Cointelegraph
Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

'Fantasiado de banco': Exchanges de criptomoedas não são mais apenas um lugar para comprar cripto, diz relatório

Relatório da Drofa Comms mostra como exchanges de criptomoedas aceleram integração com bancos, IA e stablecoins para sobreviver até 2030.

'Fantasiado de banco': Exchanges de criptomoedas não são mais apenas um lugar para comprar cripto, diz relatório
Notícias

As corretoras centralizadas de criptomoedas entraram em uma nova fase de transformação estrutural em 2026, marcada pela aproximação acelerada com o sistema financeiro tradicional, avanço da inteligência artificial nas operações internas e crescente dependência regulatória para expansão global.

A conclusão aparece em um relatório elaborado pela consultoria Drofa Comms, que avaliou a estratégia de grandes exchanges como Coinbase, Binance, Kraken, OKX, Bitget, KuCoin e Bitunix. O estudo afirma que o setor deixou de competir apenas por volume de negociação e agora disputa relevância em pagamentos, infraestrutura institucional e serviços financeiros integrados.

Segundo o relatório, o mercado passa por uma mudança importante de perfil. Embora o volume combinado de negociações spot e derivativos tenha recuado para US$ 5,61 trilhões em fevereiro de 2026, praticamente metade do pico histórico registrado em dezembro de 2024, a participação institucional continua crescendo.

Os contratos futuros de criptomoedas negociados na CME, por exemplo, registraram aumento anual de 47% no início deste ano. Para os autores do estudo, isso demonstra que investidores institucionais seguem avançando no setor mesmo em um ambiente de menor atividade do varejo.

Forças que estão mudando o setor

O documento aponta quatro forças principais moldando a nova configuração das exchanges. A primeira delas é a convergência entre criptomoedas e finanças tradicionais. Exchanges que antes operavam apenas como plataformas de negociação passaram a oferecer produtos ligados a ações tokenizadas, derivativos tradicionais, stablecoins e serviços de liquidação semelhantes aos do sistema bancário.

A Bitget aparece como um dos casos mais emblemáticos desse movimento após integrar ativos tradicionais e produtos ligados ao mercado financeiro convencional dentro da mesma plataforma.

A Kraken também seguiu esse caminho ao adquirir a NinjaTrader por US$ 1,5 bilhão em 2025, incorporando licenças regulatórias americanas e acesso direto a milhões de operadores de futuros tradicionais.

Para a Drofa Comms, o setor caminha rapidamente para um modelo híbrido em que a distinção entre corretora cripto e plataforma financeira tradicional tende a desaparecer gradualmente.

O relatório afirma ainda que as stablecoins deixaram de ser apenas instrumentos de negociação para assumir funções ligadas a pagamentos internacionais, tesouraria corporativa e liquidação financeira. Dados citados pela pesquisa mostram que o mercado global já possui mais de 250 stablecoins em circulação, com valor de mercado superior a US$ 300 bilhões. Empresas como Stripe e Visa já utilizam infraestrutura baseada nesses ativos para transferências internacionais e liquidações financeiras em larga escala.

Esse avanço força exchanges a ampliarem integrações bancárias, infraestrutura de depósitos e sistemas de entrada e saída de recursos fiduciários.

Segundo o estudo, plataformas que não conseguirem incorporar stablecoins como parte estrutural de seus serviços poderão perder competitividade até o fim da década.

Inteligência artificial

Outro ponto central do relatório envolve o uso de inteligência artificial. A pesquisa destaca que a IA deixou de funcionar apenas como narrativa de marketing e passou a integrar áreas críticas das exchanges, incluindo detecção de fraudes, monitoramento de lavagem de dinheiro, atendimento automatizado e execução de ordens.

O documento lembra que perdas ligadas a golpes e ataques no setor ultrapassaram US$ 3,4 bilhões em 2025, enquanto multas relacionadas a falhas de compliance superaram US$ 927 milhões apenas no primeiro semestre daquele ano.

Na visão da consultoria, exchanges passaram a enxergar IA como ferramenta operacional indispensável para reduzir custos, melhorar eficiência regulatória e aumentar velocidade de resposta diante de atividades suspeitas.

O estudo cita que instituições financeiras tradicionais já registraram melhora superior a 20% em qualidade de execução após adoção de modelos baseados em aprendizado de máquina, tendência que começa a migrar para o setor cripto.

A regulamentação aparece como outro fator decisivo para o futuro das plataformas. O relatório destaca que licenças regulatórias deixaram de ser apenas uma obrigação jurídica e se transformaram em ativos comerciais importantes para expansão internacional, acesso bancário e atração de investidores institucionais.

Nos Estados Unidos, a aprovação do GENIUS Act e do CLARITY Act em 2025 ajudou a acelerar esse processo, enquanto Europa, Reino Unido e Hong Kong avançaram em estruturas próprias de supervisão para ativos digitais.

Com base nessas transformações, a Drofa Comms divide o mercado em três modelos estratégicos principais para os próximos anos. O primeiro reúne plataformas focadas em infraestrutura institucional, como Binance, Kraken e OKX, priorizando custódia, segregação de ativos e serviços regulados.

O segundo inclui exchanges especializadas em nichos regionais ou perfis específicos de usuários, caso da Bitunix na América Latina e Sudeste Asiático. O terceiro grupo envolve plataformas que buscam atuar como “super apps financeiros”, incorporando pagamentos, stablecoins e serviços financeiros além da negociação de criptomoedas.

Para o relatório, exchanges genéricas e sem posicionamento claro tendem a perder espaço até 2030. O estudo conclui que o mercado deve se consolidar em torno de empresas capazes de combinar regulação, eficiência operacional, infraestrutura financeira e integração tecnológica em escala global.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy