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Nate Kostar
Escrito por Nate Kostar,Redator
Ana Paula Pereira
Revisado por Ana Paula Pereira,Editor da Equipe

Países da África estão adotando stablecoins para fugir da inflação

Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, a economista Vera Songwe apontou as remessas e a proteção contra a inflação como fatores-chave para o uso de stablecoins na África.

Países da África estão adotando stablecoins para fugir da inflação
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As stablecoins estão sendo cada vez mais utilizadas em toda a África como uma opção de remessa mais barata e rápida, sendo que as remessas estão se tornando "mais importantes do que a ajuda humanitária" no continente, de acordo com Vera Songwe, ex-subsecretária-geral da ONU.

Em um painel do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na quinta-feira, Songwe disse que os serviços tradicionais de transferência de dinheiro na África geralmente custam cerca de US$ 6 para cada US$ 100 enviados, tornando os pagamentos internacionais caros e lentos.

Ela afirmou que as stablecoins estão reduzindo taxas e tempos de liquidação, permitindo que indivíduos e pequenas empresas movimentem dinheiro em minutos, em vez de esperar dias para que pagamentos internacionais sejam processados.

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Vera Songwe, à direita, discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça. Fonte: WEF

Songwe afirmou que a inflação ultrapassou os 20% em “cerca de 12 a 15 países” da África desde o início da pandemia de COVID-19, argumentando que as stablecoins oferecem uma maneira de armazenar valor em moedas menos expostas à inflação e servem como uma rede de segurança financeira. Ela disse:

650 milhões de pessoas na África não têm acesso a uma conta bancária. Com um smartphone, você tem acesso a stablecoins, podendo assim economizar em uma moeda que não está exposta às flutuações da inflação e que não te empobrece.

Segundo Songwe, o uso de stablecoins é maior no Egito, Nigéria, Etiópia e África do Sul, países marcados por alta inflação ou rígidos controles de capital. Ela acrescentou que a maioria das transações é realizada por pequenas e médias empresas, o que indica que as stablecoins estão funcionando como uma ampla ferramenta de inclusão financeira.

Songwe é presidente e fundadora do Mecanismo de Liquidez e Sustentabilidade e pesquisadora sênior não residente da Brookings Institution. Anteriormente, atuou como subsecretária-geral da ONU e como secretária-executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África.

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Países africanos avançam com legislação sobre criptomoedas

Um relatório da Chainalysis , divulgado em setembro, mostrou que a África Subsaariana está entre as regiões do mundo com o crescimento mais rápido na adoção de criptomoedas. A região recebeu mais de US$ 205 bilhões em valor on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025, um aumento de aproximadamente 52% em relação ao ano anterior, o que a coloca em terceiro lugar no ranking mundial.

Valor total mensal on-chain recebido pela África Subsaariana de julho de 2022 a junho de 2025. Fonte: Chainlaysis

Com a aceleração da adoção de criptomoedas em todo o continente, as respostas nacionais começam a divergir, variando da legalização formal e integração tributária a uma supervisão mais cautelosa e focada nos riscos.

Em dezembro, o Gana legalizou a negociação de criptomoedas após o parlamento aprovar o projeto de lei dos Provedores de Serviços de Ativos Virtuais, estabelecendo uma estrutura regulatória formal para o setor. O governador do Banco do Gana, Johnson Asiama, afirmou que a lei permite a atividade com criptomoedas, ao mesmo tempo que fornece às autoridades ferramentas para gerenciar os riscos associados.

Em 13 de janeiro, a Nigéria implementou novas regras que exigem que os provedores de serviços de criptomoedas vinculem as transações aos números de identificação fiscal dos usuários. A mudança visa integrar a atividade com criptomoedas à base tributária por meio de relatórios baseados em identidade, reduzindo a necessidade de monitoramento direto da blockchain por parte dos órgãos reguladores.

Na África do Sul, o banco central recentemente sinalizou os criptoativos e as stablecoins como um risco emergente para a estabilidade financeira, à medida que a adoção local continua a crescer. 

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