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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Câmara convoca Banco Central e Receita Federal para discutir lei das stablecoins no Brasil

Últimas NotíciasPublicado18 de jun. de 2026

Audiência pública aprovada na Comissão de Desenvolvimento Econômico vai reunir Banco Central, Receita Federal, Polícia Federal e representantes do setor para debater o PL 4.308/2024, que cria regras para emissão, lastro, circulação e fiscalização de stablecoins no país.

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou nesta semana um requerimento para realizar uma audiência pública sobre o Projeto de Lei nº 4.308/2024, proposta que busca criar um marco legal específico para as stablecoins no Brasil. O pedido partiu do deputado Jadyel Alencar, do Republicanos do Piauí, no âmbito da análise do texto pela CDE.

A audiência coloca o Banco Central e a Receita Federal no centro do debate sobre a legalização e a regulamentação das stablecoins no país. O requerimento também prevê a participação da Polícia Federal, da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais, do Instituto do Livre Mercado e do advogado Eduardo Paiva Gomes, especialista em regulação de ativos virtuais.

O movimento ocorre em uma etapa decisiva da tramitação do PL. A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação já analisou a proposta e apresentou um substitutivo ao texto original. Agora, a Comissão de Desenvolvimento Econômico precisa emitir seu parecer. Depois disso, a matéria ainda seguirá para a Comissão de Finanças e Tributação e para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Banco Central, Receita e Polícia Federal entram no debate

No requerimento, Jadyel Alencar afirma que a audiência deve discutir os desafios regulatórios, os potenciais benefícios e os riscos associados às stablecoins. O deputado também cita possíveis efeitos sobre o mercado de câmbio, a estabilidade do sistema financeiro, a proteção dos consumidores e o desenvolvimento da inovação tecnológica e financeira no Brasil.

A presença do Banco Central no debate se relaciona diretamente ao papel que a autarquia já exerce sobre prestadoras de serviços de ativos virtuais e sobre o funcionamento do mercado financeiro. Já a Receita Federal entra na audiência em um momento no qual o uso de stablecoins em operações internacionais também levanta discussões sobre tributação, registro de operações, fluxo de capitais e fiscalização.

A Polícia Federal deve levar ao debate a preocupação com o uso de ativos digitais em evasão de divisas, lavagem de dinheiro, financiamento de organizações criminosas e outras práticas ilícitas. O próprio requerimento afirma que a natureza global, digital e descentralizada das operações com stablecoins pode facilitar crimes financeiros caso o país não adote mecanismos regulatórios adequados, fiscalização eficiente e cooperação entre órgãos públicos.

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