
EUA pedem arquivamento de caso de fraude da BitClub Network que lesou investidores em US$ 722 milhões
Matthew Goettsche deveria ser julgado em outubro por conspiração para cometer fraude eletrônica e venda de títulos não registrados.

O Departamento de Justiça dos EUA estaria se mobilizando para retirar as acusações contra o fundador da BitClub Network, uma suposta plataforma de mineração de criptomoedas que teria lesado investidores em US$ 722 milhões entre 2014 e 2019.
Um documento judicial mostra que os advogados de Matthew Goettsche escreveram à juíza Claire Cecchi, do tribunal distrital de Nova Jersey, na quarta-feira, afirmando que as partes "chegaram a um acordo de princípio" para resolver as acusações pendentes, "mas precisam de tempo para finalizar os termos".

Carta dos advogados de Goettsche à juíza Claire Cecchi, do Tribunal Distrital de Nova Jersey. Fonte: Bloomberg Law
O pedido foi feito depois que o gabinete do vice-procurador-geral em Washington teria ordenado ao gabinete do procurador-geral de Nova Jersey que arquivasse o caso contra Goettsche com prejuízo, de acordo com uma reportagem da Bloomberg Law publicada na sexta-feira, citando duas fontes familiarizadas com o assunto.
Goettsche foi indiciado em dezembro de 2019 e deveria ir a julgamento em outubro por conspiração para cometer fraude eletrônica e venda de títulos não registrados. Uma reversão dessa decisão representaria uma das mudanças mais notáveis na história da aplicação da lei em relação às criptomoedas nos EUA, especialmente considerando que três de seus ex-colegas, Silviu Balaci, Joseph Abel e Gordon Beckstead, se declararam culpados por seu envolvimento no esquema.
A possível reversão decorre de um memorando de abril de 2025 do vice-procurador-geral Todd Blanche, que orientou o Departamento de Justiça a encerrar sua estratégia de "regulação por meio de processos" contra o setor de ativos digitais.
O Cointelegraph entrou em contato com o Departamento de Justiça dos EUA para obter um comentário, mas não recebeu uma resposta imediata.
A BitClub operou de abril de 2014 a dezembro de 2019, alegando ser um pool de mineração de Bitcoin onde os investidores podiam comprar ações e obter rendimentos passivos. A BitClub supostamente falsificou valores de ganhos para os investidores e fabricou dados de mineração para atrair mais investidores para o esquema.
Documentos judiciais anteriores mostram que Goettsche certa vez descreveu seu modelo como algo construído "nas costas de idiotas".
O Departamento de Justiça continua a processar golpistas
Em abril, Evan Tageman, da Califórnia, foi condenado a 70 meses de prisão por seu envolvimento em uma organização criminosa que roubou cerca de US$ 263 milhões em criptomoedas de vítimas por meio de golpes de engenharia social e roubo.
Em abril, o Departamento de Justiça também congelou mais de US$ 700 milhões em criptomoedas ligadas a golpistas de investimento que visavam americanos, enquanto em fevereiro, apreendeu quase US$ 580 milhões em criptomoedas vinculadas a um grupo criminoso que operava no Sudeste Asiático.
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