A plataforma de previsões Polymarket atualizou suas regras de integridade de mercado em meio ao aumento do escrutínio sobre riscos de manipulação e uso de informação privilegiada.
Em um anúncio na segunda-feira, a empresa detalhou novas diretrizes que se aplicam tanto à sua plataforma global de finanças descentralizadas quanto à sua exchange nos Estados Unidos, que opera sob supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC).
As mudanças surgem em um contexto de crescente pressão de reguladores e políticos sobre riscos associados a insider trading, manipulação de mercado e à proliferação de contratos baseados em eventos controversos.

A Polymarket afirmou que as atualizações incluem padrões mais rigorosos para o design de mercados, critérios mais claros de resolução — que determinam como os resultados são liquidados — e definição mais precisa das fontes de dados. A empresa também informou que está aprimorando seus sistemas de monitoramento e vigilância para detectar atividades suspeitas.
Além disso, a plataforma disse que passará a limitar certos tipos de mercados, especialmente aqueles considerados facilmente manipuláveis ou eticamente sensíveis.
Na semana passada, a empresa já havia banido e denunciado usuários que pressionaram um jornalista israelense com ameaças de morte para alterar uma reportagem sobre um ataque de míssil iraniano — tema de um mercado de previsões de US$ 17 milhões.
Boom dos prediction markets atrai regulação e críticas éticas
Os mercados de previsão vêm crescendo rapidamente, atraindo um número cada vez maior de usuários que apostam em eventos do mundo real. Esse impulso ajudou a Polymarket a levantar US$ 200 milhões em julho e buscar uma avaliação de até US$ 10 bilhões.
No entanto, reguladores seguem cautelosos. Diversos estados dos EUA já tomaram medidas contra plataformas de previsão, alegando que operam como serviços de apostas não licenciados.
O anúncio desta semana também ocorre poucos dias após a Major League Baseball firmar um acordo com a Polymarket, além de um entendimento separado com a CFTC focado em “proteções de integridade”. Esses movimentos indicam uma tentativa mais ampla de legitimar o setor por meio de parcerias e alinhamento regulatório.

As preocupações éticas também aumentaram. Em um caso amplamente citado, um pequeno grupo de contas da Polymarket teria lucrado cerca de US$ 1 milhão ao acertar o timing de apostas relacionadas a ataques dos EUA contra o Irã, levantando suspeitas de insider trading e questionamentos sobre a justiça do mercado.
Segundo a Bloomberg, todas as seis contas envolvidas foram criadas em fevereiro e operaram exclusivamente com apostas sobre esses ataques.

