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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Superaplicativos se tornam lucrativos e expandem o mercado de criptomoedas

Múltiplos ativos, pagamentos, tokenização, inteligência artificial e integrações sociais estão levando os criptoativos a outro patamar

Superaplicativos se tornam lucrativos e expandem o mercado de criptomoedas
Notícias

De acordo com um relatório recente da Binance Research, o mercado de criptomoedas está entrando em uma fase em que o crescimento não se limita mais à negociação à vista, por exemplo.

A expansão para múltiplos ativos, pagamentos, tokenização, mercados de eventos, inteligência artificial e integrações sociais está ampliando a presença dos criptoativos para áreas que, antes, não faziam parte do mesmo ambiente. 

Existe uma preferência do usuário para ter uma interface única onde identidade, saldo e todo o leque de atividades financeiras coexistem. Essas são as características básicas de um superaplicativo financeiro que, atualmente, é compreendido como uma camada de agregação. 

Figura: o caminho para os superaplicativos financeiros é impulsionado pela convergência.

Durante a maior parte de sua história, o setor de criptomoedas competiu principalmente por participação na negociação. Esse não é mais o cenário. Pagamentos, ativos do mundo real (RWAs),  inteligência artificial, entre outros, agora operam em escala significativa na infraestrutura de cripto, o que significa que o mercado endereçável está se expandindo. A tese do superaplicativo é a expressão dessa mudança em nível de produto.

O tamanho do mercado justifica a criação de um superaplicativo financeiro. Em linhas gerais, o mercado global de serviços financeiros gira em torno de US$ 36 trilhões, o de pagamentos em US$ 788 bilhões e o de plataformas sociais em US$ 208 bilhões. As exchanges de criptomoedas movimentam cerca de US$ 55 bilhões. Mesmo uma participação modesta nesses novos mercados representa um montante muito maior do que a base atual. 

Superapps com cripto

A lógica dos superaplicativos existe no mundo das criptomoedas há anos. A diferença é que o espaço de produtos adjacentes agora é grande o suficiente para que a agregação seja lucrativa. Em ciclos anteriores, a negociação era madura, mas essa camada era frágil. As stablecoins - criptomoedas que têm o valor pareado ao de moedas fiduciárias como o dólar - eram pequenas. Os ativos tokenizados eram conceituais, as plataformas de pagamento não eram institucionais e o perímetro regulatório não suportava um amplo conjunto de produtos. Cada uma dessas restrições foi flexibilizada. 

Em particular, as stablecoins são a ponte mais clara. Elas transformam o saldo em algo mais versátil do que uma garantia para negociação. O mesmo saldo em dólares pode financiar negociações, realizar transferências internacionais, liquidar pagamentos, gerar rendimento ou acessar ativos tokenizados. A oferta circulante de stablecoins ultrapassou US$ 320 bilhões, e o volume mensal on-chain atingiu US$ 7,2 trilhões, superando inclusive a rede ACH dos EUA no início deste ano.

Segundo dados da CryptoQuant, as reservas de stablecoins da Binance são de US$ 45,5 bilhões, elevando a participação da exchange para mais de 68% de todas as reservas de stablecoins mantidas em corretoras. 

A regulamentação acompanhou essa evolução. O presidente da SEC, Paul Atkins, descreveu o modelo de superaplicativo, no qual um amplo conjunto de produtos pode estar sob uma única licença, como consistente. Isso é importante porque amplia a gama de produtos que podem, de forma confiável, estar dentro da mesma interface sem a necessidade de entidades legais separadas.

Figura: Os componentes básicos dos superaplicativos financeiros baseados em criptomoedas estão se expandindo.Nota: Os números de adoção são indicativos e apresentados para destacar as tendências direcionais do período em análise; Fonte: Crypto.com, Tripe-A, Artemis, DeFiLlama, SensorTower, Binance Research

Liquidez

As plataformas mais bem posicionadas para funcionar como um superaplicativo são aquelas que já possuem relacionamento com o usuário e com o financiador. As exchanges de criptomoedas atuam no ponto de entrada, retenção e aplicação do capital. Elas combinam liquidez, execução, custódia de saldo e distribuição em uma única plataforma, e essa combinação é difícil de replicar. 

A liquidez garante que novos serviços sejam lançados com mais facilidade. Os saldos são importantes para que os usuários não precisem movimentar fundos em lugares distintos. A distribuição permite que a rentabilidade das vendas cruzadas melhore quando a base instalada já é grande. O relacionamento de financiamento é relevante porque quem detém o saldo está em melhor posição para direcionar a próxima ação. 

A estrutura dos SuperApps financeiros também possui muitas camadas diferentes. Um ponto a ser destacado é que as plataformas sociais detêm a atenção, mas carecem de profundidade em serviços financeiros, com exceção de algumas plataformas asiáticas. Cada coluna tem seus pontos fortes; poucas abrangem toda a estrutura em um único lugar, mas as corretoras de criptomoedas são uma das poucas que atuam em todas as camadas.

Figura: Matriz de cobertura da pilha de Superaplicativos Financeiros Nota: Dados ilustrativos e não devem ser interpretados como uma medida absoluta; Fonte: Pesquisa da Binance

Integração

O estado final integrado, relativamente alto em ambos os aspectos, é ocupado por alguns dos superaplicativos tradicionais, como WeChat e Alipay. Em particular, a Binance detém a posição mais forte, com uma presença relativamente alta junto ao consumidor graças ao Square e aos lançamentos recentes em IA e chat, enquanto fintechs como a Revolut demonstram uma forte profundidade em suas estruturas financeiras. 

A questão fundamental é comportamental. O superaplicativo precisa se tornar suficientemente útil, e frequente, para manter os usuários em um único ambiente. Para as criptomoedas, a dúvida é se alguma das plataformas atuais pode desempenhar esse papel de âncora em escala de consumo.

A via de pagamentos é o vetor inicial mais plausível. Os pagamentos com stablecoins, em 2025, atingiram aproximadamente US$ 390 bilhões, um aumento de mais de 100% em relação ao ano anterior, com pagamentos B2B em stablecoins crescendo 733% e gastos com stablecoins vinculados a cartões aumentando 673%. A ressalva é que os usuários finais ainda representam apenas cerca de 5% do volume total de stablecoins on-chain, com a maior parte do fluxo ainda concentrada em negociação, tesouraria e liquidação. O lado da oferta está se movendo mais rápido do que o lado da demanda, o que representa uma oportunidade, e não uma refutação.

Dois dos maiores obstáculos à adoção de criptomoedas são a complexidade e o isolamento. A interface do produto pode ser  difícil para novos usuários e o uso individual não se reforça da mesma forma que produtos baseados em redes sociais ou feeds. A IA pode reduzir o primeiro obstáculo. Os recursos sociais podem reduzir o segundo. O sucesso dos superaplicativos de criptomoedas dependerá tanto dessas camadas de engajamento quanto do próprio conjunto de produtos financeiros.

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