Nesta quarta, 15, o preço do Bitcoin voltou a testar a região de US$ 75 mil, animando os traders sobre uma possivel recuperação do mercado, mas os dados mostram um cenário mais complexo do que aparenta. Embora o preço siga travado abaixo da resistência, indicadores on-chain revelam movimentos relevantes de capital, liquidez e posicionamento.
Segundo Mike Ermolaev, analista e fundador da OutsetPR, cinco sinais começaram a convergir nas últimas semanas e ajudam a explicar o momento atual. “O mercado parece calmo na superfície, mas os fluxos mostram uma compressão típica antes de movimentos mais fortes”, afirma.
A leitura sugere que o BTC pode estar próximo de um rompimento, ou de uma correção mais agressiva. Por isso, traders e investidores passaram a observar dados estruturais, e não apenas o preço.
Saída de Bitcoin das exchanges e entrada de stablecoins

O primeiro sinal vem do fluxo de ativos nas exchanges, que indica um comportamento claro de acumulação. Nos últimos sete dias, cerca de 23.566 BTC deixaram as plataformas, o equivalente a aproximadamente US$ 1,75 bilhão, reduzindo a pressão de venda no curto prazo.
Além disso, o estoque total de Bitcoin em exchanges caiu de 2,729 milhões para 2,685 milhões de BTC em 30 dias, atingindo uma mínima recente. Esse movimento reforça a tese de que investidores estão migrando para custódia própria, o que historicamente antecede movimentos de alta.
Outro dado relevante é o Exchange Whale Ratio, que caiu de 0,73 para 0,47 no período analisado. Isso mostra que grandes investidores reduziram a atividade vendedora, diminuindo o risco de liquidações abruptas vindas das baleias.
Enquanto isso, o comportamento das stablecoins aponta na direção oposta e complementa a leitura. O saldo de USDT em exchanges subiu de US$ 50,3 bilhões para US$ 53,1 bilhões, um aumento de US$ 2,8 bilhões em liquidez disponível.
Na prática, isso significa que há capital pronto para ser alocado no mercado, funcionando como combustível para possíveis movimentos de alta. “É um espelho perfeito: Bitcoin sai das exchanges enquanto stablecoins entram, o que costuma antecipar demanda spot”, explica Ermolaev.
Alavancagem cresce enquanto preço fica travado

O segundo bloco de sinais envolve o mercado de derivativos, que adiciona uma camada de risco ao cenário. O open interest global subiu de US$ 21,2 bilhões para US$ 25,3 bilhões, um crescimento de 17% em apenas duas semanas.
Ao mesmo tempo, a Estimated Leverage Ratio avançou de 0,22 para 0,245, indicando que traders estão assumindo posições mais alavancadas. Esse comportamento aumenta a sensibilidade do mercado a movimentos bruscos, tanto para cima quanto para baixo.
Esse ponto chama atenção porque ocorre enquanto o preço do Bitcoin permanece lateralizado. Ou seja, o mercado acumula risco sem uma definição clara de tendência, o que costuma preceder movimentos mais intensos.
Outros indicadores ajudam a completar o quadro e mostram equilíbrio estrutural. O MVRV em 1,37 indica que o mercado ainda não entrou em zona de euforia, enquanto o SOPR próximo de 1,00 mostra ausência de pânico ou realização exagerada de lucros.
Além disso, a reserva de mineradores permanece estável, sem sinais de distribuição relevante. Isso reduz a pressão vendedora estrutural e reforça a leitura de que o mercado segue em fase de preparação.

Segundo Ermolaev, esse conjunto de fatores caracteriza um cenário clássico de compressão. “A combinação de acumulação no spot, liquidez em stablecoins e aumento da alavancagem sugere um mercado pronto para se mover, mas ainda indeciso”, afirma.
Agora, o mercado observa dois gatilhos principais com atenção redobrada. Se o BTC romper os US$ 75 mil com continuidade nas saídas das exchanges, o movimento pode ganhar força rapidamente.
Por outro lado, um ajuste nas posições alavancadas pode provocar uma liquidação em cascata, abrindo espaço para uma correção até a região de US$ 72 mil.

