
CVM cria Grupo de Trabalho para desenvolver estudos sobre tokenização de valores mobiliários
Grupo de Trabalho terá 60 dias para apresentar uma proposta de regime regulatório experimental ao colegiado da autarquia

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou nesta sexta, 17, que criou um grupo de trabalho para estudar a tokenização de valores mobiliários e propor novas medidas regulatórias para o setor. A autarquia oficializou a iniciativa por meio da Portaria CVM/PTE 177, publicada no Diário Oficial da União (DOU).
De acordo com a CVM, o Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) conduzirá estudos, testes e avaliações relacionados ao uso de tecnologias de registro distribuído, conhecidas pela sigla DLT. A análise abrangerá atividades como registro, depósito, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários tokenizados.
A CVM estabeleceu uma duração inicial de 120 dias para os trabalhos do GTT, com possibilidade de prorrogação por mais 30 dias. No entanto, o grupo deverá encaminhar sua primeira entrega ao colegiado da autarquia em até 60 dias após a instalação.
Essa primeira etapa prevê a elaboração de uma proposta de regime regulatório experimental para a tokenização de valores mobiliários. Ao final das atividades, o grupo também apresentará um relatório conclusivo com os estudos realizados e as recomendações formuladas.
O GTT reúne representantes de 14 componentes organizacionais da CVM. A iniciativa também poderá receber contribuições de entidades governamentais, autorreguladores, associações representativas do mercado e especialistas convidados.
Tokenização de valores mobiliários
José Alexandre Vasco, superintendente seccional de Desenvolvimento e Modernização Institucional da CVM, coordenará o grupo ao lado de Bruno Gomes, superintendente de Securitização e Agronegócio. Outras áreas da autarquia prestarão apoio técnico e institucional à iniciativa.
Entre as atribuições, o grupo estudará experiências brasileiras e internacionais, analisará resultados de iniciativas do sandbox regulatório e promoverá debates com reguladores, participantes do mercado e representantes da sociedade.
A CVM também destaca que a equipe avaliará os impactos das tecnologias DLT sobre a estrutura e o funcionamento do mercado de capitais. O trabalho inclui análises sobre segurança cibernética, protótipos experimentais e possíveis ajustes no arcabouço regulatório vigente.
CVM busca regras para mercado de capitais tokenizado
A CVM pretende usar os estudos para estabelecer as bases de uma futura regulamentação da tokenização de valores mobiliários. A autarquia afirma que o projeto buscará conciliar inovação tecnológica, proteção dos investidores, integridade do mercado e segurança jurídica.
A tokenização permite representar valores mobiliários em infraestruturas digitais baseadas em tecnologias de registro distribuído. O GTT analisará como essas estruturas afetam diferentes etapas das operações no mercado de capitais, da custódia à liquidação.
O presidente da CVM, Otto Lobo, classificou a tokenização como uma transformação estrutural e defendeu uma resposta regulatória compatível com a evolução tecnológica do setor.
“A tokenização representa uma transformação estrutural do mercado de capitais e exige uma atuação regulatória igualmente inovadora. Com este Grupo de Trabalho, a CVM reúne conhecimento técnico para avaliar oportunidades, enfrentar desafios e construir, de forma coordenada, as bases para um ambiente regulatório moderno, seguro e alinhado à evolução do mercado de capitais brasileiro”, afirmou Lobo.
De acordo com os dados do RWA Monitor, o setor de tokens RWA no Brasil acumula R$ 9,96 bilhões em captação e reúne 5.593 ativos tokenizados em 2026.
Os números mostram que a tokenização continua avançando no mercado brasileiro mesmo em semanas de menor volume de novas captações. Entre 29 de junho e 5 de julho, o setor registrou R$ 8,87 milhões captados, uma queda de 3,3% em relação ao período anterior, entre 22 e 28 de junho.

