A CDL Vitória firmou um acordo com a Coins.xyz Brasil para ampliar o acesso de lojistas da região a serviços de pagamentos internacionais e gestão financeira baseados em infraestrutura cripto.
O convênio permitirá que associados da entidade utilizem soluções de pagamentos internacionais, operações cambiais e serviços financeiros conectados a stablecoins.
A tecnologia deve funcionar como camada operacional para liquidação financeira de remessas internacionais, reduzindo etapas consideradas mais lentas e custosas no sistema tradicional.
O foco da iniciativa está principalmente em lojistas de pequeno e médio porte com exposição a operações de importação e pagamentos a fornecedores no exterior.
Segundo comunicado divulgado pelas empresas, a proposta busca enfrentar parte do chamado “Custo Brasil” do varejo, relacionado a taxas cambiais, tempo de liquidação e custos operacionais de transferências internacionais.
Pagamentos com stablecoins
Para Guilherme Bissoli, country manager da Coins.xyz Brasil, o acordo reflete uma mudança gradual no posicionamento das stablecoins, que começam a migrar de um ambiente predominantemente especulativo para aplicações ligadas à infraestrutura financeira.
Segundo ele, assim como o wi-fi se tornou condição mínima para vendas online, esses pagamentos digitais passam a ocupar agora uma nova camada operacional para empresas que atuam em um mercado globalizado.
Além disso, a exchange destaca que a escolha do Espírito Santo ocorreu em função do perfil importador do comércio local e do interesse da CDL Vitória em discutir inovação financeira dentro do associativismo empresarial. Bissoli também destacou que o modelo de parceria pode abrir espaço para iniciativas semelhantes em outras entidades comerciais brasileiras.
Stablecoins
O avanço das stablecoins no Brasil acompanha uma tendência global de uso desses ativos como ferramenta de pagamentos e proteção cambial. Dados da Chainalysis mostram que as transações envolvendo stablecoins cresceram mais de 200% no Brasil entre meados de 2023 e 2024, impulsionadas principalmente por operações de remessas internacionais, arbitragem cambial e pagamentos digitais.
O Banco Central também passou a monitorar o crescimento desse mercado de forma mais próxima. Segundo dados citados pela Reuters com base em informações da autoridade monetária, as stablecoins já representam cerca de 90% de todas as operações com criptoativos realizadas no país. O avanço levou o regulador brasileiro a discutir regras específicas para ativos digitais pareados ao dólar, especialmente em operações de câmbio e transferências internacionais.
O crescimento do uso institucional também começa a mudar o perfil do mercado local. Se antes as stablecoins apareciam principalmente associadas à negociação de criptomoedas, empresas do setor financeiro passaram a utilizar esses ativos como infraestrutura para liquidação internacional, pagamentos corporativos e operações comerciais. Esse movimento ocorre em paralelo às discussões regulatórias do Banco Central sobre tokenização e supervisão de prestadores de serviços de ativos virtuais no país.
Criptomoedas em alta
Além disso, as criptomoedas estão no topo no Brasil em termos de menções por influenciadores financeiros (Finfluencers), porém com baixo engajamento se comparadas a outros produtos de investimento, segundo a 10ª edição do Finfluence, lançada este mês.
De acordo com o estudo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o volume médio de menções a criptomoedas por Finfluencers brasileiros conquistou a vice-liderança no segundo semestre de 2025 (56.867), perdendo apenas para as ações (129.968), porém bem à frente do terceiro colocado, o câmbio (36.608).
Segundo a associação, as ações registraram um crescimento de 400% em relação ao período anterior, movimento que acompanha a melhora do desempenho da bolsa brasileira, a B3, que recolocou as ações no centro das discussões ao reativar o debate sobre oportunidades de valorização.
O levantamento indicou um aumento das conversas sobre produtos financeiros nas redes sociais, que cresceram 44,9% no semestre. No entanto, cada um teve um desempenho diferente nas publicações. Nesse caso, a sondagem mostrou que, apesar do alto volume de menções pelos influenciadores financeiros, as criptomoedas ainda possuem dificuldade de engajamento se comparadas aos investimentos tradicionais, como a previdência privada, na 10ª colocação (387 menções), e a poupança, na 9ª posição (3.646 citações).
Por outro lado, as “perdedoras” em menções por Finfluencers ocupam a liderança no quesito engajamento, em uma média de 7.617 para previdência privada (1º lugar) e 6.082 para poupança (2ª colocação), enquanto as criptomoedas ocupam a 10ª posição com 2.730 interações por post, em média.

