JPMorgan e Mastercard disseram ter concluído o primeiro resgate internacional e interbancário de um fundo tokenizado de títulos do Tesouro dos EUA, trabalhando com a XRP Ledger da Ripple e infraestrutura de liquidação interbancária.
A transação piloto envolveu a plataforma de tokenização de blockchain Ondo Finance realizando o resgate do fundo US Ondo Short-Term US Government Treasuries (OUSG) para a Ripple na XRP Ledger. A Multi-Token Network da Mastercard encaminhou as instruções de liquidação para a plataforma Kinexys do JPMorgan, que entregou dólares americanos para a conta bancária da Ripple em Singapura.
“Pela primeira vez, uma blockchain pública e uma infraestrutura bancária global liquidaram juntas, em tempo real, uma transação internacional de um fundo tokenizado”, afirmou a Ondo Finance na quarta-feira.

Fonte: Ben Grossman
O piloto reflete a crescente colaboração entre empresas de criptomoedas e instituições da TradFi que buscam construir sistemas globais de pagamento e liquidação mais rápidos e baratos, operando fora do horário tradicional dos bancos.
O teste amplia um experimento realizado em maio de 2025 envolvendo JPMorgan e Ondo Finance, no qual um fundo tokenizado de títulos do Tesouro foi movimentado entre blockchains públicas e permissionadas.
A tokenização de ativos do mundo real vem despertando interesse crescente entre líderes de Wall Street, que enxergam potencial para tokenizar desde ações e títulos até fundos do mercado monetário e imóveis.
Mais de US$ 31,1 bilhões em ativos do mundo real, excluindo stablecoins, estão atualmente tokenizados on-chain, segundo dados da RWA.xyz. O Boston Consulting Group estimou em 2022 que o mercado de tokenização pode alcançar US$ 16 trilhões até 2030, enquanto a McKinsey & Co. projeta um valor mais conservador de US$ 2 trilhões no mesmo período.
A empresa controladora da Bolsa de Nova York, Intercontinental Exchange, anunciou em janeiro que lançará uma plataforma de tokenização para negociação 24 horas por dia e liquidação instantânea de ações e fundos negociados em bolsa usando um sistema blockchain de pós-negociação, marcando um dos maiores avanços no setor de tokenização até agora.
Tokenização precisa de regulamentação antes da adoção em massa
Apesar dos avanços, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou diversas preocupações em um relatório de abril, incluindo o fato de que a tokenização transfere riscos do sistema bancário para registros compartilhados e códigos de contratos inteligentes, tornando mais difícil intervir durante “eventos de estresse”.
O FMI acrescentou que, sem clareza jurídica sobre registros de propriedade e finalidade da liquidação, os mercados tokenizados correm o risco de se tornarem “fragmentados e periféricos”.
O investidor do Shark Tank Kevin O’Leary reforçou essas preocupações na quarta-feira durante a Consensus Miami 2026, afirmando que volumes significativos de capital não serão tokenizados até que uma legislação de estrutura de mercado para criptomoedas seja aprovada nos Estados Unidos e esteja em conformidade com as regras da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).
“Quando isso acontecer, vai mudar tudo”, disse O’Leary durante a conferência.

