O universo das finanças descentralizadas (DeFi) vem sendo apontado como uma dos setores mais promissores do ecossistema de criptoativos inclusive com grande potencial para mudar as finanças tradicionais.

O Banco Central do Brasil (BC) é uma das instituições que acredita no DeFi e em sua capacidade de ajudar a moldar o sistema financeiro do futuro, tanto que vem debatendo que o Real Digital deve se um tipo de token de uma grande plataforma de serviços financeiros integradas com DeFi, no que o BC vem chamando de "dinheiro programável".

Contudo, se por um lado os protocolos de DeFi vem ajudando a moldar a história do sistema financeiro do futuro, por outro, vem sendo o principal lar de golpes no setor de criptomoedas.

Segundo dados divulgados pelo CipherTrace golpes com DeFi representam 99% de todas as fraudes no universo das criptomoedas, sendo que os hacks em protocolos de DeFi responsável por 60% de volume de fraudes.

Porém, de acordo com a empresa, cerca de 25% das fraudes estão relacionadas a golpes de chamados "Rug pulls" no qual os desenvolvedores do projeto desaparecem com o dinheiro dos investidores após o lançamento público do mesmo.

"O DeFi rug pulls é uma nova forma de golpe, por meio do qual os desenvolvedores abandonam um projeto e fogem com os fundos dos investidores, retirando do mercado o suporte de compra ou o pool de liquidez da DEX", revela a empresa.

 

Golpes

"Estes golpes ocorrem no ecossistema DeFi, especialmente em exchanges descentralizadas (DEXs), como Uniswap ou Sushiswap, pois os criadores de tokens fraudulentos são capazes de criar e listar tokens gratuitamente sem auditoria", disse

A empresa destaca o caso da Compounder Finance que teve cerca de US$ 10,8 milhões em fundos de investidores roubados. No caso, a Compounder Finance teve seus contratos drenados de US$ 750.000 em WBTC, US$ 4,8 milhões em ETH, US$ 5 milhões em DAI e uma pequena variedade de outros tokens. 

Embora os contratos tenham sido auditados anteriormente, a equipe trocou os contratos seguros e auditados e os substituiu por contratos maliciosos que lhes permitiram roubar fundos de investidores.

Outro incidente envolve o Meerkat Finance , um projeto DeFi que roubou US$ 31 milhões em criptomoedas. Em seu canal oficial do Telegram, a equipe afirmou que seu cofre de contrato inteligente foi comprometido.

No Brasil

No Brasil, o desenvolvedor português Alex Gomes Coelho, vem sendo acusado pela comunidade de criptomoedas e por seus parceiros de projeto de ter enganado todos seus pares e sumido com toda a liquidez do projeto de DeFi, Ecomoto.

O projeto, que entre outros, contava com o brasileiro Gedson Diego dos Santos que havia sido contratado para fazer o marketing do projeto, havia captado mais de R$ 600 mil durante uma rodada privada de pré-venda do token. Construído na BSC e negociado na PancakeSwap o token já havia movimentado mais de R$ 7 milhôes na DEX em 6 dias de negociações.

Contudo na madrugada desta terça, 26, Diego e os demais integrantes do projeto notaram alterações no token e a queda da liquidez para negociação do token na Pancake. Preocupados acreditando que se tratava de um ataque hacker entrararam em contato com Alex mas foram surpreendidos ao notarem que todas as contas dele nas rede sociais haviam sido apagadas.

Segundo relatou Diego dos Santos ao Cointelegraph, tanto o Telegram quanto o WhatsApp, e-mail e demais contatos com o desenvolvedor português foram excluídos.

"Ele sumiu, evaporou. Como muitas coisas nesse mundo digital nosso contato era apenas digital, proveniente de diversos grupos que faziamos parte. Mas agora ele simplismente evaporou", disse.

Porém antes de 'sumir' o desenvolvedor usou a função "Claim Dividend" e desativou a liquidez do projeto, não sendo mais possível vender os tokens. Além disso, removeu o site do projeto e também todos os grupos do Telegram.

"Ele era o desenvolvedor e controlava tudo. A equipe era dividida e eu cuidava do marketing e da conversa junto com exchanges e os provedores de preço", revelou Diego.

O brasileiro relata ainda que, com o possível golpe, está sendo ameaçado de morte por investidores e iinfluencers que acreditaram no projeto.

"Eu acabei sendo o rosto da Ecomoto e vinha fazendo muitas conversas com influencers, investidores, reguladores, empresas para impulsionar o crescimento do projeto. Agora estas pessoas estão me cobrando e algumas até me ameaçando", disse.

Diego afirmo que vai procurar a delegacia de crimes cibernéticos para registrar um Boletim de Ocorrência sobre o caso. No momento da publicação desta materia a liquidez no pool dentro da PancakeSwap havia sido reestabelecida.

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