O Bitcoin chegou a superar brevemente a marca de US$ 78 mil nesta sexta, 17 e na avaliação da analista técnica e trader parceira da Ripio, Ana de Mattos, o ativo entrou em uma fase decisiva e já mira um novo alvo relevante: a região de US$ 85 mil.
A projeção não surge isolada. Ela aparece sustentada por uma combinação de eventos recentes que reposicionaram o mercado cripto dentro de um contexto mais amplo, onde geopolítica, política monetária e comportamento institucional passaram a atuar de forma simultânea sobre os preços.
Entre os dias 1 e 16 de abril, o Bitcoin deixou para trás a faixa dos US$ 68 mil e avançou até a região dos US$ 75 mil. Esse movimento aconteceu em paralelo a uma mudança importante no cenário global.
A possibilidade de um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã reduziu o prêmio de risco no petróleo e, como consequência direta, melhorou o apetite por ativos considerados mais arriscados. Com menos pressão sobre energia e inflação no curto prazo, o mercado encontrou espaço para retomar posições em tecnologia e criptoativos”, afirma Ana.
No entanto, a trajetória não foi linear. Dados econômicos dos Estados Unidos trouxeram volatilidade ao cenário. O payroll divulgado no dia 3 surpreendeu positivamente, indicando um mercado de trabalho ainda aquecido. Já a ata do Federal Reserve, publicada no dia 8, reforçou a preocupação com uma inflação persistente. Na prática, isso sustentou a expectativa de juros elevados por mais tempo, o que limita a expansão dos ativos de risco. O resultado foi um mercado oscilando entre otimismo e cautela, com o Bitcoin acompanhando esse comportamento de forma bastante sensível.
Mesmo diante dessas pressões macroeconômicas, um fator específico ajudou a sustentar o preço: o retorno do fluxo institucional. Março já havia fechado com entrada líquida de US$ 1,32 bilhão em ETFs de Bitcoin, marcando o primeiro saldo positivo desde outubro de 2025. Em abril, o movimento ganhou força adicional, incluindo um único dia com entrada de US$ 471,3 milhões. Esse tipo de fluxo não apenas injeta liquidez no mercado à vista, como também reduz a dependência de capital especulativo de curto prazo”, destaca Ana.
Além disso, o avanço da institucionalização ganhou novos capítulos relevantes. O Morgan Stanley lançou seu primeiro ETF spot de Bitcoin no dia 8, enquanto o Goldman Sachs protocolou um produto semelhante poucos dias depois. Esses movimentos reforçam a percepção de que o Bitcoin voltou a ocupar espaço estratégico dentro de portfólios institucionais. Mais do que um ativo especulativo, ele passa a ser visto como componente de diversificação e proteção.
Fluxo institucional e dinâmica macro definem o ritmo do mercado

Apesar do suporte vindo dos grandes players, os fatores macroeconômicos continuam exercendo peso dominante na formação de preços. Em um ambiente ainda marcado por tensões geopolíticas, juros elevados e oscilações no petróleo, o mercado reage diretamente ao comportamento do dólar e dos títulos do Tesouro americano. Isso explica por que o Bitcoin, mesmo com fluxo positivo, ainda não conseguiu estabelecer uma tendência clara de alta contínua.
A dinâmica atual revela um mercado em recuperação, mas ainda dentro de uma faixa indefinida. Um episódio emblemático ocorreu no dia 14, quando o Bitcoin ultrapassou momentaneamente os US$ 76 mil. Esse movimento desencadeou a liquidação de mais de US$ 530 milhões em posições vendidas no mercado futuro. Isso indica que parte da alta não veio apenas de nova demanda, mas também de ajustes forçados de posições alavancadas.
Esse tipo de movimento é típico de transições de tendência. Ele mostra que o mercado ainda está em processo de redefinição, onde forças compradoras e vendedoras disputam o controle. Para o investidor, isso significa que o preço atual reflete não apenas fundamentos, mas também posicionamento tático de curto prazo.
Ana de Mattos destaca que o mercado cripto passou por uma mudança estrutural importante. Segundo ela, o Bitcoin já não responde apenas às narrativas internas do setor. Hoje, sua precificação depende da interação entre fatores globais como guerra, energia, inflação, decisões do Fed e fluxo institucional. Esse novo ambiente exige uma leitura mais ampla e integrada dos movimentos.
Nesse contexto, acompanhar apenas o preço deixou de ser suficiente. O investidor precisa observar indicadores externos, como o comportamento do petróleo, a postura do Federal Reserve e a continuidade das entradas em ETFs. É essa combinação que determina a capacidade do mercado de manter ou perder tração no curto e médio prazo.
No gráfico, vemos que o Bitcoin superou momentaneamente a resistência dos US$ 76.000, mas retornou para a faixa dos US$ 75.460. Para que ocorra o rompimento do nível acima dos US$ 76.000, é necessário que entre força compradora no curto prazo. Neste caso, o próximo alvo de médio prazo está na faixa dos US$ 85.500. Se o fluxo vendedor reverter a alta atual, os próximos pontos de suporte estão em US$ 74.800 e US$ 69.150.”, conclui.
Dados on-chain e sinais técnicos reforçam cenário de alta
Enquanto o macro dita o ritmo, os dados on-chain e os indicadores técnicos começam a apontar para uma mudança mais consistente na tendência. O analista Abdullah Zia destaca um evento específico que chamou a atenção do mercado: no dia 14 de abril, cerca de 69.359 BTC foram retirados das exchanges em um único dia. Esse movimento sugere que grandes investidores estão transferindo ativos para armazenamento de longo prazo, reduzindo a pressão de venda imediata.
Esse fenômeno é conhecido como “supply shock”. Quando grandes volumes deixam as exchanges, a oferta disponível para negociação diminui. Se a demanda se mantém ou cresce, o preço tende a subir. Esse movimento foi acompanhado por outro indicador relevante: o aumento no tamanho médio das ordens no mercado à vista. Historicamente, picos nesse indicador coincidem com fases de acumulação institucional.
Os dados indicam que não se trata de euforia de varejo. Pelo contrário, o padrão atual aponta para compras de alta convicção por parte de grandes players. Essa leitura ganha ainda mais força quando combinada com os sinais técnicos observados no gráfico semanal.

O Bitcoin rompeu recentemente uma linha de tendência descendente de longo prazo, o que representa um marco importante na estrutura de mercado. Além disso, indicadores de momentum como o RSI permanecem acima de 60, sinalizando força compradora. O índice direcional (DMI) também mostra o cruzamento positivo entre as linhas, indicando mudança na dominância da tendência.
Outro ponto relevante vem da análise por Renko, que filtra ruídos de mercado. A formação de novos blocos verdes confirma que o movimento atual possui consistência e não se trata apenas de volatilidade pontual. Quando esses elementos técnicos se alinham com dados on-chain e fluxo institucional, o cenário passa a indicar uma possível transição para uma nova perna de alta.

