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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Notícias Cripto: campanha na BingX, Blockchain Rio cria fórum, Binance impede fraudes, Fireblocks e outras novidades

Confira as novidades no mercado de criptomoedas

Notícias Cripto: campanha na BingX, Blockchain Rio cria fórum, Binance impede fraudes, Fireblocks e outras novidades
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Binance afirma ter evitado US$ 10,5 bilhões em fraudes com uso de inteligência artificial

O avanço do uso de inteligência artificial no setor de criptomoedas passou a abrir duas frentes simultâneas dentro do mercado: enquanto plataformas utilizam modelos automatizados para reforçar segurança e monitoramento, golpistas também ampliam o uso de deepfakes, engenharia social e automação de ataques digitais. Nesse cenário, a Binance afirmou ter bloqueado bilhões de dólares em tentativas de fraude desde o início de 2025.

Segundo dados divulgados pela exchange, foram interceptadas 22,9 milhões de tentativas de golpes e phishing, com proteção estimada de aproximadamente US$ 1,98 bilhão em fundos de usuários. A companhia informou que mais de 100 modelos de IA já operam dentro da plataforma para identificar atividades suspeitas, incluindo fraudes em pagamentos P2P, documentos falsificados e tentativas de criação de identidades sintéticas.

De acordo com a empresa, sistemas automatizados hoje participam de 57% dos controles antifraude implementados internamente. Apesar disso, os números apresentados pela Binance não foram acompanhados de auditorias públicas independentes ou detalhes completos sobre metodologia de cálculo, algo que especialistas em segurança frequentemente apontam como um desafio recorrente em divulgações corporativas do setor.

A Binance também destacou o lançamento do Binance Ai Pro, ambiente voltado à operação de agentes de inteligência artificial em negociações. A exchange afirmou ainda ter auxiliado autoridades globais na apreensão de US$ 131 milhões em fundos ilícitos ao longo de 2025. O movimento ocorre em um momento em que plataformas de cripto buscam incorporar IA não apenas em segurança, mas também em produtos de negociação e análise operacional.

BingX amplia campanha

A BingX anunciou uma nova etapa da campanha Global Capital Gala, iniciativa voltada a usuários interessados em operações relacionadas a movimentos macroeconômicos e ativos globais. A ação acompanha eventos relevantes de maio, incluindo divulgação de inflação nos Estados Unidos, dados de emprego, decisões do Federal Reserve e resultados financeiros da NVIDIA.

Segundo a empresa, a campanha prevê atividades relacionadas a criptoativos, ouro e ações norte-americanas, além de debates temáticos sobre mercado. A estratégia reflete uma movimentação mais ampla de exchanges que tentam aproximar o universo cripto de narrativas tradicionais do mercado financeiro, especialmente em temas ligados a política monetária, inteligência artificial e fluxo global de capital.

A BingX informou ainda que a programação ficará disponível durante todo o mês e incluirá eventos de negociação ligados a narrativas de inteligência artificial, armazenamento de dados e temas macroeconômicos. Embora campanhas desse tipo tenham se tornado mais comuns entre plataformas globais, parte do mercado ainda questiona até que ponto iniciativas promocionais conseguem efetivamente ampliar retenção de usuários em períodos de menor volatilidade.

LiberPay lança sistema de pagamentos P2P

A LiberPay anunciou a estreia de sua plataforma de pagamentos P2P em stablecoins no mercado brasileiro. A proposta permite transferências entre usuários e comerciantes sem intermediação bancária, utilizando ativos digitais lastreados em dólar e infraestrutura baseada na blockchain Polygon.

Segundo a empresa, o sistema busca aproximar a experiência de pagamentos instantâneos à lógica do Pix, mas utilizando carteiras descentralizadas. O modelo opera em regime de autocustódia, no qual os usuários mantêm controle direto sobre os ativos digitais, utilizando QR Codes ou links integrados a carteiras como MetaMask e Trust Wallet.

A fintech afirma que pagamentos entre pessoas físicas não possuem taxas próprias da plataforma, mantendo apenas os custos operacionais da rede Polygon. O lançamento ocorre em um momento de expansão do uso de stablecoins no Brasil, principalmente em operações de remessas internacionais, proteção cambial e pagamentos digitais.

A empresa escolheu o Brasil como primeiro mercado de operação devido ao avanço regulatório e à adoção crescente de stablecoins no país. Dados citados pela companhia indicam que grande parte dos usuários brasileiros de criptomoedas gostaria de utilizar ativos digitais em pagamentos cotidianos, embora ainda exista baixa aceitação comercial no varejo tradicional.

A tecnologia da LiberPay utiliza smart contracts auditados pela CertiK e foi desenvolvida com capital próprio, sem investimento externo. Mesmo com o crescimento desse segmento, especialistas do mercado ainda apontam desafios ligados à experiência do usuário, segurança operacional e clareza regulatória envolvendo pagamentos descentralizados no Brasil.

Blockchain Rio cria fórum sobre infraestrutura financeira

O Blockchain Rio Week 2026 anunciou o lançamento do Financial Infrastructure Forum – LATAM, iniciativa voltada ao debate sobre infraestrutura financeira digital, tokenização e sistemas de pagamento na América Latina. O encontro está previsto para 11 de agosto de 2026, no Museu do Amanhã, durante a programação do evento.

A proposta é reunir representantes de bancos centrais, reguladores, instituições financeiras, empresas de infraestrutura e organizações ligadas ao mercado blockchain para discutir temas como stablecoins, pagamentos cross-border, interoperabilidade e modernização dos sistemas financeiros.

A agenda também inclui discussões sobre convergência regulatória entre países latino-americanos e o impacto da tokenização nos mercados de capitais. O avanço desse tipo de debate institucional acompanha o crescimento do interesse de bancos e grandes empresas por infraestrutura baseada em blockchain, especialmente em áreas ligadas a liquidação financeira e tokenização de ativos reais.

Segundo os organizadores, a criação do fórum reflete o amadurecimento institucional das discussões envolvendo ativos digitais e infraestrutura financeira baseada em blockchain. Apesar disso, parte do mercado ainda avalia que a integração regulatória regional segue lenta e enfrenta diferenças relevantes entre marcos legais adotados por países latino-americanos.

VelaFi integra tecnologia da Fireblocks

A VelaFi anunciou integração com a Fireblocks para reforçar operações de custódia institucional de ativos digitais entre América Latina, Ásia e Estados Unidos.

A parceria incorpora tecnologia de custódia baseada em MPC (Multi-Party Computation) à infraestrutura da VelaFi, empresa que atua com pagamentos internacionais, liquidação em stablecoins e gestão de tesouraria corporativa.

Segundo as companhias, a integração busca atender à crescente demanda institucional por soluções envolvendo stablecoins. Dados citados do relatório “State of Stablecoins 2025”, produzido pela própria Fireblocks, indicam que 90% das instituições entrevistadas já adotam ou estudam iniciativas relacionadas ao setor.

A VelaFi afirmou que a ampliação da infraestrutura de segurança ocorre em um contexto de expansão de operações internacionais envolvendo diferentes moedas, jurisdições e sistemas regulatórios. Com a integração, clientes corporativos passam a operar sob padrões de custódia utilizados por instituições financeiras globais, incluindo empresas como BNY, Revolut e Worldpay.

As companhias também informaram que estudam futuras integrações relacionadas à infraestrutura de pagamentos e conectividade entre blockchains. Ainda assim, analistas do setor apontam que a expansão institucional de stablecoins continua dependendo de avanços regulatórios e maior interoperabilidade entre sistemas financeiros tradicionais e redes blockchain públicas.

Fireblocks lança solução de empréstimos onchain

A Fireblocks anunciou o lançamento do Earn, ferramenta voltada a empréstimos onchain para clientes institucionais. O recurso permite que empresas utilizem saldos de stablecoins em protocolos de finanças descentralizadas diretamente pela infraestrutura da companhia, sem necessidade de sistemas adicionais.

O produto foi lançado inicialmente com integração à Morpho e aos mercados de empréstimo da Aave. Segundo a Fireblocks, o objetivo é oferecer acesso institucional à liquidez onchain utilizando fluxos de aprovação, governança e segurança já empregados por empresas que operam ativos digitais na plataforma.

A empresa afirmou ter processado US$ 6 trilhões em transferências de stablecoins em 2025, crescimento de 300% em relação ao ano anterior. O Earn será disponibilizado em todas as soluções da companhia e, inicialmente, ficará em fase de Early Access para clientes selecionados.

O crescimento do interesse institucional por DeFi vem sendo acompanhado por bancos, gestoras e empresas de infraestrutura financeira, mas o setor ainda enfrenta questionamentos relacionados à segurança de smart contracts, compliance e exposição regulatória. A aproximação entre operações tradicionais de tesouraria e protocolos descentralizados continua sendo tratada pelo mercado como uma tendência relevante, embora ainda cercada por desafios técnicos e jurídicos.

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