
Portal elege os 10 nomes que fizeram história e continuam atuando no mercado cripto no Brasil
Seleção destaca pioneiros de exchanges, ETFs, stablecoins, mineração, tokenização e infraestrutura institucional de ativos digitais.

O perfil no X, Papo Econômico elegeu os dez empreendedores que, segundo seus critérios, ajudaram a construir o mercado brasileiro de criptomoedas.
A lista publicada no X considera pioneirismo, criação de produtos, construção de empresas, capacidade de escala e vendas de participações. O portal destacou que o Brasil lançou um ETF 100% Bitcoin antes dos produtos à vista dos Estados Unidos. O país também criou o primeiro unicórnio cripto latino-americano.
Além disso, empreendedores brasileiros desenvolveram uma das primeiras stablecoins atreladas ao real e construíram exchanges, tokenizadoras e infraestruturas institucionais. Embora anuncie dez nomes, o ranking reúne 12 pessoas em dez posições, devido às duplas do Mercado Bitcoin e da Foxbit. Guto Schiavon aparece in memoriam.
Exchanges e ETFs abriram o mercado brasileiro
1. Gustavo e Mauricio Chamati, Mercado Bitcoin
Os irmãos Gustavo e Mauricio Chamati criaram o Mercado Bitcoin em 2013, quando poucas empresas brasileiras ofereciam negociação de criptomoedas.
A plataforma informa atualmente mais de 4,5 milhões de clientes e se apresenta como a primeira corretora de criptomoedas do país. Em 2021, o SoftBank investiu US$ 200 milhões no Mercado Bitcoin.
A rodada avaliou a controladora 2TM em US$ 2,1 bilhões e transformou o grupo no primeiro unicórnio cripto da América Latina.
2. Marcelo Sampaio, Hashdex
Marcelo Sampaio cofundou a Hashdex em 2018 e ajudou a aproximar os ativos digitais dos fundos regulados e do mercado financeiro tradicional.
A gestora desenvolveu com a Nasdaq um índice de criptoativos e lançou, nas Bermudas, aquele que a Nasdaq apresentou como o primeiro ETF de índice cripto do mundo. Depois, a Hashdex levou o HASH11 à B3. O produto acompanha uma cesta diversificada de criptomoedas e abriu essa categoria na bolsa brasileira.
Sampaio segue na Hashdex como presidente executivo, enquanto Bruno Caratori assumiu a posição de CEO global em março de 2026.
3. João Canhada e Guto Schiavon, Foxbit
A terceira posição reúne João Canhada e Guto Schiavon, dois dos fundadores da Foxbit. A empresa também reconhece Felipe Trovão como fundador.
Criada em 2014, a Foxbit atravessou diferentes ciclos do mercado e afirma possuir atualmente mais de 1,5 milhão de usuários. Guto morreu em um acidente automobilístico em dezembro de 2018, aos 24 anos. Canhada continuou à frente da operação nos anos seguintes.
O portal incluiu Guto in memoriam pela contribuição à formação dos primeiros usuários e comunidades de Bitcoin no Brasil.

4. André Portilho, BTG Pactual
André Portilho representa a construção do mercado cripto dentro do sistema financeiro. Ele iniciou sua carreira em 1993 e acumulou experiência com derivativos.
No BTG Pactual, Portilho liderou a criação da área de ativos digitais e participou do desenvolvimento do ReitBZ, da Mynt e de fundos ligados ao Bitcoin. Em 2023, o banco lançou o BTG Dol. O BTG apresentou o produto como a primeira stablecoin de dólar criada por um banco.
A escolha de Portilho representa uma exceção ao critério de fundadores. O portal justificou sua presença pelo trabalho empreendedor realizado dentro do banco.
5. João Paulo Mayall, ex-QR Capital
João Paulo Mayall participou da construção da QR Capital e do lançamento de produtos que ampliaram a presença dos criptoativos na B3.
Entre eles está o QBTC11, que a própria B3 classifica como o primeiro ETF 100% Bitcoin da América Latina. O produto começou a operar em 2021. A SEC norte-americana autorizou os primeiros produtos de Bitcoin à vista somente em janeiro de 2024.
A trajetória também inclui ETFs ligados a Ethereum, finanças descentralizadas e Solana, além da criação do programa de certificação CCA com ANCORD e FGV. Mayall vendeu sua participação na QR Capital em 2025 e passou a se dedicar a pesquisas, análises macroeconômicas e consultoria.
Stablecoins, tokenização, Bitcoin e mineração
6. Thiago César, Transfero
Thiago César cofundou a Transfero e participou da criação do BRZ, stablecoin pareada ao real que chegou ao mercado em 2019.
Na época, a empresa apresentou o ativo como a primeira stablecoin vinculada à moeda brasileira.
A Transfero desenvolveu parte da operação a partir da Suíça e levou o BRZ para diferentes blockchains e plataformas internacionais. César deixou o cargo de CEO da Transfero em setembro de 2023. Atualmente, apresenta-se como ex-cofundador da empresa e presidente da Bloquo.
7. Israel Salmen, Méliuz
Israel Salmen fundou a Méliuz em Belo Horizonte, expandiu o negócio de cashback e conduziu a empresa ao IPO na B3 em 2020.
Em março de 2025, a companhia comprou 45,72 BTC e se tornou a primeira empresa brasileira listada a adotar publicamente uma estratégia de tesouraria em Bitcoin.
Depois, os acionistas aprovaram a transformação da Méliuz em uma companhia de tesouraria de Bitcoin. A empresa realizou novas compras e captou recursos para ampliar a reserva. Em junho de 2025, a Méliuz levantou R$ 180 milhões em uma oferta de ações destinada à aquisição de Bitcoin.
8. Marcos Viriato, Parfin e Rayls
Marcos Viriato cofundou a Parfin e desenvolveu soluções de custódia, tokenização e blockchain para bancos, gestoras e outras instituições financeiras.
A Rayls, tecnologia criada pela empresa, participou dos testes do Drex. A Parfin integrou um dos consórcios escolhidos pelo Banco Central.
Durante a segunda fase do projeto, participantes utilizaram a Rayls em diferentes casos para testar privacidade, interoperabilidade e execução de contratos inteligentes. Viriato segue ligado ao desenvolvimento da infraestrutura como cofundador e CEO da Rayls Labs.
9. Daniel Coquieri, BitcoinTrade e Liqi
Daniel Coquieri criou a BitcoinTrade e levou a plataforma ao grupo das maiores exchanges brasileiras durante o ciclo de crescimento iniciado em 2017.
Em janeiro de 2021, a argentina Ripio comprou a BitcoinTrade. Os valores da operação não vieram a público.
Após concluir esse ciclo, Coquieri fundou a Liqi e passou a desenvolver infraestrutura para tokenização de recebíveis, crédito e outros ativos financeiros.
A Liqi também participou de iniciativas com instituições como Itaú e Oliveira Trust para criar estruturas de fundos e recebíveis tokenizados.
10. Rocelo Lopes, CoinBR e Stratum
Segundo o Papo Econômico, Rocelo Lopes entrou no setor em 2013, após receber uma dívida de US$ 180 mil em Bitcoin.
Em entrevista concedida em 2025, Lopes confirmou que um cliente pagou uma fatura com Bitcoin e motivou sua entrada no mercado.
O empreendedor é criador da Truther e montou uma estrutura de mineração no Paraguai, atraído pelo custo da energia hidrelétrica. Em 2019, sua operação paraguaia possuía cerca de 2.100 máquinas. Lopes vendeu a mineradora naquele ano, mas continuou prestando consultoria ao setor.
Atualmente, ele trabalha com pagamentos, stablecoins e integração entre carteiras de autocustódia e o sistema financeiro.

