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Escrito por Cassio GussonRedatorRevisado por Lucas CaramEditor

Criptomoedas: Sargento da PM é preso por movimentar US$ 72 milhões para o Comando Vermelho

Últimas NotíciasPublicado24 de abr. de 2026

Operação revela uso de ativos digitais no financiamento do tráfico e expõe falhas de fiscalização no setor

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A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (23), um sargento da Polícia Militar do Amazonas suspeito de operar um esquema milionário de movimentação de criptomoedas ligado ao tráfico de drogas. A ação ocorreu em São Paulo e também resultou na prisão de um cidadão venezuelano apontado como operador financeiro do grupo.

Segundo a investigação, Roosevelt Moraes Pires Júnior e Ramon Arturo Badillo Carrasco comandavam uma casa de câmbio (que operava com cripto) em Manaus utilizada para lavar dinheiro do crime organizado. O foco da operação foi desarticular o núcleo financeiro ligado ao Comando Vermelho, uma das maiores facções do país.

De acordo com a Polícia Federal, a dupla movimentou cerca de US$ 72 milhões em criptomoedas, valor que supera R$ 400 milhões na cotação atual. Além disso, os investigadores identificaram o recebimento de aproximadamente R$ 3 milhões em espécie provenientes de integrantes da facção criminosa.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam cerca de US$ 5 milhões em ativos digitais. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e autorizou três prisões preventivas e mandados de busca e apreensão.

Estrutura financeira clandestina

As apurações indicam que a empresa utilizada no esquema funcionava sem autorização do Banco Central e atuava como uma ponte entre o tráfico de drogas e o sistema financeiro digital. O grupo recebia valores ligados ao transporte de entorpecentes e convertia esses recursos em criptomoedas.

A investigação também aponta que o esquema facilitava pagamentos diretos a membros da facção, inclusive lideranças. Nesse contexto, as criptomoedas funcionavam como ferramenta de liquidação rápida e com menor dependência do sistema bancário tradicional.

Um terceiro investigado, Kelisson Rego da Silva, conhecido como “Loirinho”, segue foragido. A polícia o identifica como um dos líderes do grupo criminoso e afirma que ele utilizava contas vinculadas à casa de câmbio para receber pagamentos do tráfico.

A operação, batizada de Operação Torre 7, foi coordenada pela Ficco-AM, que reúne forças estaduais e federais no combate ao crime organizado.

As autoridades concentraram todas as medidas judiciais na capital paulista, onde cumpriram os mandados e realizaram as prisões. A escolha do local reflete o uso de centros financeiros mais estruturados para operacionalizar o fluxo de recursos ilícitos.

O caso reforça um movimento crescente de uso de criptomoedas por organizações criminosas. Ao mesmo tempo, amplia a pressão por maior regulação e fiscalização de plataformas que operam fora do sistema financeiro tradicional no Brasil.

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