Resumo da notícia:
Oriente Médio traz ‘fantasma da inflação’ pela alta do petróleo e volta assustar o Bitcoin.
Comportamento da criptomoedas lembra o pós-Covid, mas BTC apresenta sinais de maturidade e resiliência diante do cenário atual.
“Colchão” de investidores de longo prazo está maior e absorve vendedores em pâinico.
MVRV indica que o BTC está sobrevendido e pode reverter a US$ 84 mil, mas ursos ainda tentam arrastar a criptomoeda para US$ 50 mil.
O segundo trimestre deve servir como uma espécie de “cabo de guerra” para o Bitcoin (BTC), colocando a criptomoeda entre US$ 50 mil e US$ 84 mil, cerca de 25% acima ou abaixo do nível atual.
De acordo com análise divulgada esta semana por Rony Szuste, chefe de pesquisa do Mercado Bitcoin (MB), a pressão vendedora do rei das criptomoedas está relacionada aos efeitos decorrentes do conflito no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo, já que o Estreito de Hormuz concentra cerca de 20% do fluxo mundial. Com menos oferta, os preços sobem, o que aumenta a inflação global.
Inflação mais alta tende a manter os juros elevados por mais tempo. Isso reduz a liquidez, ocasionando em menos dinheiro circulando e menor apetite por risco. Nesse ambiente, ativos como o Bitcoin costumam sofrer mais no curto prazo, explicou Szuster.
Por outro lado, o analista da exchange brasileira observou que grandes investidores seguem comprando Bitcoin, o que indica confiança e uma visão mais otimista no longo prazo, mesmo diante do cenário macro mais desafiador.
No fim, o mercado fica dividido entre essas duas forças: pressão macro no curto prazo e acumulação por players relevantes, que pode sustentar ou antecipar uma recuperação, acrescentou.
Passado assombra o Bitcoin
O analista lembrou que a ameaça atual da inflação e a possibilidade de arrocho nas taxas de juros do Federal Reserve (Fed) e outros bancos centrais, como resposta à alta dos preços, possuem características semelhantes ao que ocorreu entre o final de 2021 e início de 2022.

Naquela ocasião, o Fed impôs uma escalada em suas taxas de juros que atingiu em cheio o preço do Bitcoin e outros ativos associados ao risco, como resposta à escalada da inflação durante a Covid.
Se esse padrão continuar: A margem de US$ 60 mil aparece como suporte natural. E, em um cenário mais extremo, algo próximo de US$ 50 mil, considerou.
Por outro lado, o analista considerou sinais de resiliência do Bitcoin como possível diferencial em relação ao que ocorreu durante a pandemia, já que o BTC apresentou alta de 6,2%, enquanto o ouro registrou queda de 12,9% e o índice S&P 500 teve retração de 4,4% nos primeiros 20 dias dos bombardeis entre Estados Unidos/ Israel e Irã.
Enquanto o cenário global se tornou mais tenso, o Bitcoin seguiu o caminho oposto e subiu. Desde 13 de fevereiro, investidores de longo prazo acumularam mais de 192 mil BTC. Esse grupo não reage ao barulho, salientou o representante do MB.
ETFs e MVRV
Rony Szuste ressaltou que os fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) baseados em criptomoedas captaram líquidos US$ 2,58 bilhões no acumulado mensal de 24 de março, em meio ao “desconforto” com a guerra. Nesse caso, destacou o analista, o suporte oferecido pelo mercado se deve à existência de um “colchão maior” de investidores de longo prazo, capaz de absorver a venda em pânico.
O analista apontou ainda que o Bitcoin apresenta sinal de sobrevenda, de acordo com a métrica MVRV, que afere a relação entre Valor de Mercado (MV - Market Value) e Valor Realizado (RV - Realized Value). Em um comparativo com o que ocorreu no pós-Covid e entre 2017 e 2018, ele elencou o cenário otimista, em que o Bitcoin enfrentaria a resistência de US$ 84 mil, e um pessimista, cuja correção poderia esbarrar no suporte de US$ 50 mil.

Conforme noticiou o Cointelegraph, o Bitcoin corre risco de novas mínimas enquanto dólar dos EUA mira maior nível desde abril de 2025.

