O Brasil vive uma "pandemia" de golpes com Bitcoin e criptomoedas, segundo revelou uma reportagem da CNN Brasil.

Porém, ainda segundo a reportagem, o coronavírus assentou os golpes e fraudes.

Assim, do início do ano até agora, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já abriu 213 processos de investigação contra supostos golpes e, muitos deles, envolvendo Bitcoin e criptomoedas.

Golpes batem recorde no Brasil

Assim, segundo José Alexandre Vasco, superintendente de proteção aos investidores da CVM, 2020 deve bater o recorde de golpes denunciados a autarquia

“Estou no mesmo cargo há 15 anos e esse é um crescimento ímpar na história da CVM, não há precedentes. O número é impactante. A pandemia acelerou  aumento e, provavelmente, teremos um recorde [das atividades irregulares e/ou criminais] neste ano”, diz 

Desta forma, segundo a CNN em relação a 2015, o número parcial de 2020 chega a ser sete vezes maior.

“No geral, épocas assim trazem um maior número de golpes, por conta da própria crise. Há aqueles desesperados em busca de ‘oportunidades’ e os fraudadores se dedicam ainda mais a esses ‘empreendimentos’ em busca do dinheiro”, explica.

Golpe "da moda"

Ainda segundo Vasco, os golpes e pirâmides financeiras seguem a "modinha" do momento.

Desta forma, muitos acabam usando Bitcoin e criptomoedas pois os criptoativos tem sido o tema "quente" do momento.

Assim, o superintendente da CVM explica que, desde o final da década de 1970, foi possível observar “ondas” de temas usados como fachada para conferir uma impressão de legitimidade aos esquemas fraudulentos.

"Em 2007, houve uma “explosão” de investigações sobre empresas que trabalhavam com mercado Forex (mercado com moeda estrangeira) e opções binárias, ou que apenas afirmavam operar nesses setores, mas, na verdade, eram pirâmides. Na época, o escândalo que ficou mais conhecido foi o da Telexfree, com número de vítimas estimado na casa dos milhões", destaca a reportagem.

Aversão ao Risco

Ainda segundo declarou Vasco a reportagem com a economia patinando o momento passa a ser favorável às aplicações de risco.

“Os investidores estão procurando ativos de maior risco, entrando na renda variável. Claro, a maior parte vai para o mercado regulado de capitais, mas uma parte dessa demanda encontra produtos fora do sistema e acaba sendo vítima de esquemas”, explica Vasco, da CVM.

Porém, isso acaba colocando os investidores mais propensos a cair neste tipo de golpe.

“A taxa de juros baixa, somada a uma certa desinformação da população sobre o mercado financeiro, criou uma combinação que contribui para o aumento dos golpes.”

Assim, como adiantou o Cointelegraph, a CVM já está realizando uma pesquisa para entender melhor o perfil das novas vítimas de esquemas de pirâmide e outras fraudes comuns.

“O que posso dizer é que, de fato, existe um perfil novo de pessoas de tecnologia em busca de risco, que são vítimas de golpes”, afirma Vasco.

LEIA MAIS