Resumo da notícia:
Juros e mercado tradicional empurram Brasil para tokenização de recebíveis.
Tokenização é alternativa para intermediação onerosa dos bancos tradicionais.
Blockchain permite que operação seja concluída em poucas horas, com custos menores do que os praticados em modelos convencionais, segundo executivo.
A tokenização de recebíveis pode reduzir até 38% os custos operacionais dessa modalidade de crédito no Brasil, solução em blockchain que elimina intermediários e desponta com alternativa aos juros no país, segundo análise feita esta semana por um especialista.
De acordo com o CEO da da tokenizadora brasileira BBChain, André Carneiro, o crédito no país para quem tem CNPJ de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) é caro. Nesse caso, André Carneiro citou dados dos Banco Central (BC), mostrando que a taxa média mensal de juros para pessoas jurídicas nas operações com recursos livres atingiu 1,83% ao mês em maio de 2025, o maior patamar desde janeiro de 2023 e o equivalente a mais de 24% ao ano apenas no crédito de capital de giro de curto prazo.
Para muitas PMEs, esse custo é simplesmente inviável, forçando empresas a recusar pedidos, paralisar expansões ou contrair dívidas impagáveis, emendou.
Os juros galopantes, por outro lado, também servem de mola propulsora para a tokenização de recebíveis se tornar uma das soluções mais promissoras para o mercado de crédito brasileiro, segundo ele.
Ao converter duplicatas, notas comerciais e outros direitos creditórios em tokens digitais registrados em blockchain, empresas conseguem captar recursos diretamente de investidores e sem a intermediação onerosa dos bancos tradicionais, com mais transparência e, em muitos casos, a taxas mais competitivas, argumentou.
O representante da BBChain salientou que a tokenização pode ser mais barata para as PMEs, pela eliminação de intermediários e automação de processos. A esse respeito ele citou dados do estudo Project Aurora, mostrando que a tokenização do crédito pode reduzir custos operacionais em até 38%, ao automatizar fluxos financeiros, consolidar registros e eliminar intermediários desnecessários. Enquanto isso, no modelo bancário tradicional, uma PME que precisa antecipar uma duplicata passa por análise de crédito, aprovação manual, tarifas de cartório, spread bancário e uma série de outros custos que encarecem a operação.
Na tokenização, esse mesmo recebível pode ser convertido em um token digital, registrado em blockchain e listado em uma plataforma regulada, onde é disponibilizado diretamente a investidores, lembrou André.
Ele também defendeu a adoção da blockchain ao argumentar que, com a redução de intermediários, burocracia e prazos, “a operação pode ser concluída em poucas horas, com custos significativamente menores do que os praticados em modelos convencionais de antecipação de crédito”. Isso porque as PMEs interessadas em tokenizar seus recebíveis precisam basicamente percorrer três etapas: identificação e validação dos recebíveis elegíveis; a escolha de uma plataforma autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para estruturar a operação; e a distribuição dos tokens a investidores. Segundo ele, plataformas e outras instituições autorizadas já oferecem esse serviço de ponta a ponta, integrando emissão, distribuição e liquidação em ambiente regulado.
André Carneiro ressaltou que, apesar do potencial de reduzir custos, a tokenização também exige cuidados por parte das PMEs, já que a empresa continua dependente do pagamento dos seus clientes, ou seja, se houver inadimplência, a operação pode ser afetada. Além disso, ele frisou que é preciso comprovar que os recebíveis são reais e estão regulares para que possam ser ofertados aos investidores e que, na prática,, a tecnologia pode facilitar o acesso ao crédito, mas demanda organização financeira e atenção às exigências legais.
De olho no avanço da blockchain no país, a Solana Brasil lançou o ‘pré-hackathon global’, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

