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Escrito por Nate KostarRedatorRevisado por Ana Paula PereiraEx-editor

Países da África estão adotando stablecoins para fugir da inflação

Últimas NotíciasPublicado24 de jan. de 2026

Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, a economista Vera Songwe apontou as remessas e a proteção contra a inflação como fatores-chave para o uso de stablecoins na África.

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As stablecoins estão sendo cada vez mais utilizadas em toda a África como uma opção de remessa mais barata e rápida, sendo que as remessas estão se tornando "mais importantes do que a ajuda humanitária" no continente, de acordo com Vera Songwe, ex-subsecretária-geral da ONU.

Em um painel do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na quinta-feira, Songwe disse que os serviços tradicionais de transferência de dinheiro na África geralmente custam cerca de US$ 6 para cada US$ 100 enviados, tornando os pagamentos internacionais caros e lentos.

Ela afirmou que as stablecoins estão reduzindo taxas e tempos de liquidação, permitindo que indivíduos e pequenas empresas movimentem dinheiro em minutos, em vez de esperar dias para que pagamentos internacionais sejam processados.

Vera Songwe, à direita, discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça. Fonte: WEF

Songwe afirmou que a inflação ultrapassou os 20% em “cerca de 12 a 15 países” da África desde o início da pandemia de COVID-19, argumentando que as stablecoins oferecem uma maneira de armazenar valor em moedas menos expostas à inflação e servem como uma rede de segurança financeira. Ela disse:

650 milhões de pessoas na África não têm acesso a uma conta bancária. Com um smartphone, você tem acesso a stablecoins, podendo assim economizar em uma moeda que não está exposta às flutuações da inflação e que não te empobrece.

Segundo Songwe, o uso de stablecoins é maior no Egito, Nigéria, Etiópia e África do Sul, países marcados por alta inflação ou rígidos controles de capital. Ela acrescentou que a maioria das transações é realizada por pequenas e médias empresas, o que indica que as stablecoins estão funcionando como uma ampla ferramenta de inclusão financeira.

Songwe é presidente e fundadora do Mecanismo de Liquidez e Sustentabilidade e pesquisadora sênior não residente da Brookings Institution. Anteriormente, atuou como subsecretária-geral da ONU e como secretária-executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África.

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Países africanos avançam com legislação sobre criptomoedas

Um relatório da Chainalysis , divulgado em setembro, mostrou que a África Subsaariana está entre as regiões do mundo com o crescimento mais rápido na adoção de criptomoedas. A região recebeu mais de US$ 205 bilhões em valor on-chain entre julho de 2024 e junho de 2025, um aumento de aproximadamente 52% em relação ao ano anterior, o que a coloca em terceiro lugar no ranking mundial.

Valor total mensal on-chain recebido pela África Subsaariana de julho de 2022 a junho de 2025. Fonte: Chainlaysis

Com a aceleração da adoção de criptomoedas em todo o continente, as respostas nacionais começam a divergir, variando da legalização formal e integração tributária a uma supervisão mais cautelosa e focada nos riscos.

Em dezembro, o Gana legalizou a negociação de criptomoedas após o parlamento aprovar o projeto de lei dos Provedores de Serviços de Ativos Virtuais, estabelecendo uma estrutura regulatória formal para o setor. O governador do Banco do Gana, Johnson Asiama, afirmou que a lei permite a atividade com criptomoedas, ao mesmo tempo que fornece às autoridades ferramentas para gerenciar os riscos associados.

Em 13 de janeiro, a Nigéria implementou novas regras que exigem que os provedores de serviços de criptomoedas vinculem as transações aos números de identificação fiscal dos usuários. A mudança visa integrar a atividade com criptomoedas à base tributária por meio de relatórios baseados em identidade, reduzindo a necessidade de monitoramento direto da blockchain por parte dos órgãos reguladores.

Na África do Sul, o banco central recentemente sinalizou os criptoativos e as stablecoins como um risco emergente para a estabilidade financeira, à medida que a adoção local continua a crescer.

Revista: Eis por que as criptomoedas estão migrando para Dubai e Abu Dhabi.

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