Nesta sexta, 27, o preço do Bitcoin enfrentou uma queda de mais de 4%, devolvendo o ativo para US$ 66 mil e perdendo o novo range de lateralização que estava se formando acima de US$ 68 mil. Com isso alguns analistas voltaram a proclamar o temor de uma possível queda para US$ 50 mil.
No entanto, para além do comportamento de preço, a queda no valor afeta diretamente uma das industrias mais essenciais para o BTC, a mineração. Assim, na medida que as margens se comprimem, a mineração entra em uma de suas fases economicamente mais pressionadas.
Neste cenário, para calcular quanto custa produzir 1 BTC, a equipe da BestBrokers desenvolveu um estudo que combina dados atualizados de hashrate global com estimativas de distribuição geográfica do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index e da Chain Bulletin, além de aplicar métricas médias de eficiência dos principais equipamentos ASIC.
Isso permitiu estimar o consumo total de eletricidade, o custo por Bitcoin e o uso regional de energia com base em tarifas reais de eletricidade (para empresas).
De acordo com os dados, o custo para minerar 1 Bitcoin no Brasil gira em torno de US$ 97.336, enquanto nos Estados Unidos esse valor chega a US$ 106.135. A diferença de aproximadamente US$ 8.800 coloca o país em uma posição intermediária, mas ainda assim mais eficiente do que a principal potência global da mineração.
A análise mostra que o custo de mineração varia drasticamente entre países. Enquanto nações como Noruega (US$ 55.414) e Indonésia (US$ 51.393) lideram como as mais baratas, outras economias enfrentam custos significativamente mais altos.
Na Alemanha, por exemplo, minerar 1 BTC pode custar até US$ 168.607, enquanto na Irlanda o valor dispara para US$ 193.634. Já na Austrália, o custo chega a impressionantes US$ 229.713, refletindo tarifas energéticas elevadas.

Bitcoin consome 350 GWh de energia por dia
Além disso, a análise mostra que a mineração de Bitcoin consome atualmente mais de 350 GWh de eletricidade por dia, enquanto a rentabilidade sofre pressão à medida que os custos energéticos superam os preços de mercado em regiões-chave.
Globalmente, minerar 450 BTC por dia exige 350,3 GWh de eletricidade, totalizando quase 128 TWh por ano. Esse nível de consumo rivaliza, e em muitos casos supera, a demanda elétrica anual de países inteiros, evidenciando a escala da rede Bitcoin.”, afirma o estudo.
Os Estados Unidos respondem por cerca de 37,8% da atividade global de mineração, consumindo aproximadamente 132,6 GWh de eletricidade para produzir, em média, 170,28 BTC por dia. Isso reflete a liderança do país, impulsionada por infraestrutura, capital e estabilidade regulatória.
Outros líderes incluem China, Cazaquistão, Canadá, Rússia e Alemanha. O custo para minerar 1 BTC varia amplamente entre os 20 maiores países, com Austrália (US$ 229.713) e Reino Unido (US$ 222.837) apresentando os maiores custos.
Embora o hashrate global permaneça elevado historicamente, ele caiu abaixo de 1 zetahash por segundo após atingir o pico no final de 2025. Essa queda indica uma desaceleração na atividade de mineração, provavelmente causada pela menor rentabilidade, volatilidade de preços e desafios operacionais.

A escala do consumo energético se torna ainda mais clara quando colocada em perspectiva: o uso anual de eletricidade da mineração de Bitcoin nos Estados Unidos poderia abastecer cerca de 4,6 milhões de residências americanas.
Alternativamente, poderia carregar totalmente toda a frota de veículos elétricos do país cerca de 88 vezes ao longo de um ano.
“A verdade desconfortável sobre a mineração de Bitcoin em março de 2026 é que a rentabilidade começa a parecer cada vez mais invertida. Quando custa mais de US$ 100.000 apenas em eletricidade para produzir um ativo negociado perto de US$ 70 mil, é difícil dizer que o sistema está funcionando de forma eficiente — pelo menos para grande parte dos mineradores”, disse Alan Goldberg, da BestBrokers.
O que chama atenção, segundo Goldberg, é que, mesmo após o halving reduzir as recompensas, a rede não diminuiu de forma significativa seu consumo de energia; pelo contrário, continuou próxima de máximas históricas antes de desacelerar recentemente.
Isso sugere que não se trata de um sistema flexível e autocorretivo, mas sim de uma corrida competitiva onde apenas os maiores e mais eficientes sobrevivem. Em algum momento, a questão deixa de ser quanto de energia o Bitcoin pode consumir e passa a ser se, em um ambiente mais sensível a preços e margens apertadas, faz sentido continuar operando nessa escala.”, finaliza.

