Cointelegraph
Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Em 5 anos criptomoedas já serão parte de todo o ecossistema financeiro do Brasil, defende gerente de produtos do Itaú

Executivos do Itaú e do BCP destacam que o futuro do sistema financeiro passa pela integração entre blockchain, regulação e experiência simplificada para o cliente.

Em 5 anos criptomoedas já serão parte de todo o ecossistema financeiro do Brasil, defende gerente de produtos do Itaú
Notícias

Nesta terça, 17, durante uma apresentação na abertura do evento Merge São Paulo, Larissa Moreira, gerente de produtos de ativos digitais do Itaú Unibanco, destacou que daqui a cinco anos, não estaremos mais discutindo se os ativos digitais farão parte do ecossistema financeiro já que isso será uma realidade consolidada.

O verdadeiro desafio hoje é outro: como alinhar esses ativos digitais com os sistemas regulatórios e com as infraestruturas que já existem. Já estamos vendo essa mudança acontecer. As discussões estão menos focadas em experimentação e mais voltadas para como desenvolver e integrar essa nova infraestrutura ao que já temos.Ou seja, o foco não é mais “se” vamos adotar, mas “como” vamos implementar de forma eficiente, segura e compatível com o ambiente regulatório.E, olhando para frente, em dois, três ou até cinco anos, provavelmente estaremos discutindo as lições aprendidas neste momento — especialmente sobre as decisões e os caminhos adotados em 2026.

Desse modo, ela apontou que criptomoedas, como o Bitcoin, deixaram de ser vistas apenas como investimento e passaram a ser encaradas como parte essencial da infraestrutura financeira, com potencial de transformar a forma como operamos.

Hoje, temos a oportunidade de enxergar o universo cripto não apenas como uma classe de ativos, mas como uma base tecnológica capaz de transformar o sistema bancário e financeiro — não só no Brasil, mas também em escala global”, disse.

Dinheiro cada vez mais fragmentado

Além disso, Larissa apontou que a tendência é que o dinheiro se torne cada vez mais fragmentado e que diante dessa realidade, o principal desafio para os bancos é justamente conseguir unificar essa complexidade.

A questão central passa a ser: como simplificar toda essa jornada para os clientes e, ao mesmo tempo, desenvolver uma experiência mais fluida, intuitiva e com menor custo? O objetivo é que o usuário final não precise se preocupar com a tecnologia por trás, seja o uso de stablecoins, blockchain ou qualquer outra infraestrutura. Tudo isso deve funcionar de forma transparente.

Nesse contexto, segundo ela, o grande desafio para as instituições financeiras é conseguir integrar diferentes camadas do ecossistema: múltiplos trilhos de pagamento, diferentes blockchains e diversas redes.

E, a partir dessa integração, entregar uma experiência única, simples e consistente para o cliente. Acredito que essa é, hoje, a principal missão que estamos desenvolvendo dentro do setor bancário.”, afirmou.

Larissa também afirmou que a confiança dos clientes nas instituições continua sendo o elemento central. Para os clientes, a relação com o banco é fundamental. E, para as instituições, preservar essa relação é tão importante quanto inovar e, segundo ela, essa relação inclui processos como KYC, compliance, análise de clientes, estrutura de produtos e todas as exigências regulatórias.

E, deste modo, para os bancos, a custódia se tornou um elemento central assim como os trilhos de pagamento, os processos e a oferta de novos produtos.

No caso do Itaú, por exemplo, fomos um dos primeiros a desenvolver uma solução interna de custódia, entendendo que essa é uma peça essencial da infraestrutura que queremos oferecer aos clientes. A custódia é um pilar importante para sustentar a confiança. No entanto, ela é apenas uma parte de um conjunto maior. Precisamos continuar desenvolvendo produtos, processos e integrações que fortaleçam todo o sistema como um todo.

Ninguém precisa saber que há blockchain no processo

Já Alvaro Rosenblüth, gerente de tesouraria e câmbio do Banco de Crédito da Bolívia, apontou que a Bolívia passou por uma crise estrutural bastante severa na qual houve uma escassez de dólares no país e tanto empresas como pessoas passaram a ter limitações no acesso a serviços financeiros básicos.

Diante disso, o banco iniciou um processo de transformação criando uma nova infraestrutura que permitisse aos nossos clientes continuar acessando serviços financeiros globais.

O que fizemos foi transformar toda essa infraestrutura complexa em algo simples: um produto digital que funciona exatamente como um cartão tradicional de três partes. Ou seja, mantivemos a experiência que eles já conheciam.Na prática, abstraímos toda a complexidade tecnológica. O cliente continuou utilizando o mesmo tipo de produto, sem precisar entender o que estava acontecendo por trás.Internamente, sim, utilizamos blockchain. Mas isso ficou invisível para o usuário final. Essa integração silenciosa foi um dos principais fatores do nosso sucesso no BCP.Os números mostram isso com clareza. Antes, tínhamos cerca de 20 mil credores ativos. Com a parceria cripto e a implementação dessa solução, alcançamos 100 mil cartões emitidos”, apontou.
A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://br.cointelegraph.com/editorial-policy