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Escrito por Cassio Gussonstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

Regras do BC e CVM estão limitando o mercado cripto no Brasil

Últimas NotíciasPublicadoJun 1, 2026

Novas exigências regulatórias elevam custos, dificultam lançamentos e podem deixar investidores brasileiros sem acesso a inovações já disponíveis em outros mercados.

Nesta segunda, 01, durante um painel no Tokennation, executivos de diversas empresas de criptomoedas no Brasil apontaram que as regras publicadas pelo Banco Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários tornam o mercado cripto mais regulamentado e seguro no país mas também estão criando obstáculos que podem limitar o acesso dos investidores brasileiros a produtos já disponíveis em outras regiões do mundo.

Para Mayra Siqueira, Brand Manager da BingX, o mercado global de criptoativos evolui em velocidade muito superior à capacidade de adaptação regulatória observada em diversas jurisdições.

Segundo ela, o Brasil possui condições técnicas e empresariais para acompanhar as tendências internacionais, mas parte das inovações acaba ficando de fora do mercado nacional devido às dificuldades de enquadramento regulatório.

“O setor lança constantemente novos produtos e serviços. Em alguns casos, as empresas conseguem adaptar essas ofertas às exigências locais. Em outros, acabam optando por não disponibilizar o produto para os consumidores brasileiros”, afirma.

Segundo a executiva, o risco não está necessariamente na saída de empresas do país, mas no atraso da oferta de soluções que já se tornaram comuns em mercados mais maduros. Ela destaca que a regulação precisa evoluir de forma simultânea à inovação para evitar que o Brasil perca competitividade dentro da economia digital global.

Investidor cripto brasileiro pode ficar 'devasado' de produtos

O impacto dessa situação já começa a aparecer em diferentes segmentos do mercado. Enquanto investidores dos Estados Unidos, Europa e Ásia têm acesso a uma ampla variedade de produtos ligados a staking, rendimentos, derivativos tokenizados e instrumentos financeiros híbridos, muitos desses serviços ainda enfrentam restrições ou incertezas regulatórias no Brasil.

Para Renata Mancini, Compliance Officer da BingX Brasil, a adaptação às novas regras exige investimentos crescentes em governança, compliance e estrutura operacional. Ela ressalta que o setor já convive com um ambiente regulatório complexo e que as empresas precisam acompanhar constantemente as mudanças para manter suas operações em conformidade.

“Nós observamos diferentes jurisdições e acompanhamos como cada país trata inovação e ativos digitais. Essa visão internacional permite identificar práticas que podem contribuir para o desenvolvimento do mercado brasileiro”, afirma.

A executiva destaca que a previsibilidade regulatória se tornou um dos principais fatores para decisões de investimento e expansão no setor. Segundo ela, empresas globais tendem a priorizar mercados onde conseguem lançar novos produtos com maior rapidez e segurança jurídica.

Na avaliação de Ádrili Sato, Diretora de Crescimento Estratégico para a América Latina, o Banco Central tem demonstrado disposição para dialogar com a indústria, mas o momento atual representa um desafio relevante para empresas e consumidores.

Capital regulatório

Ela acredita que o principal risco não está em uma eventual migração massiva de investidores para plataformas estrangeiras, mas na redução das opções disponíveis para o público brasileiro. Segundo Sato, acessar produtos oferecidos fora do país exige abertura de contas internacionais, movimentação de recursos para o exterior e cumprimento de obrigações tributárias adicionais, o que acaba restringindo esse acesso a uma parcela menor dos investidores.

“O maior impacto tende a recair sobre o cliente final. Quando um produto não consegue se adequar rapidamente às exigências locais, muitas empresas simplesmente deixam de oferecê-lo no Brasil”, afirma.

A executiva também chama atenção para outro ponto que preocupa o setor: as exigências de capital e estrutura financeira previstas para as empresas que desejam operar sob o novo marco regulatório. Segundo ela, parte das startups e fintechs que impulsionaram a inovação nos últimos anos ainda não possui o porte necessário para atender rapidamente a todas as novas exigências.

O resultado, segundo representantes da indústria, pode ser um processo de consolidação acelerada do mercado brasileiro, favorecendo grandes grupos com maior capacidade financeira e reduzindo a diversidade de produtos e serviços disponíveis para os investidores.

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