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Escrito por Caio Jobim ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

Cripto Estatal: Governo do Ceará vai investir em infraestrutura para mineração de Bitcoin

Últimas NotíciasPublicadoJan 7, 2026

As operações serão conduzidas pela ETICE, empresa de tecnologia do estado que passa por uma reestruturação e investe em novos negócios para alcançar o primeiro ano superavitário de sua história.

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Resumo da notícia:

  • O Governo do Ceará, por meio da estatal ETICE, investirá em infraestrutura para mineração de Bitcoin e inteligência artificial a partir de 2026.
  • A iniciativa utiliza os mais de 6 mil km do Cinturão Digital cearense para atrair negócios privados e reverter os déficits recorrentes da empreda.
  • O Ceará se consolida como um hub global de processamento de dados de alta performance.

A Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (ETICE) incluiu a mineração de criptomoedas entre suas prioridades estratégicas para o ano de 2026.

Sob nova gestão, a ETICE — que possui natureza jurídica de sociedade anônima, mas é uma empresa integralmente controlada pelo governo do estado — busca diversificar sua atuação no mercado de telecomunicações e tecnologias emergentes.

A iniciativa faz parte dos planos do governo de diversificar os modelos de negócios baseados na economia digital no Ceará, que já é considerado um polo internacional de data centers.

O planejamento estratégico da ETICE para 2026 une a mineração de criptomoedas a outras duas verticais tecnológicas: o processamento de dados para sistemas de inteligência artificial (IA) e a expansão de data centers.

Segundo o presidente da empresa, Hugo Figueirêdo, essas novas frentes de negócios estão alinhadas a tendências mundiais. Figueirêdo ressalta que a infraestrutura necessária para minerar Bitcoin (BTC) é tecnicamente similar à exigida para sistemas de IA — ambas demandam alta capacidade de processamento e sequenciamento de dados.

Para viabilizar essas operações, a ETICE pretende utilizar o seu principal ativo: o Cinturão Digital, uma rede de fibra óptica com mais de 6 mil quilômetros de extensão.

A expectativa é de que os novos negócios gerem contratos com empresas privadas na ordem de milhões de reais, estimou Figueirêdo em entrevista ao jornal O POVO:

“Vamos avaliar com cada cliente, porque tudo parte da necessidade do cliente. Em paralelo, vamos verificar o que a própria ETICE pode fazer via IA.”

Investimentos em infraestrutura para mineração de criptomoedas e IA visam tornar a empresa superavitária

A ETICE é uma sociedade anônima de capital fechado, vinculada à Casa Civil, com a finalidade de prover soluções de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para o setor público e privado.

Atualmente, a empresa atende a diversas secretarias estaduais e órgãos como o Tribunal de Justiça e o Ministério Público, prestando serviços que vão desde o reconhecimento facial na Arena Castelão até armazenamento em nuvem para outros estados, como o Maranhão.

Em 2025, o faturamento da ETICE girou em torno de R$ 500 milhões. No entanto, a empresa precisou recorrer a um aporte de R$ 50 milhões do governo para cobrir um déficit estimado em R$ 10 milhões.

Para reverter o prejuízo operacional, a empresa passa por uma reestruturação administrativa e financeira. A captação de negócios privados nas novas verticais de negócios tem como objetivo tornar a estatal autossustentável e capaz de distribuir dividendos a partir de 2026.

Ao oferecer infraestrutura de baixa latência para mineração de criptomoedas e IA, o Ceará tenta atrair a cadeia produtiva completa desses setores para o estado, aproveitando a localização geográfica privilegiada e a capilaridade de sua rede de fibra óptica.

Figueirêdo destaca que a estatal já possui parcerias internacionais, incluindo um acordo de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que prevê aportes totais de R$ 30 milhões até 2027.

A iniciativa do governo do Ceará está alinhada às políticas do governo federal de reforçar a soberania digital do país e buscar novas fontes de receita através da tecnologia.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, o Brasil tem atraído mineradoras de Bitcoin com isenções fiscais, energia renovável e brechas na legislação.

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