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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Tokens RWA no Brasil ultrapassam R$ 3,76 bi e mercado mais do que dobra em um ano

Avanço das emissões institucionais e integração das operações privadas da Amfi, aliados ao crescimento das stablecoins em real, colocam o Brasil entre os principais polos globais de tokenização de ativos reais.

Tokens RWA no Brasil ultrapassam R$ 3,76 bi e mercado mais do que dobra em um ano
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O mercado brasileiro de tokenização de ativos reais (RWA) iniciou 2026 em ritmo acelerado e atingiu um novo recorde histórico. Dados do RWA Monitor apontam que o setor encerrou o primeiro trimestre de 2026 com R$ 3,76 bilhões em emissões totais, contra R$ 1,70 bilhão no mesmo período de 2025. O avanço representa crescimento de 121% em apenas um ano e reforça a consolidação do Brasil como uma das maiores praças globais de tokenização.

O crescimento ocorreu de forma transversal em praticamente todos os segmentos do mercado. As emissões institucionais sob a regulação da CVM 160 cresceram 62%, saltando de R$ 1,35 bilhão para R$ 2,19 bilhões. Já o varejo e as pequenas empresas, via CVM 88, movimentaram R$ 374,5 milhões em emissões, enquanto as captações avançaram 440%, passando de R$ 66,4 milhões para R$ 358,57 milhões.

O movimento mais agressivo veio das emissões privadas tokenizadas, como da AmFi que sozinha emitiu cerca de R$ 1,07B no primeiro trimestre deste ano. Assim, o volume disparou de R$ 74,4 milhões para R$ 1,14 bilhão no período, crescimento de 1.427% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de projetos privados também saltou de 12 para 175 operações no período analisado.

“O avanço do mercado indica que a tokenização começou a migrar para operações financeiras de escala, especialmente em estruturas de crédito privado, antecipação de recebíveis, trade finance e produtos voltados ao mercado institucional, aproximando blockchain da infraestrutura tradicional do sistema financeiro.”, aponta Rodrigo Caggiano, fundador e CEO do RWA Monitor.

Mercado institucional lidera crescimento das emissões tokenizadas

O segmento institucional apareceu como principal motor do trimestre. O número de projetos ativos enquadrados na CVM 160 subiu de quatro para 17 operações, avanço de 325% em um ano.

Segundo o relatório, a VERT Capital liderou as emissões institucionais e respondeu sozinha por R$ 1,34 bilhão em operações tokenizadas, consolidando a blockchain XDC como principal infraestrutura para operações de grande porte e trade finance. A Liqi também ganhou relevância e alcançou R$ 845 milhões em emissões no período.

O documento destaca ainda que tesourarias corporativas e fundos de investimento passaram a utilizar a tokenização como canal permanente de captação e distribuição financeira. 

No segmento regulado pela CVM 88, apesar da redução no número de projetos ativos no recorte trimestral, o volume captado cresceu de forma expressiva. O Mercado Bitcoin permaneceu como líder nas emissões da categoria, com R$ 303 milhões emitidos no trimestre. Em seguida aparecem Dexcap Finance, com R$ 37,5 milhões, e Zuvia, com R$ 12,2 milhões. O levantamento também cita a presença de empresas como Foxbit e AmFi, indicando expansão do acesso à tokenização para diferentes perfis de investidores e empresas.

XDC mantém liderança, enquanto XRPL e Rootstock ganham espaço

A disputa entre blockchains também mudou de patamar ao longo do trimestre. A XDC manteve a liderança absoluta em volume tokenizado e alcançou R$ 2,20 bilhões em emissões e R$ 2,08 bilhões em captações no primeiro trimestre. O avanço representa crescimento de 61% em relação ao mesmo período de 2025.

A Polygon consolidou-se como segunda principal infraestrutura do mercado brasileiro de tokenização, com R$ 1,14 bilhão em emissões, alta de 256% na comparação anual.

O trimestre também marcou a entrada de novas redes no mercado brasileiro de RWA. A XRPL movimentou R$ 225,7 milhões em emissões e R$ 452,7 milhões em captações, enquanto a Rootstock estreou com R$ 157,1 milhões. Já a Hedera registrou R$ 19,9 milhões em emissões no período.

O relatório avalia que o mercado brasileiro começou a abandonar uma “monocultura de infraestrutura”, migrando para um ecossistema mais diversificado e competitivo entre blockchains.

Outro ponto de destaque envolve o avanço das stablecoins em real. O estudo aponta que o market cap total das stablecoins lastreadas em BRL já soma R$ 512 milhões. Entre os ativos de maior porte aparecem a BRLV, na Base, com R$ 270,24 milhões, e a BRLY, também na Base, com R$ 205,34 milhões.

“Essa infraestrutura de liquidez pode acelerar o próximo ciclo de emissões tokenizadas no Brasil, principalmente em operações que exigem liquidação instantânea, integração entre plataformas blockchain e redução de custos financeiros”, completa Caggiano


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