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Marcel Pechman
Escrito por Marcel Pechman,Redator
Ray Salmond
Revisado por Ray Salmond,Editor da Equipe

Alta dos rendimentos dos Treasuries dos EUA, guerra no Irã e risco inflacionário pressionam o preço do Bitcoin

A queda nas ações de tecnologia e a alta nos rendimentos dos títulos forçaram uma corrida por liquidez, impedindo o Bitcoin de ganhar qualquer impulso de alta.

Alta dos rendimentos dos Treasuries dos EUA, guerra no Irã e risco inflacionário pressionam o preço do Bitcoin
Análise de mercado

Principais pontos:

  • Investidores venderam ouro e títulos para levantar caixa, enquanto a alta do petróleo impulsionada pela guerra e a inflação forçaram uma postura defensiva no mercado.

  • Rendimentos em alta e uma probabilidade de 20% de aumento de juros indicam um cenário mais restritivo, deixando o Bitcoin vulnerável em meio ao crescimento da dívida dos EUA.

O Bitcoin (BTC) voltou a testar o suporte de US$ 67.500 na segunda-feira, movimento que coincidiu com a maior correção do ouro em mais de 50 anos. O medo de uma guerra prolongada envolvendo o Irã e o impacto inflacionário do petróleo acima de US$ 85 levaram investidores a reduzir risco.

Rendimento dos títulos do Tesouro americano de 5 anos (esquerda) vs. Ouro/USD (direita). Fonte: TradingView

Os títulos do Tesouro dos EUA também sofreram vendas nesse período, sugerindo que traders aumentaram agressivamente suas posições em caixa. Os rendimentos dos Treasuries de 5 anos subiram para 4,10%, o maior nível em nove meses, à medida que investidores exigiam retornos maiores. Com o S&P 500 atingindo seu menor nível em mais de seis meses, os dados indicam uma corrida generalizada por liquidez.

Caixa é rei em meio à incerteza econômica, enquanto o Bitcoin enfrenta risco de queda

Investidores parecem estar levantando caixa tanto para cobrir perdas recentes quanto para se preparar para novas quedas nos mercados de risco.

Bitcoin/USD (esquerda) vs. futuros do S&P 500 (direita). Fonte: TradingView

A guerra no Irã elevou o preço do petróleo acima de US$ 90, gerando pressão inflacionária. O Wall Street Journal reportou que os EUA planejavam enviar cerca de 3.000 soldados ao Oriente Médio para conter a influência iraniana no Estreito de Ormuz. Parte da queda no preço do ouro provavelmente está ligada à redução das expectativas de afrouxamento monetário no curto prazo.

Probabilidades das metas de taxa de juros para a reunião do FOMC de julho. Fonte: CME FedWatch Tool

Os futuros do mercado de títulos indicaram que a probabilidade implícita de o Federal Open Market Committee (FOMC) elevar os juros até julho saltou para 20,5%, contra 0% apenas uma semana antes. Investidores também antecipam um enfraquecimento do mercado de trabalho, já que juros elevados continuam reduzindo incentivos à expansão corporativa.

Ações de tecnologia caem enquanto inflação pressiona consumidores

Legisladores dos EUA debateram um pacote adicional de US$ 200 bilhões para financiar a guerra no Irã, segundo o The Washington Post. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, afirmou que US$ 12 bilhões já foram gastos. O Congresso não autorizou formalmente a guerra e cresce o desconforto com a estratégia militar, segundo a Associated Press.

Enquanto isso, a dívida nacional dos EUA ultrapassou US$ 39 trilhões, intensificando a pressão sobre o custo de vida. Também surgiram preocupações sobre excesso de investimento especulativo no setor de inteligência artificial após a Reuters reportar que a OpenAI ofereceu a fundos de private equity um retorno mínimo garantido de 17,5%, mesmo ainda sendo amplamente não lucrativa.

Desempenho das ações de tecnologia. Fonte: TradingView

Algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo registraram quedas de 10% ou mais nas últimas seis semanas, incluindo Google, Meta e IBM. Assim, apesar da forte correção no ouro, investidores passaram a temer cada vez mais uma recessão ou uma inflação acima dos retornos fixos de 4%.

A combinação de queda nas ações e pressão inflacionária persistente explica por que investidores estão buscando agressivamente a segurança do caixa.

Independentemente de métricas onchain favoráveis ao Bitcoin, o cenário macroeconômico segue desfavorável para uma alta sustentável. A queda do ouro enquanto títulos são vendidos reforça o ambiente de aversão ao risco. A possibilidade de um novo teste dos US$ 66.000 permanece relevante, ao menos enquanto inflação e custos de guerra mantiverem a política monetária restritiva por mais tempo.

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