em que agentes de IA poderão pesquisar produtos, comparar preços, organizar logística e realizar compras em nome dos consumidores.
A tecnologia, no entanto, traz desafios relacionados à segurança e à responsabilidade sobre as transações. Para Abreu, a validação humana continuará sendo fundamental nos primeiros anos de adoção dessas ferramentas.
"No começo é uma questão de construir credibilidade. Precisamos ter certeza de que quem está autorizando é você e que as ferramentas não estão trazendo resultados incorretos", afirmou.
O executivo também destacou que o mercado ainda precisará definir responsabilidades em situações em que agentes de IA tomem decisões equivocadas durante um pagamento. Segundo ele, emissores e instituições financeiras dificilmente aceitarão assumir integralmente os riscos dessas operações, o que exigirá novas regras para plataformas de inteligência artificial, estabelecimentos comerciais e participantes do ecossistema financeiro.
Ao mesmo tempo em que aposta em stablecoins e inteligência artificial, a Visa também vem estruturando uma área de consultoria especializada para ajudar empresas a desenvolver projetos baseados em ativos digitais. A iniciativa busca acelerar a adoção corporativa de stablecoins e preparar instituições financeiras, adquirentes e empresas para uma nova geração de pagamentos digitais.
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