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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Exclusivo: Bitget fecha parceria e vai vender ações do IPO da SpaceX no Brasil, empresa tem avaliação estimada em US$ 1,5 trilhão

Bitget lança IPO Prime e abre acesso inédito ao pré-IPO da SpaceX por meio de token, prometendo democratizar investimentos antes restritos a grandes investidores.

Exclusivo: Bitget fecha parceria e vai vender ações do IPO da SpaceX no Brasil, empresa tem avaliação estimada em US$ 1,5 trilhão
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A exchange Bitget informou ao Cointelegraph Brasil que vai oferecer acesso antecipado ao IPO da SpaceX, por meio de um modelo tokenizado. A operação será conduzida em parceria com a Republic, emissora regulada nos Estados Unidos, com histórico em ofertas de ativos digitais vinculados a empresas como Stripe, Kraken e Neuralink.

A iniciativa marca o lançamento do IPO Prime, uma nova plataforma da corretora que permite a usuários globais, inclusive no Brasil, participar de ofertas pré-IPO utilizando criptomoedas. Na estreia, o ativo disponibilizado será o preSPAX, um token que busca espelhar, na proporção de 1:1, o desempenho econômico das ações da SpaceX após sua abertura de capital.

Criada por Elon Musk em 2002, a SpaceX é uma das empresas mais valiosas do setor aeroespacial. O projeto considera uma avaliação implícita de US$ 1,5 trilhão.

Agora, a Bitget permite entradas a partir de US$ 1.000, com limite de até US$ 300 mil, dependendo do nível VIP do usuário. O investimento poderá ser feito com USDT ou USDGO.

O modelo funciona por meio de um sistema de subscrição proporcional. Quanto maior o valor investido, maior será a alocação de tokens recebidos. Após a distribuição, os ativos poderão ser negociados em mercado secundário dentro da própria plataforma.

Token promete espelhar desempenho da SpaceX

O preSPAX não representa participação direta na SpaceX. Em vez disso, ele oferece exposição econômica ao desempenho da empresa após o IPO. Após um período de bloqueio, estimado em cerca de seis meses, os investidores poderão converter os tokens em ativos equivalentes ao valor das ações ou em USDT.

O projeto prevê uma oferta total de 94.000 tokens, com valor unitário de US$ 650, somando US$ 61,1 milhões em captação. No entanto, o pool total de investimentos poderá atingir até US$ 1 bilhão, dependendo da demanda.

A janela de participação começa em 18 de abril e se encerra em 21 de abril, com negociação prevista para o mesmo dia no mercado OTC da Bitget.

Além disso, a exchange anunciou duas rodadas de airdrops para usuários VIP, distribuindo aproximadamente 950 tokens preSPAX, avaliados em cerca de US$ 500 mil.

Tokens RWA em expansão

O projeto da Bitget está dentro de um cenário de expansão do mercado de tokens RWA. Dados recentes da RWA.xyz mostram que o valor total tokenizado ultrapassou a marca de US$ 10 bilhões, com crescimento consistente ao longo dos últimos 12 meses. Esse avanço reflete o aumento do interesse institucional em transformar ativos como títulos públicos, crédito privado e imóveis em versões digitais negociáveis.

Grande parte desse crescimento vem do segmento de renda fixa tokenizada. Relatórios da 21Shares e da Binance Research indicam que títulos do Tesouro dos Estados Unidos tokenizados já representam a maior fatia do mercado RWA. Protocolos como Ondo Finance, Maple Finance e Centrifuge lideram esse movimento ao oferecer exposição a instrumentos tradicionais com liquidez on-chain. No caso da Ondo, por exemplo, o fundo tokenizado OUSG — lastreado em títulos do Tesouro americano — já ultrapassou bilhões de dólares em ativos sob gestão.

Além disso, o aumento da demanda por rendimento em dólar dentro do ecossistema cripto tem acelerado a adoção desses produtos. Segundo dados da Messari, investidores buscam alternativas mais estáveis após ciclos de volatilidade no mercado de criptomoedas. Como resultado, ativos RWA passaram a ser vistos como uma ponte entre o retorno previsível das finanças tradicionais e a eficiência da blockchain.

Outro fator relevante é o avanço regulatório. Nos Estados Unidos, a aprovação de estruturas mais claras para ativos digitais, aliada ao crescimento dos ETFs de Bitcoin, ajudou a legitimar o setor. Já na Europa, iniciativas sob o regime MiCA (Markets in Crypto-Assets) têm incentivado empresas a explorar a tokenização de ativos financeiros de forma mais estruturada. No Brasil, o Banco Central também avança com o projeto Drex, que inclui testes de tokenização de ativos financeiros dentro de uma infraestrutura regulada.

O interesse institucional também se reflete na atuação de grandes players. A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, lançou em 2024 um fundo tokenizado baseado em blockchain, enquanto bancos como JPMorgan e Goldman Sachs vêm testando soluções próprias para liquidação e emissão de ativos tokenizados. Segundo um relatório da Boston Consulting Group (BCG), o mercado de ativos tokenizados pode atingir até US$ 16 trilhões até 2030, caso a adoção continue no ritmo atual.

No Brasil o mercado de RWA superou R$ 1,5 bilhão em janeiro, com um crescimento de 1.134,7% em 12 meses, segundo dados divulgados esta semana pelo RWA Monitor.

De acordo com a plataforma brasileira de monitoramento de instrumentos de tokenização, no final de janeiro de 2025 o volume total de emissões tokenizadas somava R$ 1.506.348.813,83. O volume inclui emissões de tokens RWA dentro de normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a CVM 88 (resolução que trata de tokenização de crowdfunding e recebíveis) e a CVM 160 (que trata de ofertas públicas, primária ou secundária, de valores mobiliários), além de cunhagens da iniciativa privada.

O que vemos em janeiro de 2026 é que a combinação entre plataformas mais maduras, originadores preparados e capital institucional criou um efeito de rede que acelerou a adoção em ritmo exponencial. Quando as captações diárias superam R$ 500 milhões, isso sinaliza que a tokenização deixou de ser um experimento e passou a integrar a infraestrutura financeira do país como um canal real de financiamento e alocação de capital, afirmou analista e fundador do RWA Monitor, Rodrigo Caggiano.
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