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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Usuário usa secador de cabelo para fraudar o Polymarket e lucrar mais de US$ 35 mil

Manipulação física de sensor meteorológico em Paris expõe fragilidade estrutural dos “oráculos” que alimentam mercados preditivos baseados em blockchain.

Usuário usa secador de cabelo para fraudar o Polymarket e lucrar mais de US$ 35 mil
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Um episódio inusitado, e ao mesmo tempo preocupante, colocou em xeque a confiabilidade dos mercados preditivos. Um usuário conseguiu manipular apostas de temperatura em Paris na plataforma Polymarket e lucrou mais de US$ 35 mil. A suspeita é que o usuário tenha utilizado um simples secador de cabelo para alterar a leitura de um sensor meteorológico.

O caso ocorreu nas proximidades do aeroporto Aeroporto Charles de Gaulle, onde um dos sensores da agência Météo-France registrou picos anômalos de temperatura em dois momentos distintos de abril. Essas leituras, consideradas fora do padrão por especialistas, coincidiram diretamente com apostas vencedoras na plataforma.

Interessante notar que o sensor era usado como o unico óraculo do mercado preditivo e, portanto, como o usuário conseguiu manipular a medição do sensor, o mercado baseado nele também foi alterado.

Segundo dados analisados por autoridades francesas, no dia 6 de abril a temperatura medida pelo sensor subiu cerca de 4°C em apenas 12 minutos, ultrapassando a marca de 22°C — um cenário improvável, já que o consenso meteorológico indicava algo próximo de 18°C. Ainda assim, um usuário apostou de forma agressiva nesse resultado improvável e acabou faturando cerca de €30 mil (US$ 35 mil)

Dias depois, um novo episódio semelhante reforçou as suspeitas. Em 15 de abril, outro pico anormal foi registrado, novamente favorecendo apostas específicas. O padrão chamou atenção: movimentos rápidos, isolados e inconsistentes com outras estações meteorológicas da região.

Manipulação física expõe falha estrutural dos oráculos

A investigação conduzida pela Météo-France aponta para uma possível interferência direta no equipamento. O sensor utilizado pela Polymarket ficava em uma área de fácil acesso, praticamente desprotegida, próxima ao perímetro do aeroporto.

Relatos indicam que o operador pode ter utilizado uma fonte de calor portátil, possivelmente um secador de cabelo, para elevar artificialmente a temperatura registrada pelo sensor por alguns minutos. Esse curto intervalo foi suficiente para definir o “máximo do dia”, critério usado pela plataforma para liquidar as apostas.

Após o pico, a temperatura retornava rapidamente ao normal, o que reforça a hipótese de manipulação localizada e temporária. A precisão da operação sugere conhecimento prévio do funcionamento do sistema e das regras de liquidação do mercado.

Diante das evidências, a agência meteorológica francesa formalizou uma queixa junto à brigada de gendarmaria de transporte aéreo de Roissy, alegando “alteração no funcionamento de um sistema automatizado de processamento de dados”.

Apesar da suspeita de fraude, a Polymarket não anulou os contratos nem reverteu os ganhos obtidos. A plataforma apenas alterou sua fonte de dados, passando a utilizar um sensor localizado no aeroporto Paris-Le Bourget.

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