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Escrito por Caio Jobimstaff writerRevisado por Lucas Caramstaff editor

₿itUSP: Maior universidade pública do Brasil, USP avalia lançamento de moeda digital própria

Últimas NotíciasPublicadoDec 16, 2025

Professores do departamento de economia propõem adoção de moeda digital lastreada em créditos orçamentários para tornar mais eficiente a gestão de recursos da maior universidade pública do Brasil.

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Resumo da notícia:

  • Moeda digital lastreada em créditos orçamentários visa modernizar a gestão administrativa e aumentar a transparência nas transações internas da USP.
  • ₿itUSP não busca operar como ativo financeiro, mas como uma ferramenta de gestão pública.
  • O token funcionaria como instrumento de registro e mensuração de transações entre unidades e órgãos administrativos da universidade.

Três professores da Universidade de São Paulo (USP) apresentaram uma proposta de adoção de uma moeda digital institucional lastreada em créditos orçamentários públicos. O token, denominado ₿itUSP, funcionaria como um instrumento de registro e mensuração de transações internas entre unidades, laboratórios, hospitais, bibliotecas e órgãos administrativos da universidade.

O projeto formulado por pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP tem como objetivo tornar mais eficiente a gestão de recursos e fomentar o engajamento da comunidade universitária.

“A experiência acumulada pelo professor Amaury, um dos autores deste artigo, à frente da Diretoria de Administração da Coordenadoria de Administração Geral da USP, evidenciou a ausência de métricas capazes de capturar, de forma padronizada e objetiva, a qualidade do gasto público, a produtividade das unidades e o valor gerado pelos inúmeros serviços que sustentam o cotidiano da Universidade”, afirmam os autores em um artigo publicado no Jornal da USP.

Apesar da implementação de sistemas como o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), a administração da USP ainda utiliza modelos que não privilegiam a otimização de resultados, resultando em fluxos redundantes, tempos de processamento elevados e fragmentação informacional, destacam os autores:

“A USP opera um ecossistema complexo, multicultural e multifuncional, mas dispõe de instrumentos limitados para quantificar, reconhecer e comparar as entregas efetivamente realizadas por suas unidades.”

A proposta congrega estudos acadêmicos sobre inovação pública com a lógica contábil de créditos e débitos, inspirada em tecnologias de registro distribuído (DLTs) e sistemas financeiros digitais, como o Pix.

“Um mecanismo interno de circulação digital de valor poderia reduzir fricções, qualificar decisões orçamentárias e ampliar a transparência das trocas operacionais”, afirmam os autores.

Os idealizadores ressaltam que a moeda digital tem propósito diferente de criptomoedas como Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) ou stablecoins:

“A Moeda Digital da USP não tem natureza especulativa e não busca operar como ativo financeiro. Ela também não se confunde com moedas digitais de Bancos Centrais, cujo foco é o sistema financeiro nacional e não a gestão universitária.”

Moeda digital baseia-se na tokenização de créditos orçamentários

A moeda digital foi projetada para cumprir três funções específicas: gerencial, permitindo visualizar custos e volumes de serviços internos; de incentivo, vinculando créditos a metas institucionais e campanhas internas; e simbólica, fortalecendo o pertencimento à comunidade universitária.

De acordo com a proposta, cada unidade da moeda digital seria lastreada em créditos orçamentários já aprovados. Tecnicamente, a emissão da moeda digital baseia-se na tokenização desses créditos:

“O funcionamento da Moeda Digital da USP parte de uma premissa simples: transformar parte dos créditos orçamentários já existentes em uma unidade digital padronizada, capaz de registrar as transações internas da Universidade de maneira mais estruturada.”

A moeda digital geraria débitos para quem utiliza determinados serviços e créditos para as unidades e servidores que os prestam. Os dados resultantes dessas operações poderiam ser utilizados como ferramenta de gestão para analisar tendências, comparar unidades e identificar áreas que necessitam de reforços ou ajustes operacionais, defendem os autores:

“A moeda possibilita registrar, em um formato padronizado, o volume de serviços oferecidos por laboratórios, centros de saúde, museus, bibliotecas e demais estruturas universitárias. Ao consolidar esses dados de maneira contínua, a Universidade passa a dispor de séries históricas que facilitam o planejamento orçamentário, a avaliação de eficiência e a alocação de recursos entre unidades.”

Segundo os autores, estudos sobre créditos digitais em instituições de ensino indicam que esse mecanismo estimula o engajamento dos estudantes na comunidade universitária e amplia a participação em atividades extracurriculares:

“Ao receber créditos periódicos, docentes, discentes e servidores podem utilizá-los em serviços culturais, acadêmicos e de bem-estar disponíveis na Universidade, como museus, atividades formativas, clínicas e oficinas.”

A governança da moeda digital ficaria a cargo de um colegiado que reúne as diferentes unidades da USP, com regras pré-definidas sobre emissão, registro e casos de uso. O sistema também seria submetido a auditorias independentes e à fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

A moeda digital da USP está alinhada a tendências internacionais de inovação no ensino superior e modernização da administração pública. Segundo os autores, em última instância, a iniciativa contribui para orientar a gestão da universidade às necessidades da sociedade.

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