
Google anuncia que vai banir Polymarket, Kalshi e mercados preditivos do Chorme
Nova política passa a valer em 1º de agosto e mira extensões que permitam transações com dinheiro real sobre resultados futuros; no Brasil, plataformas como Polymarket e Kalshi já enfrentam bloqueio regulatório.

O Google anunciou nesta quarta, 08, uma mudança nas regras da Chrome Web Store que passa a tratar mercados preditivos como produtos proibidos quando extensões facilitarem ou permitirem transações com dinheiro real sobre resultados futuros. A medida não cita nominalmente Polymarket ou Kalshi, mas atinge o ecossistema de extensões ligado a plataformas desse tipo. A aplicação das novas regras começa em 1º de agosto de 2026, segundo o comunicado publicado pela área Chrome for Developers.
A atualização faz parte de um pacote mais amplo de políticas para extensões do Chrome. Além da inclusão dos mercados preditivos na categoria de bens e serviços regulados, o Google endureceu regras sobre coleta de dados, exigiu divulgação mais clara ao usuário e proibiu extensões desenhadas para contornar mecanismos de segurança de serviços baseados em inteligência artificial. A empresa afirmou que as mudanças buscam preservar um ambiente “confiável e seguro” para usuários e desenvolvedores.
A decisão impede que desenvolvedores distribuam pela Chrome Web Store extensões que funcionem como ponte para negociações envolvendo dinheiro real em mercados de previsão. Esses mercados permitem que usuários negociem probabilidades sobre eventos futuros, como eleições, esportes, indicadores econômicos ou decisões políticas, em estruturas que variam conforme a jurisdição.
A mudança não significa, pelo texto oficial, um bloqueio direto dos sites pelo navegador Chrome. O alcance declarado envolve produtos distribuídos pela loja de extensões do Google. Ainda assim, a decisão adiciona uma nova camada de restrição para plataformas que dependem de ferramentas de terceiros, integrações de navegador ou recursos auxiliares para facilitar a experiência de negociação.
O movimento ocorre em meio ao avanço global dos mercados preditivos e ao aumento da pressão regulatória sobre plataformas como Polymarket e Kalshi. Nos últimos meses, esses serviços passaram a atrair mais atenção por permitir apostas ou negociações sobre temas políticos, esportivos e sociais, além de eventos ligados a criptoativos e indicadores econômicos.
No Brasil, o Polymarket já começou a restringir usuários locais. A plataforma atualizou sua API para bloquear brasileiros, enquanto usuários já cadastrados passaram a poder apenas fechar posições existentes, sem abrir novas operações. Também há bloqueios pelo front-end e pela API, além das restrições aplicadas por provedores de acesso após atuação da Anatel.
Brasil proibiu mercados preditivos fora do perímetro regulado
O cerco no Brasil começou em abril, quando o Conselho Monetário Nacional editou a Resolução CMN nº 5.298/2026. A norma limitou a oferta e a negociação de contratos derivativos ligados a eventos que não representem referenciais econômico-financeiros reconhecidos, como eventos esportivos, políticos, eleitorais, sociais, culturais e de entretenimento.
A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda também consolidou o entendimento de que plataformas de mercados preditivos podem reproduzir elementos essenciais das apostas de quota fixa quando oferecem contratos sobre eventos futuros e incertos a usuários no Brasil. Escritórios que analisaram a norma destacaram que a SPA passou a tratar a exploração desses mercados, fora do perímetro autorizado, como potencial oferta ilegal de apostas.
O Brasil já tem uma regulamentação específica para apostas de quota fixa. O Ministério da Fazenda informa que, desde 1º de janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podem operar nacionalmente, com sites no domínio “.bet.br”. A lista oficial mais recente, atualizada em 13 de maio de 2026, reúne as empresas autorizadas em âmbito nacional e também separa companhias que operam por decisão judicial.
A restrição, porém, não elimina totalmente instrumentos ligados a eventos no mercado brasileiro. A B3 iniciou em 27 de abril a negociação de seis Contratos de Eventos referenciados em Ibovespa, dólar e Bitcoin. A bolsa define esses produtos como derivativos vinculados a eventos com resultado objetivo, nos quais o investidor negocia a probabilidade de ocorrência por meio de contratos que variam de R$ 0 a R$ 100. A negociação começou restrita a investidores profissionais.
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