Durante um painel do evento Merge São Paulo, realizado nesta terça, 17, Pedro Barreiro, diretor de Banking da Nomad, detacou que o futuro do sistema financeiro para por ativos tokenizados e, por meio das stablecoins. A afirmação ocorre logo após o banco anunciar uma parceria com a Ripple, para o uso da Ripple Payments, em um sistema do banco que conecta os mercados do EUA e Brasil.
“O futuro passa por ativos tokenizados, especialmente no caso do dólar, por meio das stablecoins. Com as stablecoins, conseguimos melhorar significativamente a forma como movimentamos dinheiro, principalmente do ponto de vista de tesouraria. Isso permite oferecer serviços quase instantâneos, com recursos disponíveis onde e quando o cliente precisa”, afirmou.
De acordo com Barreiro, as transações cross-border, especialmente em mercados emergentes, são significativamente mais ineficientes do que em economias desenvolvidas.
Já em mercados consolidados, como o eixo dólar-euro, há alta liquidez, grande número de participantes e infraestrutura bem estabelecida, o que torna as operações mais rápidas, previsíveis e eficientes.
Além disso, segundo ele, há desafios relacionados à regulação. A movimentação de recursos entre países, bem como a manutenção de capital dentro ou fora das fronteiras, ainda enfrenta diversas restrições e ineficiências estruturais.
Essas limitações não serão totalmente eliminadas no curto prazo, mas podem ser significativamente reduzidas com o uso de stablecoins e ativos tokenizados. Quando consideramos stablecoins, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e outras formas de dinheiro tokenizado, surge uma nova alternativa de infraestrutura financeira mais eficiente.”, destacou.
Esse modelo, para o executivo, reduz a necessidade de intermediários tradicionais e elimina etapas complexas, como a abertura de contas bancárias em jurisdições estrangeiras, um processo que costuma ser burocrático, caro e altamente regulado.
Com uma carteira digital, é possível acessar uma infraestrutura global de forma mais simples e direta, mantendo uma experiência semelhante à dos sistemas financeiros tradicionais. Essa abordagem beneficia não apenas consumidores, mas também empresas e instituições financeiras, que passam a operar com mais eficiência, menor custo e maior agilidade. No fim, o avanço dessas soluções representa uma oportunidade concreta de resolver ineficiências históricas nos mercados emergentes, ampliando o acesso e a integração ao sistema financeiro global.
Usabilidade
Ao mesmo tempo, segundo o executivo, ssa transformação também cria desafios importantes para quem atua no setor. Muitas estruturas ainda estão profundamente enraizadas nas operações, nos modelos de negócio e até na forma como as instituições funcionam, o que torna mudanças mais complexas.
Ele também destaca também que apesar do avanço tecnológico, o principal desafio ainda não é técnico, mas sim de usabilidade. Ele relembra um dos episódios mais conhecidos do mercado cripto para ilustrar essa questão.
“Existe uma história bastante conhecida no mundo cripto: a do usuário que comprou duas pizzas com 10.000 bitcoins. No fundo, o objetivo era simples — gastar.”
Segundo ele, esse continua sendo o ponto central: transformar criptomoedas em ferramentas úteis no dia a dia.
“A questão não é cripto versus trilhos tradicionais. O ponto é: qual é a melhor forma de pagar por algo?”, afirma.
Para Barreiro, o mercado caminha para um modelo híbrido, no qual a tecnologia blockchain atua nos bastidores. Para ele, essa abordagem reduz fricção e melhora a experiência do usuário, sem exigir conhecimento técnico.
Desse modo, na visão do executivo, o timing será decisivo para bancos e fintechs. Ele acredita que as instituições que adotarem esse modelo desde agora terão vantagem competitiva relevante.
“À medida que esse modelo se torne dominante, as instituições que conseguirem se posicionar agora estarão liderando a próxima geração do sistema financeiro”, afirma.

