A Ripple revelou nesta terça, 17, ao Cointelegraph Brasil, durante uma reunião em sua sede em São Paulo, que vai entrar com pedido junto ao Banco Central para se tornar uma Provedor de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs).
De acordo com a empresa a licença é necessária para alguns produtos atuais da Ripple Payments, que envolvem o mercado de câmbio e para novos serviços que a empresa vai lançar no Brasil, como custódia.
“A América Latina sempre foi um mercado prioritário para a Ripple, não só pela magnitude da oportunidade, mas porque o Brasil construiu um dos ecossistemas financeiros mais avançados e inovadores do mundo”, afirmou Monica Long, presidente da Ripple. "Passamos mais de uma década construindo a confiança, obtendo as licenças e desenvolvendo a tecnologia necessárias para operar em mercados regulamentados. Agora, com nossa plataforma ampliada, podemos atender instituições em toda a região com tudo o que elas precisam para competir no sistema financeiro moderno.”
A Ripple informou ainda que planeja lançar no Brasil o Ripple Custody, solução voltada à guarda de ativos digitais. O produto inclui opções de cold wallet e hot wallet e integra ferramentas de monitoramento de transações, além de suporte a staking em redes Proof-of-Stake.
No país, a stablecoin RLUSD já aparece listada em algumas exchanges e fintechs, como Mercado Bitcoin, Foxbit, Ripio, Braza Bank, Banco Genial e Attrus. A proposta é ampliar o uso do ativo em operações institucionais e pagamentos.
Entre os produtos da empresa também estão o Ripple Prime, voltado a serviços financeiros institucionais após a aquisição da corretora Hidden Road, e o Ripple Treasury, focado em gestão de liquidez, pagamentos e risco em tempo real.
Essas soluções fazem parte da estratégia da empresa de ampliar sua atuação no Brasil com infraestrutura voltada ao mercado financeiro digital.
Ecossistema digital
Aaron Slettehaugh, SVP of Product da Ripple, explicou durante um encontro com a imprensa, que no início, a Ripple surgiu com um foco específico: facilitar pagamentos, especialmente transfers internacionais. No entanto, a empresa ouvido dos clientes que eles não queriam depender de vários fornecedores para diferentes partes da operação.
“Em vez de contratar uma empresa para pagamentos, outra para custódia e outra para liquidação, os clientes buscam uma solução integrada. Essa demanda é ainda mais forte entre bancos. Enquanto fintechs têm um perfil mais voltado à construção e conseguem desenvolver parte da infraestrutura, elas também preferem concentrar esforços no próprio negócio, sem precisar montar toda a base tecnológica”, disse.
De acordom com ele, este novo ‘hub’ de solução com custodia, stablecoins, tokenização e até swap de ativos, pretende reduzir complexidade operacional e focar em serviços de maior valor, como crédito, produtos estruturados e soluções baseadas em ativos digitais, incluindo depósitos tokenizados e stablecoins.
O diferencial estaria justamente nessa integração. Em vez de operar com múltiplos sistemas desconectados, a proposta é consolidar pagamentos, câmbio e liquidação em uma única estrutura”, disse.

