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Escrito por Cassio Gussonstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

Em reunião Banco Central mantém suspensão de operações de câmbio com fundos cripto no Brasil

Últimas NotíciasPublicado26 de jun. de 2026

Em nova reunião com bancos e corretoras de câmbio, BC reconheceu controles internos criados pelo mercado, mas manteve paralisação até alinhamento com a área de fiscalização

Nesta sexta, 26, após uma reunião com diversas corretoras de câmbio, bancos e outras empresas do setor, o Banco Central do Brasil manteve a suspensão das operações de câmbio ligadas a fundos cripto no país, segundo informações compartilhadas com o Cointelegraph Brasil.

O encontro deu continuidade à discussão aberta nesta semana, quando a autarquia notificou participantes do mercado para interromper operações de câmbio destinadas à importação de ativos virtuais por fundos de investimento, nos casos em que o BC entende haver atividade de intermediação.

Segundo pessoas que acompanharam a reunião, o Banco Central avaliou como válido o trabalho realizado por bancos e corretoras para separar operações próprias, arbitragem e eventuais estruturas que possam configurar intermediação de ativos virtuais.

Além disso, durante a reunião, os participantes iniciaram conversas com o Departamento de Supervisão de Conduta, o Decon, para discutir condutas, políticas internas e tratamento das operações. O objetivo será explicar ao regulador como cada instituição identifica a finalidade econômica das transações e diferencia uma operação própria de uma estrutura de intermediação.

Porém, até que esse alinhamento ocorra, as operações permanecerão suspensas. No encontro o BC também não tratou de qualquer tributação para estas operações. Apesar do posicionamento do BC mantendo a suspensão, o spread entre as operações com cripto que chegou a 2% quando a notificação foi enviada, caiu para 0,5%, nesta sexta.

Além disso, durante a reunião o BC 'liberou' a arbitragem de fundos cripto feita dentro do livro de ordens de exchanges. No livro, o fundo não escolhe a contraparte. O sistema cruza ordens de compra e venda de forma automática, entre diferentes participantes.

Os fundos de arbitragem exercem papel relevante na liquidez dos pares em reais. Eles compram onde o ativo está mais barato, vendem onde está mais caro e ajudam a reduzir diferenças entre exchanges locais e plataformas internacionais. Essa atividade mantém spreads menores e melhora a execução para investidores de varejo e institucionais.

Mercado tenta separar arbitragem de intermediação

O ponto central da discussão está na forma como o Banco Central interpreta a atuação dos fundos de investimento nessas operações. Segundo informações compartilhadas com o Cointelegraph Brasil, a autarquia entende que alguns fundos não apenas compram e vendem criptoativos para suas próprias carteiras, mas exercem uma atividade de intermediação.

Esse enquadramento muda o tratamento regulatório da operação. Para o BC, quando o fundo atua como intermediário na compra e venda de ativos virtuais, a estrutura deixa de representar apenas uma alocação de carteira e passa a se aproximar de uma prestação de serviço no mercado cripto (PDSVA).

A avaliação ouvida pela reportagem afirma que o mercado defende uma interpretação diferente. Nesse entendimento, os fundos não prestam serviço a terceiros e não atuam como intermediários. Eles apenas executam operações por conta própria, dentro de suas estratégias de investimento e conforme a política definida em regulamento.

“Na minha visão, a discussão não deve ser tratada a partir de uma presunção genérica de irregularidade dos fundos com exposição a ativos virtuais. Fundos de investimento são veículos regulados, sujeitos à supervisão da CVM, e podem desempenhar papel legítimo na organização de exposição econômica a criptoativos, inclusive contribuindo para a liquidez do mercado nacional.

É importante verificar qual função o fundo exerce na estrutura concreta. Se o fundo atua em nome próprio, com recursos da carteira, assumindo risco de mercado, dentro de sua política de investimento e sem executar ordens individualizadas de clientes finais, não me parece adequado presumir, automaticamente, intermediação irregular de ativos virtuais.

A preocupação regulatória é legítima quando há indícios de desvirtuamento da estrutura ; por exemplo, quando o fundo deixa de atuar por conta própria e passa a funcionar, na prática, como canal operacional para atendimento de demandas individualizadas de terceiros na compra, venda ou conversão de criptoativos. Mas essa conclusão exige análise concreta, proporcional e baseada em risco, e não uma vedação abstrata à utilização de fundos nesse mercado.”, disse Thiago do Amaral Santos, sócio do Barcellos Tucunduva - Advogados nas áreas de meios de pagamento e criptoativos. Professor da pós-graduação em Direito da FGV/SP e do Insper.

Outro ponto citado na discussão envolve a natureza jurídica dos fundos. O argumento atribuído ao BC parte da ideia de que o fundo não tem personalidade jurídica própria, já que a legislação brasileira trata o veículo como uma comunhão de recursos organizada sob a forma de condomínio de natureza especial.

Com isso, a autarquia questiona se um fundo poderia atuar como provedor de liquidez em operações de criptoativos. Segundo a interpretação relatada à reportagem, para exercer essa função de forma regular, a atividade deveria ocorrer por meio de uma pessoa jurídica, e não por um fundo despersonalizado.

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