O empresário brasileiro Bernardo Schucman, fundador de companhias ligadas à mineração de Bitcoin nos Estados Unidos, revelou nesta sexta, 08, que negocia a fusão da CS Digital Ventures com a empresa de energia americana Olenox Industries, listada na Nasdaq sob o código OLOX.
A operação prevê que os sócios da empresa de Schucman recebam até US$ 50 milhões em ações preferenciais.
A movimentação ocorre em um momento no qual empresas de mineração de criptomoedas ampliam a busca por estruturas próprias de energia e data centers para reduzir custos operacionais e preservar competitividade em um setor pressionado pelo aumento da dificuldade de mineração do Bitcoin.
Segundo informações divulgadas pela CS Digital Ventures, operações ligadas a Schucman já mineraram 50.434 bitcoins ao longo dos últimos anos. O volume passou por auditoria independente conduzida pela BDO, empresa global de auditoria e consultoria. Considerando os preços atuais do Bitcoin, o montante histórico supera R$ 5 bilhões.
A CS Digital afirma operar atualmente com capacidade de infraestrutura de 2,1 exahashes. A empresa projeta receita de US$ 20,6 milhões e EBITDA de US$ 6,2 milhões em 2025.
Empresário brasileiro de mineração
A trajetória do empresário começou em 2013, ainda nos primeiros anos de expansão da mineração profissional de Bitcoin nos Estados Unidos. Na época, Schucman montou uma operação em uma garagem na Califórnia utilizando energia residencial para alimentar máquinas de mineração.
Nos anos seguintes, ele fundou a Fastblock, empresa especializada em mineração de Bitcoin como serviço, e também participou da criação da ATL Data Centers, em Atlanta. A estrutura acabou atraindo interesse de companhias americanas que buscavam ampliar capacidade operacional em mineração.
Em 2020, a Marathon Patent Group, que posteriormente passou a se chamar Marathon Digital Holdings, anunciou uma carta de intenções para adquirir a Fastblock em uma transação estimada em cerca de US$ 30 milhões na época.
Segundo comunicado divulgado pela Marathon naquele período, a aquisição reduziria o custo médio de mineração da companhia de US$ 7.400 para US$ 3.600 por Bitcoin, apoiada principalmente por contratos de energia abaixo da média do setor.
A operação também ampliaria a infraestrutura da empresa nos Estados Unidos. A Fastblock possuía aproximadamente 20 data centers e mais de 3.300 máquinas de mineração. A companhia informou, naquele momento, que suas operações já haviam minerado mais de 50 mil bitcoins.
Após a negociação, Schucman permaneceu ligado ao setor de mineração em empresas americanas. A ATL Data Centers foi posteriormente adquirida pela CleanSpark, companhia listada nos Estados Unidos e hoje posicionada entre as maiores mineradoras públicas de Bitcoin do mercado americano.
Na CleanSpark, Schucman ocupou o cargo de vice-presidente sênior de mineração em um período de expansão acelerada do setor, impulsionado pela migração de operações para a América do Norte após restrições impostas pela China à atividade de mineração de criptomoedas.
Itaú
Mais recentemente, o empresário também participou da fundação da Minter, empresa voltada à infraestrutura de mineração no Brasil. A companhia recebeu investimento da Itaú Ventures, braço de inovação do Itaú Unibanco.
A entrada de capital institucional brasileiro em empresas ligadas à mineração ocorre em um contexto de maior aproximação entre bancos, empresas de energia e infraestrutura digital voltada a ativos digitais.
Em declaração divulgada pela CS Digital Ventures, Schucman afirmou que o setor vive uma nova etapa de desenvolvimento, baseada na integração entre geração de energia e data centers construídos próximos às fontes produtoras.
“Estamos entrando na terceira era da mineração de Bitcoin. A primeira começou quando eu minerava na minha garagem na Califórnia, pagando tarifa residencial de energia. Agora, em 2026, acredito que estamos diante de uma nova fase: data centers off-grid construídos perto da geração de energia”, afirmou.
A mineração de Bitcoin no Brasil, também está em expansão, atraindo grandes players com energia renovável barata e isenções fiscais, além de iniciativas estatais. O país se consolida como um polo alternativo, onde o custo de mineração é, em média, inferior ao dos EUA.
De acordo dados, o custo para minerar 1 Bitcoin no Brasil gira em torno de US$ 97.336, enquanto nos Estados Unidos esse valor chega a US$ 106.135. A diferença de aproximadamente US$ 8.800 coloca o país em uma posição intermediária, mas ainda assim mais eficiente do que a principal potência global da mineração.

