O mercado de criptomoedas enfrenta um período de forte desvalorização desde outubro, com o Bitcoin oscilando abaixo dos US$ 67 mil e pressionado por incertezas globais. Ainda assim, analistas apontam que o ativo demonstra uma resiliência crescente, mesmo diante de um cenário marcado por conflitos geopolíticos e mudanças no fluxo de capital.
Em entrevista para Paulo Aragão, do Cointelegraph Brasil e fundador do podcast Giro Bitcoin, o CEO da Boost Research, André Franco, destacou que o momento atual pode representar mais oportunidade do que risco para investidores atentos. Segundo ele, a leitura do mercado no curto prazo tende a ser mais positiva do que negativa.
“O Bitcoin pode até sofrer no curto prazo com eventos macro, mas hoje ele já perdeu boa parte dos vendedores marginais. Isso abre espaço para uma recuperação mais consistente”, afirmou Franco.
De acordo com o executivo, um dos principais sinais de força do Bitcoin está no comportamento dos chamados investidores de longo prazo. Esses participantes, que acumulam e mantêm posições por períodos extensos, seguem aumentando suas reservas mesmo com a recente correção.
“Os dados mostram que os investidores de longo prazo continuam acumulando Bitcoin. Esse é, historicamente, um dos melhores cenários para compra”, explicou.
Franco ressaltou que essa métrica foi determinante para decisões recentes dentro da Boost Research. Segundo ele, o aumento desse grupo no mercado indica confiança estrutural no ativo, independentemente do ruído de curto prazo.
Além disso, o especialista acredita que a recente queda pode ter eliminado boa parte da pressão vendedora especulativa. “Muita gente que queria vender já saiu do mercado. Isso deixa o caminho mais limpo para movimentos de alta”, completou.
Guerra e tensão global podem favorecer o Bitcoin
Apesar do cenário global instável, com conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, Franco avalia que o Bitcoin tem se comportado de forma surpreendente. Para ele, o ativo começa a se consolidar como uma alternativa em momentos de incerteza.
“Em um ambiente de fuga de risco, o Bitcoin tem mostrado um comportamento positivo. Isso reforça a tese de que ele está ganhando maturidade como ativo global”, disse.
O executivo também alertou que o impacto dos eventos geopolíticos ainda pode variar rapidamente. “Se houver uma escalada do conflito, isso pode afetar ativos de risco. Mas, se houver trégua, o mercado pode reagir de forma imediata”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a crescente participação institucional, especialmente após a aprovação de ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Segundo Franco, esse movimento fortalece o ativo no longo prazo, mesmo que traga novos desafios para análise de fluxo.
“O capital institucional ainda representa uma parcela menor do mercado, mas tem um poder enorme de narrativa. Isso influencia o sentimento dos investidores”, explicou.
Para o CEO da Boost Research, a combinação entre demanda institucional e acumulação por investidores experientes cria uma base sólida para o próximo ciclo de valorização.
“Eu vejo um cenário construtivo para o Bitcoin. Pode haver volatilidade no caminho, mas os fundamentos continuam fortes”, concluiu.

