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Escrito por Cassio Gussonstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

Aprovado pela CVM e Banco Central: Brasil vai ganhar nova bolsa de valores, mas ela não vai negociar criptomoedas

Últimas NotíciasPublicado7 de jan. de 2026

Base Exchange deve iniciar operações até 2027 com foco em ações, FIIs, BDRs e ETFs, deixando criptoativos fora da plataforma.

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Resumo da notícia

  • Brasil terá nova bolsa de valores até 2027, rompendo o monopólio da B3.
  • Base Exchange não negociará criptomoedas na fase inicial, focando no mercado tradicional.
  • Tecnologia própria e clearing independente prometem reduzir custos e aumentar a concorrência.

O Brasil vai ganhar uma nova bolsa de valores em 2027, a Base Exchange, controlada pelo fundo soberano Mubadala. A empresa pretende romper o monopólio da B3 e iniciar operações até o começo do próximo ano, no entanto, ao contrário da B3, ela não pretende negociar criptomoedas e nem ETFs de cripto.

Criptomoedas são ativos com fundamentos econômicos diversos, apetites distintos, e que concorrem com os ativos da bolsa na alocação de capital. (...) Pode ser que no futuro a infraestrutura relacionada a cripto, blockchain, venha a ser usada, principalmente para a parte de depositária”, disse o CEO da Base Exchange, Claudio Pracownik, em entrevisa ao Estadão/Broadcast

A nova bolsa surge após um período de avaliações técnicas conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já concluiu todos os testes preliminares. Agora, o processo depende do Banco Central, responsável pela autorização final da clearing, estrutura que garantirá a compensação e liquidação de todas as operações.

Pracownik afirma que a Base adota uma abordagem gradual porque nenhuma corretora pode se integrar à plataforma antes da aprovação completa, e as companhias abertas só podem levar propostas aos conselhos depois do aval formal dos reguladores. Essa dinâmica cria um cronograma conservador, mas necessário para uma infraestrutura desse porte. Assim, o primeiro pregão pode ocorrer no fim de 2026 ou no início de 2027.

A Base aposta em um modelo diferente do praticado no país. A empresa opera com estrutura enxuta, tecnologia proprietária e sistemas totalmente em nuvem, o que reduz custos operacionais e aumenta a eficiência. Pracownik destaca que a plataforma promete tarifas mais justas, além de chamadas de margem mais racionais e liberação rápida de garantias, pontos que costumam elevar o custo total das operações na B3.

Nova bolsa de valores no Brasil

Experiências internacionais reforçam a estratégia. Em mercados onde uma segunda bolsa se instalou, houve aumento de até 25% do volume de negociação nos anos seguintes. Ao mesmo tempo, o custo implícito das operações caiu entre 25% e 30%, criando um ambiente mais competitivo e eficiente para investidores e empresas.

No entanto, a decisão de não incluir criptomoedas na fase inicial chama atenção. Pracownik explica que os criptoativos possuem fundamentos econômicos diferentes, níveis distintos de risco e comportamento que não se alinham ao propósito central da Base. Além disso, esses ativos competem com ações e outros instrumentos tradicionais na alocação de capital dos investidores. Ainda assim, ele reconhece que tecnologias derivadas do setor digital, como a blockchain, podem ser incorporadas futuramente, principalmente na área de depositária.

A agenda regulatória segue como um dos principais desafios para a entrada da nova bolsa. A clearing própria exige exigências técnicas do Banco Central, considerado por Pracownik um processo natural para garantir segurança e padronização. O BC deve produzir uma norma após consulta pública sobre ciclos de liquidação, que pode permitir operações mais eficientes no mercado brasileiro. A Base afirma já estar preparada para operar com liquidação em D+1, caso esse novo prazo seja aprovado.

O que a Base vai negociar?

A empresa começará com ações à vista, aluguel de ações, cotas de FIIs, ETFs e BDRs. Produtos mais complexos, como derivativos e futuros, devem ser lançados apenas depois, porque acelerar essa etapa poderia atrasar o processo de autorização. A estratégia é inaugurar a operação com um conjunto sólido de instrumentos e expandir gradualmente.

Pracownik acredita que o Brasil pode viver um momento mais favorável para ofertas públicas a partir do segundo semestre de 2026, caso o mercado reaja positivamente ao resultado da eleição presidencial. Um ambiente político mais estável tende a estimular empresas a buscar capital. A Base, nesse sentido, entraria no momento em que investidores demonstram maior apetite por risco.

A entrada de novos competidores também faz parte da transformação do setor. A CSD BR tem planos de lançar outra bolsa no horizonte de três anos, o que reforça a percepção de que o país começa a abrir espaço para um sistema mais competitivo. Para Pracownik, o movimento é positivo, desde que os novos participantes ofereçam qualidade. Ele destaca ainda que outras bolsas poderão utilizar a clearing da Base, caso desejem acelerar sua entrada no mercado.

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