
Empresas autorizadas pelo BC permitem pagamento para o 'jogo do tigrinho' e outras Bets ilegais, diz reportagem
Empresas negam envolvimento com plataformas de apostas ilegais, mas admitem possibilidade de utilização dos serviços sem autorização.

Oito instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central (BC) supostamente têm sido usadas para saques e pagamentos pelo caça-níquel on-line Fortune Tiger, o “jogo do tigrinho”, e Bets não autorizadas a atuar no país.
De acordo com um levantamento feito pelo portal Metrópoles, essas instituições de pagamento operam atualmente para mais de cem bets ilegais, não cadastradas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulamentação infralegal das Bets no país, iniciada em janeiro desse ano.
Segundo a publicação, a lista inclui instituições conhecidas do mercado, como Voluti, Microcash e FitBank, fintech que tem o JPMorgan entre seus acionistas. No total, a reportagem informou que não são casos isolados, já que 136 sites ilegais de Bets usam plataformas dessas e outras instituições autorizadas pelo BC.
A reportagem acrescentou que chegou a se cadastrar nas plataformas e simulou com sucesso a efetuação de transferências via Pix para Bets ilegais. Essas plataformas, acrescentou a reportagem, possuem indícios grotescos de ilegalidade, aceitam dados falsos e sem CPF no ato do cadastro e, inclusive, recomendam que as pessoas façam acesso através de VPNs para burlarem o bloqueio do governo.
Uma dessas simulações aconteceu através de um link disponibilizado em uma transmissão da influencer Dayanne Bezerra, irmã da advogada e também influencer Deolane Bezerra, para promover o “jogo do tigrinho”.
De acordo com a matéria, apesar dos indícios de ilegalidade da plataforma, o pagamento seria possível através do Pix não consumado, já que o depósito seria efetuado através da Volutti à Brapay, que, segundo a publicação, é a empresa que opera para a Bet ilegal. Já a Voluti negou que opera junto a Bets ilegais e disse que cancelou todos os contratos com plataformas de apostas on-line.
O FitBank informou que não possui Bets como clientes, que possui fortes regras de Compliance que é apenas um provedor de serviços de pagamento. Outras empresas ouvidas pela reportagem também negaram envolvimentos com as Bets ilegais, entre elas Treeal e Microcash. Já as empresas Sants Bank, Ecomovi, Creditag e Silium não responderam à reportagem. O Cointelegraph Brasil também está aberto, caso as empresas citadas queiram se manifestar.
O Ministério da Fazenda informou que notificou recentemente 22 instituições de pagamento que foram identificadas operando para Bets ilegais. Já o BC disse que atua para criar ferramentas de fiscalização mais eficazes de empresas que usam o Sistema Financeiro Nacional.
Na semana passada, o governo estabeleceu um prazo para Bets apresentarem medidas de combate à lavagem de dinheiro, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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