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Escrito por Nihatcan YanikRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Do Bitcoin a oportunidades infinitas: Entrevista com André Sprone, da MEXC

EntrevistaPublicado8 de jul. de 2026

Head da MEXC para a América Latina revela que a próxima fronteira das criptomoedas é o acesso aos mercados financeiros globais.

O ecossistema de ativos digitais está passando por uma transformação profunda, deixando para trás a especulação sobre ativos para avançar em direção à integração completa com os sistemas financeiros globais. Esta evolução é relevante principalmente em regiões como a América Latina, onde historicamente investidores enfrentam altas taxas, burocracia excessiva e acesso restrito aos mercados internacionais.

Com 40 milhões de usuários no mundo, a exchange de ativos digitais MEXC quer enfrentar esse desafio ao oferecer um ecossistema integrado para negociação de criptomoedas e ativos reais tokenizados. Nesta entrevista, André Sprone, head da MEXC para a América Latina, explica a mudança regional em direção à integração de mercados, o impacto estrutural de modelos com taxa zero e revela como instrumentos tokenizados estão desmontando barreiras históricas para a criação de riqueza em escala global.

Cointelegraph: A discussão sobre ativos digitais mudou fundamentalmente e deixou de girar em torno da especulação sobre uma moeda específica. Como você enxerga a transformação atual no cenário global?

André Sprone: Durante muito tempo, falar de cripto era quase o mesmo que falar de Bitcoin. A pergunta central era simples: devo comprar ou não? Essa fase foi importante porque apresentou ao mundo uma nova forma de transferir e armazenar valor. Mas, em 2026, essa pergunta já não consegue explicar a dimensão da transformação em curso.

A próxima etapa do mercado cripto tem menos a ver com um único ativo e mais com acesso. Acesso a mercados globais, novas formas de rendimento, produtos que antes estavam fora de alcance e infraestrutura financeira operando 24 horas por dia, sete dias por semana. Se a primeira década das criptomoedas foi marcada pela descoberta, a próxima tende a ser marcada pela integração.

CT: Essa integração estrutural parece fundamental para regiões emergentes. Por que essa evolução tem tanto peso para os investidores latino-americanos?

AS: Segundo a Chainalysis, a região registrou quase US$ 1,5 trilhão em volume de transações com criptomoedas entre julho de 2022 e junho de 2025. O Brasil lidera esse movimento, com US$ 318,8 bilhões em valor recebido e crescimento de 109,9% no período. Mais do que uma tendência de nicho, esses números mostram que as criptomoedas já se tornaram parte importante da vida financeira da região.

O motivo é simples: investidores latino-americanos historicamente enfrentaram grandes barreiras para acessar mercados globais. Câmbio caro, burocracia, acesso limitado a produtos internacionais, plataformas fragmentadas e custos que pesam ainda mais para quem começa com menos capital. Nesse contexto, as criptomoedas deixaram de ser apenas uma classe alternativa de ativos e tornaram-se uma ponte para oportunidades financeiras que antes pareciam distantes.

CT: Inclusão financeira é um tema recorrente, mas os custos transacionais frequentemente entram em conflito com esse objetivo. De que forma a indústria precisa se adaptar para lidar com essa realidade econômica?

AS: É por isso que a discussão sobre democratização precisa evoluir. Democratizar as criptomoedascriptooedas não significa simplesmente permitir que mais pessoas comprem tokens. Significa reduzir fricções, baixar custos, simplificar a experiência e criar um ambiente em que os usuários possam construir uma relação mais completa com seu próprio dinheiro.

O custo sempre foi um dos maiores obstáculos nessa jornada. As taxas de negociação podem parecer pequenas isoladamente, mas, na prática, funcionam como uma barreira silenciosa para milhões de usuários. Elas reduzem a margem de quem opera valores menores, desencorajam a experimentação e tornam o aprendizado mais caro. É por isso que iniciativas de taxa zero são importantes: elas removem um ponto concreto de fricção e tornam o mercado mais acessível para quem está começando.

CT: Além da redução de taxas, as preferências dos usuários apontam para uma gestão unificada de portfólio. Como as plataformas estão respondendo à crescente sobreposição entre ativos digitais e instrumentos financeiros tradicionais?

AS: O investidor moderno não quer transitar entre dezenas de plataformas para acessar oportunidades diferentes. Ele quer uma experiência simples, integrada e global. Quer negociar criptomoedas, buscar rendimento por meio de staking, explorar novos projetos e, cada vez mais, acessar ativos tradicionais dentro de uma estrutura digital-first.

É nesse ponto que a linha entre cripto e finanças tradicionais começa a se tornar difusa. O surgimento de ações tokenizadas e o acesso digital a produtos financeiros tradicionais ilustram uma convergência mais ampla em curso no setor.

Produtos como o RealStocks são um exemplo de como essa tendência vem sendo aplicada na prática. Para o usuário, a lógica é mais simples: combinar inovação tecnológica com ativos consolidados, de acordo com seu perfil, objetivos e apetite ao risco.

CT: Traduzir uma filosofia de produto tão ampla para a experiência cotidiana do usuário pode ser desafiador. Como a MEXC está estruturando seu ecossistema atual para tornar essa visão realidade?

AS: Na MEXC, essa visão é construída em torno da redução de custos, da ampliação da oferta de produtos e da simplificação do acesso. O programa 0 Fee reduz a fricção para entrar no mercado. Produtos como staking ajudam os usuários a explorar oportunidades de rendimento dentro do ecossistema. E soluções como o RealStocks reforçam a ideia de que cripto pode ser uma ponte para oportunidades financeiras mais amplas, e não apenas um mercado isolado.

No fim, democratizar cripto não significa transformar todo mundo em trader. Significa dar a mais pessoas acesso a ferramentas, mercados e produtos que antes eram restritos. O verdadeiro potencial do setor está justamente nisso: usar tecnologia para remover barreiras concretas e abrir uma nova camada de possibilidades financeiras para mais pessoas.

CT: Olhando para o futuro, como você enxerga que a maturidade do mercado impactará a forma como plataformas globais competirão pela fidelidade dos usuários no longo prazo?

AS: A próxima fase da competição não será apenas entre exchanges de criptomoedas. Será entre ecossistemas financeiros capazes de conectar usuários a múltiplas classes de ativos por meio de uma única experiência digital.

A maioria dos usuários não vai se importar se um ativo se originou no mercado tradicional ou no universo cripto. Eles vão se importar se esse ativo é acessível, transparente, barato e alinhado com seus objetivos financeiros. No fim, o futuro das finanças não está em escolher entre cripto e mercados tradicionais. Está em ampliar o acesso a ambos.

Esta publicação é fornecida pelo cliente. O texto abaixo é um comunicado de imprensa pago que não faz parte do conteúdo editorial independente da Cointelegraph.com. O texto passou por uma revisão editorial para garantir qualidade e relevância e pode não refletir as opiniões e pontos de vista da Cointelegraph.com. Os leitores são incentivados a realizar sua própria pesquisa antes de tomar qualquer ação relacionada à empresa. Divulgação.


Esta entrevista foi editada e condensada para maior clareza.

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