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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Estudo diz que 1 em cada 5 trabalhadores já recebeu salário em criptomoedas

Pesquisa inédita com 1.004 funcionários revela que o pagamento em ativos digitais deixou de ser tendência e já é realidade no mercado de trabalho

Estudo diz que 1 em cada 5 trabalhadores já recebeu salário em criptomoedas
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Um levantamento realizado pela Oobit com 1.004 trabalhadores em regime integral nos Estados Unidos mostra que 20% deles já receberam algum tipo de pagamento em criptomoedas e, entre esse grupo, 78% afirmaram ter ficado satisfeitos com a experiência.

O dado reforça um movimento que cresce silenciosamente dentro do mercado de trabalho global, impulsionado principalmente pela popularização das stablecoins, pela digitalização dos meios de pagamento e pela busca de trabalhadores mais jovens por alternativas ao sistema financeiro tradicional.

O estudo revela que o interesse dos funcionários avança em ritmo mais acelerado que a adoção das empresas. Embora apenas 7% dos empregadores ofereçam oficialmente algum modelo de remuneração em ativos digitais, 43% dos entrevistados afirmaram que gostariam de receber ao menos uma parcela do salário em criptomoedas.

A pesquisa também mostra que a demanda cresce especialmente entre profissionais mais conectados ao mercado digital. Millennials e integrantes da Geração Z lideram o interesse por salários em criptomoedas, com índices de adesão de 45% e 46%, respectivamente.

Mas o movimento já ultrapassa o público tradicionalmente associado ao setor. Entre profissionais da Geração X, 35% afirmaram considerar a possibilidade, indicando que a discussão sobre folha de pagamento em ativos digitais começa a ganhar tração fora da bolha cripto.

Receber salário com criptomoedas

Para Eduardo Prota, General Manager Brazil e Head of Latam da Oobit, a adoção desse modelo já acontece na prática, principalmente em trabalhos freelancers, pagamentos internacionais e atividades paralelas.

Segundo ele, a próxima etapa do mercado dependerá menos da tecnologia em si e mais da capacidade das plataformas de simplificar a experiência para usuários comuns. “Os funcionários querem simplicidade, flexibilidade e estabilidade. Ferramentas com conversão instantânea, acesso a stablecoins e transparência operacional podem acelerar essa adoção”, afirmou.

O levantamento indica ainda que existe disposição financeira concreta por parte dos trabalhadores interessados nesse modelo. Cerca de 32% afirmaram que participariam imediatamente de um programa de remuneração em criptomoedas caso a empresa disponibilizasse essa opção.

Outros 11% disseram que aceitariam até mesmo uma redução salarial de até 5% para receber parte da remuneração em ativos digitais. Entre usuários que já operam criptomoedas com frequência, especialmente traders ativos, esse percentual sobe para 26%.

Quando questionados sobre a divisão ideal da remuneração, os entrevistados apontaram preferência por um modelo híbrido. Em média, os trabalhadores interessados gostariam de receber 27% do salário em criptomoedas e manter os outros 73% em moeda fiduciária tradicional.

O Bitcoin aparece como o ativo preferido para esse tipo de pagamento, citado por 46% dos participantes. Stablecoins aparecem logo atrás, com 11%, reforçando a percepção crescente de que moedas digitais pareadas ao dólar podem desempenhar papel central na expansão dos pagamentos corporativos em blockchain.

Salário em Bitcoin no Brasil

No Brasil, recentemente, o deputado federal Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PL-SP) encaminhou à Mesa Diretora da Câmara um projeto de lei para regulamentar o pagamento de salários, remunerações e benefícios trabalhistas por meio de “ativos virtuais.”

Nos termos da Lei nº 14.478/2022, que regula as criptomoedas no Brasil, ativos virtuais são representações digitais de valor que podem ser negociados ou transferidos por meios eletrônicos e utilizados para a realização de pagamentos ou com propósitos de investimento. Assim, se aprovada, a proposta do deputado Orleans e Bragança liberaria o pagamento de salários em Bitcoin, stablecoins e outras criptomoedas.

Encaminhado para análise no Congresso Nacional o Projeto de Lei 957/2025 permite que empregados recebam remuneração parcial em ativos virtuais, mediante acordos individuais firmados em contrato com os empregadores, desde que no mínimo 50% do salário seja pago em moeda corrente nacional.

O PL também estabelece diretrizes claras para a implementação do pagamento de salários em ativos virtuais, incluindo a necessidade de conversão oficial dos valores com base na cotação de entidades autorizadas pelo Banco Central (BC), a garantia da irredutibilidade salarial e a oferta de programas de educação financeira para os empregados que optarem por receber parte do salário em criptoativos.

É expressamente vedado o pagamento integral de salários em ativos virtuais, exceto para trabalhadores expatriados ou prestadores de serviço autônomos. Os encargos trabalhistas e tributários incidentes sobre a remuneração deverão ser recolhidos com base no valor total do salário em reais.

O deputado argumenta que o limite máximo de 50% para remuneração com ativos virtuais garante um equilíbrio entre a flexibilização das formas de pagamento e a estabilidade financeira dos trabalhadores. Com ao menos 50% do salário pago em reais, os trabalhadores preservam a capacidade de arcar com suas despesas essenciais.

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