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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Stablecoins movimentam US$ 35,9 trilhões em seis meses e superam todo o volume de 2025

Últimas NotíciasPublicado3 de ago. de 2026

Relatório da Hashdex mostra avanço no uso das stablecoins enquanto preços das criptomoedas permanecem distantes dos indicadores de atividade das redes

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O volume bruto de transações com stablecoins atingiu US$ 35,9 trilhões no primeiro semestre de 2026 e superou os US$ 32,6 trilhões movimentados durante todo o ano de 2025.

Os dados aparecem no Market Pulse do segundo trimestre de 2026, elaborado pela Hashdex com informações da Artemis. Em apenas seis meses, as stablecoins movimentaram aproximadamente 10% mais recursos que durante os 12 meses do ano passado.

A diferença aumenta quando a Hashdex compara o resultado com 2024. Naquele ano, esses ativos movimentaram US$ 18,4 trilhões. Portanto, o volume registrado entre janeiro e junho de 2026 ficou cerca de 95% acima do total de dois anos atrás.

O crescimento das transações ocorreu sem uma expansão equivalente da capitalização das stablecoins. O segmento encerrou junho com aproximadamente US$ 296 bilhões, praticamente no mesmo patamar de US$ 295 bilhões usado como referência pela Hashdex em suas previsões para 2026.

Para a gestora, essa diferença indica uma maior velocidade de circulação. Em outras palavras, os tokens existentes estão sendo transferidos com mais frequência, mesmo sem um aumento expressivo na quantidade de capital mantida nesses ativos.

A Hashdex defende que o volume transacionado pode representar um indicador mais adequado de adoção das stablecoins. Diferentemente de outros criptoativos, esses tokens atendem principalmente pagamentos, remessas, liquidação de negociações e transferências internacionais.

O relatório, entretanto, faz uma ressalva importante. Os US$ 35,9 trilhões representam um volume não ajustado, que também inclui operações realizadas por bots de valor máximo extraível, conhecidos como bots de MEV, e transferências entre exchanges.

Por esse motivo, o número não representa necessariamente pagamentos efetuados por consumidores ou empresas. Também não permite uma comparação direta com os volumes processados pelas redes financeiras tradicionais.

O gráfico apresentado pela Hashdex mostra que a Visa processou US$ 7,4 trilhões no primeiro semestre, enquanto o PayPal movimentou US$ 800 bilhões. Apesar da diferença, as plataformas utilizam metodologias e estruturas de transações distintas.

Uso das redes cresce enquanto preços das criptomoedas recuam

O aumento na circulação das stablecoins faz parte de uma divergência mais ampla entre a atividade das redes e o valor dos criptoativos.

Segundo a Hashdex, o ecossistema registrou 17,6 bilhões de transações no segundo trimestre, o maior resultado da série iniciada em 2020. A contagem inclui Bitcoin, Ethereum, Solana, plataformas de contratos inteligentes e redes de segunda camada acompanhadas pela Messari.

Enquanto as transações atingiram um recorde, a capitalização do mercado cripto encerrou junho em aproximadamente US$ 2,2 trilhões. O setor havia ultrapassado US$ 4 trilhões no terceiro trimestre de 2025, de acordo com o levantamento.

A razão entre capitalização e quantidade de transações caiu para 10.409, o menor nível da série histórica utilizada pela Hashdex. A gestora interpreta o movimento como uma ampliação da distância entre preços e fundamentos de utilização.

Uma regressão produzida pela empresa indica que a capitalização do mercado alcançaria aproximadamente US$ 4 trilhões caso os preços acompanhassem a evolução das transações. O valor observado de US$ 2,2 trilhões ficou 45% abaixo dessa estimativa.

A projeção não representa, contudo, um preço justo comprovado nem uma garantia de valorização. A Hashdex construiu o modelo com uma regressão entre o logaritmo da capitalização e o logaritmo das transações, com dados coletados desde janeiro de 2020.

O desempenho do mercado durante o segundo trimestre ajuda a explicar parte da divergência. O Nasdaq CME Crypto Index recuou 15,46% entre o final de março e 30 de junho.

No mesmo período, o Nasdaq 100 avançou 27,53% e o S&P 500 subiu 14,87%. O ouro caiu 14,14%, enquanto o índice de commodities utilizado no levantamento recuou 8,92%.

A Hashdex dividiu o comportamento das criptomoedas no trimestre em dois momentos. No primeiro, o índice cripto avançou 10,94% com a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã e a entrada de recursos nos ETFs.

No segundo momento, o índice acumulou queda de 26,09%. A alta dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos, novas tensões geopolíticas e a migração de capital para empresas ligadas à inteligência artificial pressionaram os preços.

Esse movimento também reduziu temporariamente a ligação entre criptomoedas e ações de tecnologia. Segundo o relatório, os criptoativos passaram a apresentar um comportamento mais próximo de ativos alternativos, como ouro, petróleo e outras commodities.

Ações tokenizadas crescem 128% em seis meses

A tokenização de ativos do mundo real também avançou durante o período de enfraquecimento dos preços das criptomoedas.

O mercado de ativos do mundo real tokenizados, conhecidos como RWAs, alcançou uma capitalização de US$ 59,4 bilhões no final de junho. A Hashdex calcula uma expansão de 43,9% durante o primeiro semestre.

O segmento encerrou 2025 com aproximadamente US$ 41,7 bilhões. A categoria inclui títulos públicos, crédito privado, commodities, ações, fundos, imóveis e outros ativos representados em redes blockchain.

Os títulos de dívida e os produtos de crédito continuam concentrando a maior parte do mercado. Ações tokenizadas, entretanto, apresentaram o maior ritmo de crescimento recente.

Essa categoria alcançou uma capitalização de aproximadamente US$ 1,6 bilhão, após crescer 128% em seis meses. Segundo o relatório, a oferta de representações tokenizadas de ações da SpaceX antes de sua abertura de capital ajudou a impulsionar o segmento no segundo trimestre.

A Hashdex também identificou uma aproximação entre a infraestrutura cripto e os sistemas de inteligência artificial. Nesse modelo, agentes de IA podem utilizar stablecoins para pagar serviços, contratar recursos computacionais ou realizar micropagamentos automaticamente.

O protocolo x402, criado pela Coinbase, aparece como uma das estruturas dessa integração. Redes como Solana, Base e Polygon funcionariam como camadas de liquidação, enquanto o USDC atenderia os pagamentos.

O relatório também cita iniciativas de Google, Visa e Amazon Web Services relacionadas à autorização, infraestrutura e contratação de agentes. A capitalização dos protocolos cripto classificados como ligados à IA atingiu US$ 3,9 bilhões no final de junho.

Bitcoin entra novamente em uma zona histórica de estresse

A atividade crescente das redes não eliminou os sinais de pressão sobre os investidores de Bitcoin.

Em 4 de junho, pelo menos 50% da oferta total de BTC estava no prejuízo, segundo dados citados pela Hashdex. Isso significa que metade das moedas havia sido adquirida por preços superiores à cotação observada naquele momento.

O Bitcoin acumulava um recuo de aproximadamente 53% em relação à sua máxima histórica. A queda permanecia menor que os máximos drawdowns dos ciclos anteriores, que chegaram a 93% em 2011, 84% em 2015, 83% em 2018 e 77% em 2022.

No final de junho, o BTC era negociado perto de US$ 58.562, enquanto sua média móvel de 200 dias estava em US$ 75.362. A diferença colocava a criptomoeda mais de 20% abaixo desse indicador.

A Hashdex analisou outros momentos, desde 2015, nos quais o Bitcoin ficou pelo menos 20% abaixo da média móvel de 200 dias. O retorno anualizado mediano atingiu 63% após um ano, 83% depois de dois anos e 78% após três anos.

Esses resultados representam o desempenho de períodos anteriores. Eles não garantem que o Bitcoin repetirá o mesmo comportamento, principalmente porque cada ciclo apresenta condições macroeconômicas, regulatórias e de liquidez diferentes.

Além disso, uma regressão entre a intensidade das quedas e o tempo necessário para a recuperação estimou um ciclo completo de 474 dias. Até 30 de junho, o atual drawdown durava 252 dias.

A contagem considera o período entre uma máxima histórica e a recuperação completa do preço, e não apenas o intervalo entre o pico e o fundo. Portanto, o modelo indica que o mercado ainda poderia levar mais tempo para recuperar sua máxima anterior.

Strategy, juros e regulação aparecem entre os riscos

A Hashdex também aponta a estrutura de financiamento da Strategy como um potencial risco para o mercado de Bitcoin.

As ações preferenciais STRC somavam valor nominal de US$ 10,5 bilhões e pagavam dividendos anuais de 11,5%. Isso criava uma obrigação estimada em US$ 1,2 bilhão por ano, diante de aproximadamente US$ 1,4 bilhão mantidos pela companhia em caixa e equivalentes.

Caso o preço das ações STRC caia, a Strategy poderá aumentar o rendimento para tentar manter a paridade do instrumento. Na avaliação da Hashdex, uma eventual utilização das reservas de Bitcoin para financiar esses dividendos criaria pressão adicional de venda.

O relatório ressalta, porém, que esse é apenas um cenário hipotético. A empresa também poderia cobrir as obrigações com caixa, novas captações ou emissão de ações, sem necessariamente vender seus bitcoins.

A política monetária dos Estados Unidos representa outro risco. Entre março e junho, parte dos integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto adotou uma postura mais dura em relação aos juros.

Os rendimentos dos títulos norte-americanos de longo prazo chegaram a superar 5% durante o trimestre. Taxas mais elevadas costumam reduzir a disposição dos investidores para assumir riscos em ativos voláteis.

Por outro lado, a Hashdex considera que o avanço da regulamentação poderá sustentar a adoção institucional. O relatório destaca a tramitação do CLARITY Act e diferentes iniciativas conduzidas pela SEC e pela CFTC.

A gestora reconhece que uma maior clareza regulatória não garante a valorização de todas as criptomoedas. Mesmo com novas regras, investidores institucionais podem continuar concentrando sua exposição no Bitcoin.

O relatório conclui que os fundamentos de utilização permaneceram ativos durante a queda do mercado. Stablecoins, transações nas redes e ativos tokenizados avançaram, enquanto os preços continuaram pressionados por juros, geopolítica e concorrência pelo capital destinado à inteligência artificial.

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