O Itaú Unibanco anunicou nesta quarta, 22. que liderou a rodada Série A da Minter Inc, empresa de infraestrutura digital que constrói data centers voltados à mineração de Bitcoin e criptomoedas para absorver energia renovável que, de outra forma, seria cortada ou não utilizada no sistema elétrico.
A rodada também contou com a participação da Leste Group, da Legend Capital e de investidores individuais com atuação no setor.
Para o Itaú, o investimento abre espaço para o desenvolvimento de produtos e serviços ligados ao ecossistema de ativos digitais. Entre as possibilidades em estudo estão soluções de liquidação e custódia para os Bitcoins minerados, além da discussão sobre acesso a ativos recém-minerados com origem em energia renovável (sem histórico anterior de transações), conceito que executivos do setor têm chamado de “Bitcoin clean”.
Este é o terceiro investimento realizado após a criação do Itaú Ventures, estrutura de corporate venture capital do banco criada a partir da internalização a equipe que anteriormente conduzia essas iniciativas a partir da Kinea.
Mineração cripto no Brasil
Fundada em 2023, a Minter reúne executivos com experiência global nos setores de mineração digital, energia e mercado financeiro. A companhia foi criada por empreendedores que estiveram à frente da fundação e crescimento de algumas das mais relevantes empresas nos segmentos de criptoativos, Bitcoin mining e serviços financeiros, incluindo nomes como Hashdex, CleanSpark, Kapitalo, ATL Data Centers, Base Exchange e Flowa Technologies.
A tese da companhia parte de uma característica estrutural do sistema elétrico brasileiro. O país possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, mas o rápido crescimento de fontes intermitentes, como solar e eólica, tem aumentado episódios de corte obrigatório de geração, conhecidos na indústria como curtailment.
Nesses casos, mesmo tendo capacidade para produzir eletricidade, usinas são instruídas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a reduzir ou interromper a geração. Isso ocorre, geralmente, quando a produção excede a capacidade de transmissão ou a demanda do sistema, resultando em desperdício de energia.
A proposta da Minter é mitigar os impactos do curtailment por meio da instalação de infraestruturas digitais (data centers) junto às usinas renováveis afetadas por esses cortes. Por estarem no próprio ponto de geração, essas estruturas conseguem absorver a eletricidade que seria objeto de curtailment e podem ser desligadas rapidamente quando houver necessidade de injeção de energia na rede.
Mineração de criptomoedas
“Essa é uma ferramenta que inverte a lógica tradicional do setor elétrico. Em vez de levar energia até o consumidor, levamos o consumidor até o ponto de geração”, diz Stefano Sergole, CEO da Minter.
Segundo Sergole, a eletricidade é convertida em poder computacional, viabilizando a monetização da energia que, de outra forma, seria desperdiçada. Esse poder computacional é utilizado para processar e validar transações na rede Bitcoin, isto é, para minerar criptomoedas.
“A tese da Minter combina dois vetores relevantes: a expansão da geração renovável e a crescente demanda por infraestrutura computacional. Com esses investimentos, buscamos apoiar uma solução que endereça o curtailment de forma flexível, próxima ao ponto de geração, com disciplina operacional e atenção a governança”, detalha Phillippe Schlumpf, superintendente do Itaú Ventures.
Segundo Schlumpf, o Itaú avalia oportunidades no ecossistema de ativos digitais de maneira criteriosa, priorizando segurança, conformidade e aplicação prática para o cliente.
Este movimento está em linha com o mandato do Itaú Ventures de investir em inovação estratégica com sinergia com os negócios do banco.
Mineração concentrada nos EUA
Hoje, a maior parte da mineração global está concentrada nos Estados Unidos. Segundo a atualização do Hashrate Index (Q4 2025), os EUA respondem por 37,8% da participação estimada de hashrate na rede Bitcoin.
A Minter acredita que um modelo semelhante ao observado em mercados onde a mineração é tratada como carga flexível pode se desenvolver no Brasil. Por meio de parceria com uma das maiores geradoras renováveis do país, a empresa já implementou um projeto de 20 MW na Bahia.
Com o novo capital, a empresa pretende ampliar seu portfólio no Brasil e, em paralelo, iniciar expansão internacional, principalmente no mercado norte-americano, onde a infraestrutura desenvolvida para mineração digital tem se integrado cada vez mais a data centers voltados a aplicações de alta performance computacional (HPC), incluindo treinamento de inteligência artificial.

