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Escrito por Walter Barros ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

MP deflagra operação contra streamings piratas acusados de lavagem de dinheiro com criptomoedas

Últimas NotíciasPublicadoNov 18, 2025

Investigação que resultou na Operação Endpoint identificou expressiva movimentação financeira e indícios de uso de criptomoedas na lavagem de dinheiro pelos suspeitos.

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Resumo da notícia:

  • MPCE realiza Operação Endpoint contra plataformas de streaming piratas, que supostamente usavam criptomoedas na lavagem de dinheiro.
  • Captação de clientes também usava WhatsApp e canais no Telegram.
  • Plataformas preferiam pagamentos via Pix e contavam com suporte de empresas especializadas em checkout e gateway.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Endpoint para desarticular uma estrutura de plataformas de streaming piratas e lavagem de dinheiro, incluindo o uso de criptomoedas.

De acordo com o MPCE, a operação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), com a colaboração da Polícia Civil do Estado do Ceará, do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e dos Gaecos de Alagoas e Santa Catarina.

A ação buscava cumprir 19 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva, além de sequestro de bens e valores e suspensão da atividade de 14 empresas investigadas, em Fortaleza, Chorozinho, Eusébio, Maracanaú e Caucaia, além de Alagoas e Santa Catarina.

Segundo o MPCE, o Gaeco abriu o Procedimento Investigatório Criminal a partir de informações da possível prática dos crimes de violação de direitos autorais, lavagem de dinheiro e organização criminosa, supostamente cometidos por operadores de plataformas de streaming piratas, dentre as quais se destacam as “marcas” intituladas como “DezPila”, “Tyflex” e “Onlyflix”. Para instruir o procedimento, foram requeridas e deferidas medidas cautelares de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. A análise dos dados revelou expressiva movimentação financeira em contas de investigados e de empresas a eles vinculadas com origem na pirataria digital.

As investigações também apontaram indícios de lavagem de dinheiro, inclusive, mediante o uso de criptoativos. Paralelamente, constatou-se a atuação de integrantes responsáveis por apoio operacional, incluindo suporte às atividades financeiras e logísticas, bem como a participação de outros indivíduos ainda em processo de identificação.

A apuração demonstrou ainda o uso sistemático de “laranjas” para viabilizar a movimentação de valores e ocultar a real titularidade de bens e ativos. Em reforço a essa dinâmica, foi identificado um conjunto de pessoas jurídicas vinculadas ao grupo, utilizadas para o trânsito e a pulverização de recursos ilícitos. Verificou-se, igualmente, parcerias entre integrantes do esquema, com compartilhamento de empresas de fachada e a compra e venda irregular de maquinário destinado à mineração de criptoativos, havendo indícios de furto de energia elétrica para abastecer essas estruturas.

Quanto ao modus operandi das plataformas, apurou-se que os investigados atuavam como se fossem prestadores de serviço de TV por assinatura, ofertando programação televisiva, filmes e séries sem autorização dos detentores dos direitos e em desacordo com a legislação vigente. A captação de clientes era realizada por meio de páginas na internet hospedadas em serviços de criação de sites (a exemplo de Wix e Hostinger), além de redes sociais, grupos de WhatsApp e canais no Telegram. A monetização, em plena atividade até a deflagração da operação, era viabilizada por estruturas de pagamento on-line, com utilização de empresas especializadas em checkout e gateway, e recebimento de valores por diversos meios, especialmente via Pix.

Com base nos elementos colhidos nessa fase da investigação, o MPCE requereu ao Poder Judiciário, além dos mandados de busca e apreensão e prisão preventiva:

  • Sequestro de bens e valores no montante de R$ 12.000.000,00 (doze milhões de reais);
  • Bloqueio e apreensão de criptoativos;
  • Suspensão das atividades de 14 (quatorze) empresas pelo prazo de 180 dias;
  • Bloqueio de domínios de internet e perfis em redes sociais vinculados ao esquema;
  • Desindexação de resultados de pesquisa em plataformas de busca, de forma a dificultar o acesso do público às estruturas utilizadas para a prática dos ilícitos.
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Operação Endpoint

Na linguagem da computação, “endpoint” é o ponto de acesso ou comunicação de um serviço na rede — a “porta” por onde um sistema recebe solicitações e envia respostas. A operação recebe esse nome justamente por ter como foco a identificação e bloqueio desses pontos de acesso (como servidores, painéis de controle de revendedores de IPTV, dispositivos e demais canais de comunicação) que sustentam atividades ilegais, especialmente a pirataria de conteúdos audiovisuais e outros cibercrimes. Ao atingir diretamente esses endpoints, a atuação enfraquece a infraestrutura utilizada pelos criminosos e contribui para a proteção de usuários, de provedores legais de conteúdo e de todo o ecossistema digital.

Em setembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Sibila, em São Paulo (SP), para desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio de criptomoedas, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

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