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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Do dinheiro ao blockchain: o novo mapa econômico que emerge na América Latina

As finanças descentralizadas e o uso crescente de criptomoedas na região estão transformando o acesso ao sistema financeiro para latino-americanos historicamente excluídos do sistema bancário tradicional.

Do dinheiro ao blockchain: o novo mapa econômico que emerge na América Latina
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No dia 29 de abril, Paulo Aragão country Manager do Cointelegraph Brasil e host do podcast Giro Bitcoin, participará como convidado de um webinar para jornalistas promovido pela Latam Intersect, em parceria com Raphael Veleda e Victor Barboza, com início às 11h.

O debate vai aprofundar como o mercado de criptomoedas na região atingiu US$ 162,1 bilhões em 2024 e projeta alcançar US$ 442,6 bilhões até 2033, com uma taxa de crescimento anual de 10,93%, segundo dados do IMARC Group. Por trás desses números, há algo mais profundo do que a especulação financeira: uma resposta pragmática de milhões de pessoas à exclusão, à inflação e à desconfiança nas instituições.

No Brasil, as transações com protocolos DeFi já representam mais de 30% do volume total de cripto, de acordo com dados da Chainalysis.

Na Argentina, o peso acumulou uma desvalorização superior a 30% em apenas 12 meses, impulsionando a adoção massiva de stablecoins como USDT e DAI como reserva de valor; na Colômbia, cerca de 6 milhões de cidadãos utilizam atualmente criptomoedas ou plataformas relacionadas, segundo a Câmara Colombiana de Comércio Eletrônico, posicionando o país entre os cinco mercados com maior adoção cripto da região, enquanto o Congresso avança em um marco regulatório que busca dar segurança jurídica a esse ecossistema em expansão.

Já no México, onde as remessas superaram US$ 64 bilhões no primeiro quadrimestre de 2025, o uso de stablecoins em plataformas descentralizadas reduziu as taxas de envio de 7% para 2,5%, consolidando a criptomoeda não mais como um ativo de nicho, mas como infraestrutura cotidiana.

DeFi: finanças sem permissão

As finanças descentralizadas (DeFi) são talvez a mudança mais silenciosa e, ao mesmo tempo, mais disruptiva que atravessa a região. Baseadas em contratos inteligentes que automatizam operações sem bancos nem intermediários, permitem que qualquer usuário com acesso à internet possa poupar, contratar crédito ou transferir dinheiro em minutos. O valor total bloqueado em protocolos DeFi no mundo atingiu US$ 154 bilhões em 2025, segundo a DeFiLlama.

Para uma região onde, de acordo com o Banco Mundial, uma parcela significativa da população ainda não tem acesso a uma conta bancária, isso não é um dado menor. A adoção de criptomoedas entre consumidores digitais na América Latina já varia entre 15% e 18%, segundo a Americas Market Intelligence.

“O que estamos vendo na América Latina é uma reconfiguração do contrato social com o dinheiro. DeFi e criptomoedas não chegam para substituir os bancos, chegam porque os bancos nunca chegaram. A narrativa mudou, e os meios começam a entender isso: já não é mais a notícia sobre o Bitcoin subir ou cair, mas a história da mulher latino-americana que protege suas economias em USDT ou do empreendedor que acessa crédito sem pisar em uma agência”, explica Roger Darashah, cofundador e sócio da LatAm Intersect.

A transformação não é apenas tecnológica, mas também narrativa. Durante anos, o ecossistema cripto foi tratado pela imprensa como um fenômeno de alto risco, associado à volatilidade extrema ou a escândalos como o colapso da FTX. Hoje, o discurso começa a se deslocar para casos de uso concretos: remessas mais baratas, acesso a retornos em economias com taxas de poupança negativas e proteção contra a desvalorização.

“É importante destacar que, embora o cenário pareça eufórico, a volatilidade dos mercados cripto continua sendo um risco, especialmente para usuários com pouca margem de erro. A desigualdade digital e a falta de educação financeira em tecnologia representam barreiras relevantes. Ataques a protocolos DeFi já geraram perdas milionárias, e a incerteza regulatória cria fricções para a adoção institucional. A promessa da inclusão financeira descentralizada dependerá, em última instância, do quanto essas ferramentas serão acessíveis e seguras para quem mais precisa”, enfatiza Darashah.

Tokenização de ativos

A tokenização de ativos, a integração de inteligência artificial em protocolos DeFi (o chamado DeFAI) e a expansão de stablecoins em moedas locais — com iniciativas vinculadas ao peso colombiano, ao real brasileiro e ao peso mexicano — apontam as tendências que devem definir a próxima fase desse cenário na América Latina.

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