A CNN Brasil, subsidiária da CNN Internacional, um dos maiores portais de notícias do mundo, destacou o avanço das pirâmides financeiras de Bitcoin no Brasil.

Assim, em uma ampla reportagem sobre estes golpes, destacou a Unick Forex, que, segundo a CNN, é o maior golpe da história recente do Brasil.

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A reportagem revelou a história de uma investidora do Rio Grande do Sul que tinha o sonho de comprar uma casa própria e se livrar do aluguel.

Contudo, o sonho virou pesadelo e ao invés de morar em um "cantinho" só seu, a investidora perdeu todas as economias e tenta na Justiça recuperar algo.

“Até aquele momento, eu deixava meu dinheiro na poupança, como todo mundo. Mas eu queria comprar um terreno, construir uma casa. Meu objetivo nunca foi ficar milionária”, conta Joana (nome fictício) a CNN.

Ainda segundo a investidora ela somente "desconfiou" da empresa quando viu no noticiário que ela foi alvo da Operação Lamanai da Polícia Federal.

“Me disseram que, em seis meses, eu dobraria meu investimento. E, como as coisas estavam dando certo, sempre que o dinheiro chegava, eu reinvestia. Mas depois de alguns meses comecei a ter problema para realizar os saques. Começaram a postergar os pagamentos e usavam problemas técnicos da plataforma como desculpa. Quando a Operação Lamanai teve início, percebi que realmente precisaria entrar com um processo”, lembra.

Pirâmides aumentam

Ainda segundo a CNN, no levantamento mais recente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) sobre o tema, com dados referentes a 2019, 55% dos brasileiros que afirmaram ter perdido dinheiro em investimentos fraudulentos foram vítimas de pirâmides financeiras.

O motivo apontado pelos entrevistados para ter apostado nas propostas foi a “promessa de altas taxas de rendimento”.

Ainda segundo a reportagem a Associação em Defesa dos Direitos dos Investidores da Unick Forex (ADDI/Unick) reúne 369 vítimas do esquema.

“A empresa apresentava essa ideia de que prestava serviços de compra e venda de criptomoedas no mercado financeiro, mas isso era fachada. Eles diziam que em seis meses o investidor teria 200% de rendimento”, conta o advogado responsável pela ação coletiva, Demetrius Teixeira.

Vítimas não são ignorantes

Porém, ao contrário do que afirmam muitas pessoas, as vítimas de pirâmides financeiras não são ignorantes ou inocentes.

"Muito acontece por falta de informação. A pessoa não procura orientação nem mesmo em fontes acessíveis, como o gerente do próprio banco. Entre as vítimas da Unick há advogado, médico, muitos funcionários públicos e até contador. São pessoas que têm nível superior de formação”, conta Teixeira.

O mesmo ocorrem com Joana, do início do texto, que tem três especializações e mesmo assim acabou sendo vítima da Unick Forex.

“Eu tenho três especializações, não sou ignorante, não sou boba, mas aquilo era muito convincente. Ainda mais quando você vê pessoas instruídas, gente da área de finanças, investindo ali, você acredita que está tudo certo. Parecia tudo muito legalizado, a gente tinha acesso aos líderes do negócio”, lembra.

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