
Três letras 'vão mandar' no Bitcoin esta semana e BTC pode ir para US$ 50 mil ou US$ 74 mil
Bitcoin entra em uma semana decisiva entre inflação nos EUA, tensões geopolíticas e níveis técnicos que podem definir o próximo grande movimento do BTC.

O Bitcoin (BTC) começa a semana negociado próximo de US$ 62 mil e pressionado por uma combinação de incertezas macroeconômicas, tensões geopolíticas e sinais ainda frágeis de recuperação da demanda institucional. Nesta segunda-feira, 13 de julho, a criptomoeda era negociada a cerca de US$ 62.128, depois de oscilar entre US$ 61.794 e US$ 64.273 ao longo do dia.
Na avaliação da Bitfinex, três letras podem definir o rumo do Bitcoin na smana, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho nos Estados Unidos. O dado será publicado às 8h30 no horário de Nova York e pode determinar a direção dos ativos de risco nas horas seguintes.
Segundo as projeções citadas pela exchange, o mercado espera inflação anual de 3,9%, enquanto o núcleo do CPI, que exclui componentes mais voláteis, deve alcançar 2,9%. Para a Bitfinex, os fatores macroeconômicos devem dominar o comportamento dos ativos, especialmente nas 48 horas posteriores à divulgação.
Um resultado acima das expectativas poderia aumentar os temores de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por mais tempo ou até adote uma postura monetária mais dura. Um dado mais favorável, por outro lado, poderia reduzir a pressão sobre os ativos de risco e abrir espaço para uma recuperação do Bitcoin.
A economia dos Estados Unidos entra no segundo semestre de 2026 ainda sustentada pela resiliência do consumo, pelo mercado de trabalho e pelos investimentos em inteligência artificial. Entretanto, a persistência da inflação, os juros elevados e as incertezas geopolíticas continuam limitando o apetite dos investidores por risco.
A queda dos preços do petróleo reduziu parte da pressão imediata sobre os custos de energia e, segundo a Bitfinex, permite que o Fed mantenha os juros estáveis em vez de promover novos aumentos. Esse equilíbrio, no entanto, permanece vulnerável a uma eventual escalada das tensões no Oriente Médio.
As negociações relacionadas à segurança da navegação no Estreito de Ormuz continuam no radar do mercado. Novas interrupções no transporte de petróleo poderiam elevar rapidamente os preços da commodity, reacender preocupações inflacionárias e provocar maior volatilidade nos mercados globais.
ETFs voltam a registrar entradas, mas demanda ainda não convence
O Bitcoin conseguiu preservar uma faixa relativamente estreita de negociação na última semana, mesmo diante da pressão provocada pelas vendas de ações da Strategy, pelas tensões no Oriente Médio e pelas divergências dentro do Federal Reserve.
Segundo a análise da Bitfinex, o BTC oscilou dentro de um intervalo de aproximadamente US$ 3.400, entre US$ 61.300 e US$ 64.700. A resistência encontrada no limite superior dessa faixa tornou-se agora um dos principais níveis que os investidores devem acompanhar.
Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos também ofereceram um sinal positivo. De acordo com a Bitfinex, os fundos registraram entradas líquidas de US$ 197,4 milhões, encerrando uma sequência de dez semanas consecutivas de saídas, com o IBIT, da BlackRock, liderando o movimento.
Dados recentes também mostram uma melhora pontual nos fluxos institucionais durante julho, embora a tendência de médio prazo ainda permaneça irregular e sem uma confirmação definitiva de recuperação sustentada da demanda.
Para a Bitfinex, uma segunda semana consecutiva de entradas líquidas representaria um sinal mais consistente de fortalecimento da procura institucional e poderia indicar uma reversão da tendência negativa observada anteriormente.
Os indicadores on-chain também estabelecem duas referências importantes. O preço realizado agregado do Bitcoin, próximo de US$ 54 mil, representa um suporte estrutural para o mercado, enquanto o preço realizado dos detentores de curto prazo, em torno de US$ 72,2 mil, permanece como uma importante resistência.
Apesar das incertezas, julho apresenta um histórico favorável para a criptomoeda. Segundo os dados apresentados pela Bitfinex, o Bitcoin registra valorização média de 7,3% no mês, desempenho que historicamente supera 10% em anos de eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
Em 2026, essa tendência sazonal já começa a aparecer. Desde a abertura do trimestre, quando o BTC era negociado a US$ 58.570, o ativo acumula valorização de aproximadamente 9,3%. A própria Bitfinex, contudo, alerta que o comportamento histórico de julho perde importância diante do peso dos indicadores econômicos e das incertezas geopolíticas atuais.
Bitcoin pode cair a US$ 50 mil ou subir até US$ 74 mil
Na análise técnica, o cenário permanece dividido entre uma retomada da recuperação no curto prazo e a continuação do bear market.
Segundo Arthur Driessen, analista da Crypto Investidor, o Bitcoin perdeu força compradora depois de encontrar resistência na região de US$ 64.700 e iniciou um novo movimento de baixa. Dentro da contagem atual de ondas, essa queda pode representar o desenvolvimento de uma terceira onda impulsiva, com projeção inicial para aproximadamente US$ 50 mil.
O principal nível de confirmação desse cenário está em US$ 58 mil. Caso o Bitcoin perca esse suporte, Driessen avalia que aumentariam as evidências de continuidade do mercado de baixa, abrindo espaço para uma correção ainda mais profunda.

Fonte: Arthur Driessen, Crypto Investidor - TradingView
Nesse cenário mais negativo, os próximos grandes alvos aparecem entre US$ 40 mil e US$ 30 mil ao longo do ciclo. Isso não significa que o Bitcoin necessariamente atingirá esses preços nesta semana, mas a perda dos US$ 58 mil fortaleceria a estrutura técnica que aponta para essas regiões", aponta o analista.
No sentido contrário, uma recuperação até US$ 64.700 seguida de um rompimento consistente dessa resistência melhoraria as perspectivas de curto e médio prazo. Nesse caso, os principais objetivos passariam para US$ 69 mil e, posteriormente, US$ 74 mil.
A região de US$ 72,2 mil ganha relevância adicional porque coincide aproximadamente com o preço realizado dos detentores de curto prazo destacado pela Bitfinex. Dessa forma, uma eventual alta até a faixa entre US$ 69 mil e US$ 74 mil colocaria o Bitcoin diante de uma resistência tanto técnica quanto on-chain.
Mesmo um avanço até US$ 74 mil, porém, ainda não seria suficiente para confirmar o fim definitivo do bear market. Segundo Driessen, o Bitcoin precisaria superar seu último topo macro, localizado na região de US$ 83 mil, para invalidar a estrutura baixista e permitir a consideração de um novo bull market.

