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Escrito por Cassio Gusson ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

6 analistas avaliam para onde vai o preço do Bitcoin e quais criptomoedas observar em junho

Últimas NotíciasPublicadoMay 31, 2026

Entre sinais contraditórios da economia global e avanços tecnológicos no setor cripto, analistas avaliam os próximos passos do Bitcoin e apontam as altcoins com maior potencial para atrair fluxo institucional em junho.

O Bitcoin entra em junho cercado por um cenário incomum. Enquanto as bolsas americanas renovam máximas históricas e os investidores demonstram apetite crescente por risco, a maior criptomoeda do mundo continua encontrando dificuldades para recuperar sua força estrutural.

A combinação entre incertezas macroeconômicas, tensões geopolíticas, movimentações institucionais e fatores técnicos cria um ambiente de elevada volatilidade, levando analistas a monitorar atentamente os próximos movimentos do ativo.

A principal dúvida agora é se o Bitcoin está formando um fundo para retomar a trajetória de alta ou apenas preparando uma nova etapa de correção?

Marco Aurélio, CIO da Vault Capital, disse ao Cointelegrpah Brasil que a estrutura técnica continua apontando para fragilidade. O analista lembra que o cenário projetado em meados de maio praticamente se confirmou nas últimas semanas.

Segundo ele, o mercado já completou cerca de 80% do movimento esperado, com o Bitcoin alcançando a importante região dos US$ 72 mil após perder sucessivamente níveis relevantes de suporte.

De acordo com sua análise, o comportamento do preço nas próximas sessões será determinante. Caso o ativo consiga recuperar a região próxima de US$ 75 mil, poderá ocorrer um alívio temporário da pressão vendedora.

No entanto, ele avalia que o movimento estrutural ainda favorece novas quedas em direção ao intervalo entre US$ 65 mil e US$ 68 mil. Apesar disso, Marco Aurélio observa sinais de exaustão dos vendedores nos gráficos de quatro horas, o que abre espaço para uma recuperação de curto prazo antes da definição da tendência principal.


Bitcoin vai chegar em US$ 80 mil?

André Franco também conversou com o Cointelegraph Brasil e compartilhou que segue uma linha semelhante, embora com uma leitura mais ampla sobre o contexto macroeconômico. Segundo ele, a perda da faixa dos US$ 75 mil representou uma mudança significativa na estrutura técnica construída desde abril, quando o Bitcoin iniciou uma recuperação a partir dos US$ 65 mil.

Para o analista, a incapacidade de recuperar rapidamente a região entre US$ 75 mil e US$ 78 mil aumenta consideravelmente a probabilidade de uma continuação da correção.

O ponto que mais chama a atenção, segundo Franco, é a divergência entre o comportamento do Bitcoin e dos mercados tradicionais. Enquanto índices como S&P 500, Nasdaq e Russell 2000 operam próximos de máximas históricas, o ativo digital permanece incapaz de construir uma retomada consistente. Nem mesmo a redução das tensões no Oriente Médio e o recuo dos preços do petróleo foram suficientes para restaurar o apetite comprador.

Na avaliação do analista, o mercado ainda não invalidou a estrutura de baixa iniciada no último trimestre de 2025. Por isso, ele mantém uma postura cautelosa e afirma que apenas uma recuperação acima de US$ 97 mil seria capaz de reverter tecnicamente a sequência de topos e fundos descendentes observada nos últimos meses. Até que isso aconteça, a prioridade deve permanecer em ativos com fundamentos sólidos e maior capacidade de resistir a períodos de turbulência.

Ambiente macroeconômico

Segundo Lasso Lago, fundador da Financial Move, os últimos indicadores econômicos dos Estados Unidos criaram um cenário particularmente complexo para o Federal Reserve. O PIB americano do primeiro trimestre apresentou crescimento de apenas 0,6%, abaixo da expectativa de 2%, enquanto a inflação anual continua próxima de 3,8%, muito acima da meta oficial de 2%.

Assim, os dois indicadores apontam para direções opostas. Uma economia mais fraca normalmente justificaria cortes de juros para estimular o crescimento. Por outro lado, a inflação elevada exige uma postura mais restritiva por parte do banco central.

Para Lago, a divulgação recente do Core PCE trouxe um sinal levemente positivo para os mercados. O indicador, considerado uma das métricas preferidas do Fed para monitorar a inflação, avançou 0,2%, abaixo da expectativa de 0,3%. O resultado surpreendeu investidores que esperavam impactos mais intensos da alta recente do petróleo.

Ainda assim, o analista alerta que as tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e o mercado global de energia continuam elevando os riscos para os próximos meses. Qualquer mudança relevante na trajetória dos juros americanos pode afetar diretamente o fluxo de capital para ativos de risco, incluindo Bitcoin e criptomoedas. Segundo ele, mesmo com expectativas de uma postura mais favorável aos mercados por parte da nova liderança do Fed, o ambiente ainda exige cautela.

Porém Julián Colombo, diretor sênior de Políticas Públicas e Estratégia para a América do Sul da Bitso, mostrou otimismo ao Cointelegraph Brasil. Segundo ele, a manutenção do suporte na região dos US$ 80 mil, mesmo em um ambiente geopolítico desafiador, demonstra a crescente maturidade do mercado.

Colombo destaca que os fluxos institucionais continuam sendo um dos principais pilares da atual estrutura de preços. A consolidação dos ETFs de Bitcoin transformou a dinâmica de demanda do ativo, reduzindo a dependência de movimentos puramente especulativos que marcaram ciclos anteriores.

Na avaliação do executivo, o Bitcoin seguirá sendo o principal direcionador do mercado em junho, reagindo diretamente às decisões macroeconômicas globais, mas mantendo sua relevância como reserva digital de valor no longo prazo.

Regulamentações nos EUA

Outro fator que pode alterar significativamente o cenário do mercado nos próximos meses vem da política americana.

O setor acompanha atentamente o avanço do chamado CLARITY Act, considerado o projeto de regulação mais importante para a indústria de ativos digitais nos Estados Unidos. A proposta avançou no Senado após aprovação em comissão e agora aguarda votação em plenário.

Caso o texto seja aprovado antes do recesso legislativo de agosto, especialistas acreditam que o impacto poderá ser profundo. O projeto prevê classificar a maior parte das criptomoedas como commodities, e não como valores mobiliários. Na prática, isso facilitaria a entrada de bancos, fundos de investimento e grandes instituições financeiras em dezenas de ativos digitais atualmente cercados por incertezas regulatórias.

Se a votação for adiada para depois de agosto, porém, o cenário muda. O calendário político das eleições legislativas americanas pode reduzir significativamente as chances de aprovação da proposta ainda em 2026.

Qual criptomoeda para prestar atenção em junho?

Diante deste cenário, as altcoins também ganham terreno na carteira e na atenção dos investidores. Para Julián Colombo, diretor sênior de Políticas Públicas e Estratégia para a América do Sul da Bitso, o ETH continua ocupando uma posição estratégica dentro da indústria por servir como principal infraestrutura para stablecoins, aplicações de finanças descentralizadas (DeFi) e projetos de tokenização de ativos.

Segundo ele, praticamente toda a expansão institucional observada no setor passa, direta ou indiretamente, pela rede Ethereum. Isso inclui desde iniciativas bancárias até projetos ligados à digitalização de títulos financeiros, fundos de investimento e ativos do mundo real.

Mas não são apenas os fundamentos que chamam atenção. Matias Part, analista da Bitget, disse ao Cointelegraph Brasil acreditar que junho pode marcar uma mudança estrutural na narrativa do Ethereum. O motivo é a ativação do upgrade Glamsterdam, implementado no final de maio.

Os primeiros números impressionaram o mercado. A rede registrou 2,9 milhões de transações diárias na camada principal, superando o recorde histórico alcançado durante o ciclo de alta de 2021. Ao mesmo tempo, as taxas pagas pelos usuários caíram cerca de 78%.

Segundo Part, esse avanço representa algo que o mercado aguardava há anos: a capacidade de escalar a própria camada principal da blockchain, sem depender exclusivamente das soluções de segunda camada.

Caso os indicadores continuem positivos ao longo das próximas semanas, o Ethereum poderá reforçar ainda mais sua posição como principal infraestrutura financeira do universo blockchain.

Solana quer transformar velocidade em vantagem

Além do Ethereum, para Julián Colombo, a crescente adoção de stablecoins e meios de pagamento digitais cria um ambiente especialmente favorável para blockchains de alta performance, como a Solana

Segundo ele, a Solana está posicionada exatamente nesse segmento, oferecendo uma combinação de velocidade, escalabilidade e baixo custo operacional que pode se tornar cada vez mais relevante à medida que cresce a demanda por aplicações financeiras voltadas ao consumidor final.

Matias Part também acredita na Solana e aponta dois catalisadores específicos para junho. O primeiro é o upgrade Alpenglow, atualmente em fase de testes. A atualização promete reduzir o tempo de finalização das transações para apenas 150 milissegundos. Hoje, esse processo leva cerca de 12 segundos.

Caso a implementação na rede principal ocorra conforme previsto para o terceiro trimestre, a Solana poderá alcançar um nível de velocidade sem precedentes entre as principais blockchains públicas.

O segundo catalisador envolve o mercado tradicional. No dia 29 de junho, a Forward Industries, empresa listada em bolsa que possui aproximadamente US$ 588 milhões em reservas de SOL, passará a integrar os índices Russell 2000 e Russell 3000.

Essa inclusão obrigará diversos fundos passivos a adquirirem exposição indireta ao ativo, ampliando sua visibilidade entre investidores institucionais.

Chainlink e Avalanche

Julián Colombo, também está otimistas com a Chainlink, argumentando que a próxima fase do mercado exigirá sistemas capazes de conectar ativos digitais a dados financeiros, informações de mercado, eventos corporativos e registros externos.

À medida que instituições financeiras aumentam sua presença no setor, cresce também a necessidade de soluções capazes de garantir interoperabilidade entre diferentes blockchains e sistemas legados. E é justamente essa função que o protocolo desempenha.

Não por acaso, ele argumenta que projetos ligados ao Drex, iniciativas da Visa, experimentos de tokenização bancária e diversas soluções corporativas já utilizam tecnologias associadas ao ecossistema Chainlink.

Outra blockchain que aparece frequentemente nas recomendações para junho é a Avalanche.

Segundo Julián Colombo, esse posicionamento pode se tornar um diferencial importante justamente em um momento em que regulação, conformidade e governança ganham protagonismo.

A principal aposta da rede está em sua arquitetura de subnets, que permite criar ambientes personalizados para diferentes tipos de aplicação.

Hyperliquid e Injective

Se Ethereum representa a infraestrutura e Solana simboliza velocidade, a Hyperliquid se transformou na principal história de crescimento do mercado neste ano. Para André Franco, o HYPE continua sendo o destaque relativo do mercado mesmo durante períodos de fraqueza generalizada.

Segundo ele, o protocolo possui uma característica rara: consegue gerar receita independentemente da direção dos preços. Enquanto houver volatilidade, investidores continuarão negociando ativos. E isso mantém o fluxo econômico dentro da plataforma.

Matias Part destaca que o token HYPE atingiu uma nova máxima histórica acima de US$ 64 no final de maio. Segundo ele, dois fatores explicam esse desempenho. O primeiro foi a forte demanda pelos ETFs spot ligados ao ativo, que absorveram 1,04% de todo o valor de mercado do token em apenas dez dias.

O segundo foi a implementação do upgrade HIP-4, responsável por introduzir mercados de previsão liquidados diretamente pelos validadores da rede. Além disso, a plataforma já ultrapassou US$ 2,7 trilhões em volume acumulado e alcançou mais de US$ 1,8 bilhão em valor total bloqueado (TVL).

Existe apenas um ponto de atenção para junho. No dia 6, ocorre um desbloqueio programado de tokens destinados aos principais colaboradores do projeto. Dependendo do comportamento desses investidores, o evento pode gerar pressão vendedora temporária.

Matias Part, da Bitget, também acredita no potencial da Injective (INJ), lLayer 1 focada em derivativos descentralizados e tokenização de ativos reais. Subiu 48% no último mês e 7,8% na semana. Todo o supply já está em circulação, o que elimina o risco de diluição que afeta a maioria das altcoins.

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