
Coldcard emite alerta após vazamento de US$ 38 milhões em carteiras de Bitcoin
A Coinkite orientou os usuários da Coldcard Mk3 a transferirem seus fundos após identificar um possível problema na geração das frases-semente, enquanto especialistas investigam separadamente o desaparecimento de US$ 38 milhões em carteiras de Bitcoin.

A Coinkite, fabricante canadense de hardware para Bitcoin, alertou os usuários de seu dispositivo de assinatura Coldcard Mk3 para que transfiram fundos de carteiras cujas frases-semente foram geradas em firmwares afetados.
Na quinta-feira, a Coinkite afirmou que as sementes criadas em um Mk3 com a versão de firmware 4.0.1, lançada em março de 2021, ou qualquer versão posterior do Mk3, podem colocar os fundos em risco. O problema se estende até a versão 5.0.3, a versão final do firmware compatível com o Mk3, enquanto os modelos Mk4, Q e Mk5 não são afetados, de acordo com a análise inicial da empresa.
O alerta surge enquanto especialistas em segurança do Bitcoin examinam uma varredura coordenada e inexplicável envolvendo 594,48 BTC de endereços com assinatura única. Ainda assim, nenhuma evidência pública definitiva estabeleceu que o problema Mk3 tenha causado essas transferências.
“Por precaução”, a Coinkite recomendou aos usuários afetados que gerassem uma nova seed em um dispositivo não afetado, verificassem o endereço de backup e recebimento, enviassem uma pequena transação de teste e somente então transferissem os fundos restantes. A empresa afirmou que a investigação está em andamento e prometeu uma revisão técnica formal.
A Coinkite afirmou que sua análise inicial indica que as sementes afetadas usadas com uma senha BIP-39 enfrentam risco mínimo, ressaltando que isso se refere a uma senha e não ao PIN do Coldcard.
Especialistas examinam varredura de 594 BTC
A operação chamou a atenção depois que um usuário do Reddit afirmou que fundos haviam sido drenados de uma carteira cuja seed foi gerada em um cartão Coldcard Mk3 comprado em maio de 2021.
O usuário afirmou que a seed foi posteriormente restaurada em um Coldcard Mk4 em janeiro de 2026, o que significa que ela foi inserida em um segundo dispositivo. A denúncia foi feita pelo próprio usuário e não estabelece nenhuma ligação entre o Coldcard e o esquema de fraude em geral.
Em uma análise preliminar publicada na sexta-feira, o CEO e cofundador da AnchorWatch, Rob Hamilton, afirmou que 1.324 saídas de transações não gastas foram distribuídas em 500 transações dentro de uma janela de três blocos, movimentando 594,48 BTC.
No momento da redação deste texto, os 594,48 BTC valiam cerca de US$ 38,3 milhões, com base no preço do Bitcoin de US$ 64.364,07, de acordo com o CoinGecko.
Hamilton afirmou que todos os endereços envolvidos eram de assinatura única e que 562 BTC foram posteriormente consolidados em outro endereço. "À primeira vista, parece que houve uma falha de entropia na geração da carteira em algum ponto do processo", escreveu ele.
Em declaração separada, o CEO da Wizardsardine, Kevin Loaec, afirmou que sua hipótese atual é que um gerador de números aleatórios de baixa entropia, possivelmente em uma biblioteca de software, elemento seguro ou lote específico de dispositivo ou versão de firmware, produziu sementes de carteira com aleatoriedade insuficiente.
Ele sugeriu que um atacante que conhecia a falha pode ter usado um script gerado por IA para realizar um ataque de força bruta nas carteiras afetadas, mas que pesquisou apenas um conjunto limitado de caminhos de derivação BIP-84. Isso poderia explicar por que a varredura parece concentrada em endereços SegWit nativos e por que algumas carteiras foram apenas parcialmente esvaziadas, embora Loaec tenha enfatizado que a teoria permanece não confirmada.
Loaec alertou que, se sua hipótese estiver correta, carteiras que foram apenas parcialmente esvaziadas podem permanecer vulneráveis a novos roubos. Ele acrescentou que fundos mantidos em outros tipos de endereço também podem ser expostos se o invasor expandir a varredura para incluí-los.

