Cointelegraph
DOGE$0.09954 2.09%
TRX$0.3507 3.92%
LINK$8.98 1.78%
ZEC$535.72 1.57%
ADA$0.235 2.37%
BCH$304.82 6.58%
XRP$1.31 2.37%
ETH$2,013 1.83%
BTC$73,645 0.99%
XMR$359.56 5.82%
BNB$638.16 0.60%
XLM$0.2096 19.45%
SOL$82.01 1.69%
HYPE$61.37 7.04%
Escrito por Caio Jobim ⁠, Staff Writer.Revisado por Lucas Caram ⁠, Staff Editor.

97% dos bancos centrais rejeitam Bitcoin em reservas soberanas, mas veem potencial na tokenização

Últimas NotíciasPublicadoDec 2, 2025

Relatório do OMFIF revela que só 3% dos bancos centrais consideram incluir Bitcoin em suas reservas nos próximos anos.

central-banks-reject-bitcoin-welcome-tokenization

Resumo da notícia:

  • 97% dos bancos centrais rejeitam a inclusão de Bitcoin e stablecoins em reservas soberanas.
  • Principais objeções são riscos de volatilidade, segurança e falta de regulamentação.
  • Em contrapartida, cresce o interesse pela tokenização de ativos reais para modernização de infraestruturas financeiras.

A adoção do Bitcoin (BTC) como ativo de reserva soberana está fora dos planos de 97% dos bancos centrais, de acordo com o relatório “Global Public Investor 2025”, do OMFIF (Fórum Oficial de Instituições Monetárias e Financeiras).

Segundo especialistas em reservas soberanas do Banco Mundial citados no relatório, não só o Bitcoin, mas os criptoativos em geral, não cumprem os requisitos básicos de um ativo de reserva.

Em um cenário de fragmentação macroeconômica e geopolítica, a inclusão de ativos alternativos como o Bitcoin nas reservas soberanas ainda se limita a países periféricos. Mesmo entre os 3% que já possuem ou consideram a inclusão do Bitcoin na composição de suas reservas, a decisão de investimento no criptoativo é antes uma aposta do que uma política baseada em fundamentos.

Portanto, segundo o relatório, esses movimentos não devem ser considerados uma validação do Bitcoin enquanto ativo soberano.

4 fatores que inviabilizam a adoção do Bitcoin como ativo de reserva soberana

O relatório da OMFIF identifica quatro obstáculos para a adoção do Bitcoin em nível governamental. Em primeiro lugar, o Bitcoin é considerado um ativo de risco, cujo valor deriva mais da especulação do que de suas propriedades de descentralização e escassez.

Apesar do histórico de valorização exponencial ao longo de seus 17 anos de existência, oscilações bruscas de preço no curto prazo se opõem ao objetivo de preservação de capital e previsibilidade das reservas soberanas.

Além disso, o mercado de criptoativos introduz vetores de ataque significativos, incluindo a possibilidade de hacks, fraude e falhas de custódia, que são inaceitáveis para gestores de fundos soberanos.

A liquidez do mercado de criptomoedas também é considerada um fator de risco já que historicamente se mostra altamente suscetível ao sentimento do mercado. O relatório argumenta que o Bitcoin é incapaz de absorver grandes liquidações sem impactar negativamente o seu preço no mercado à vista.

A ausência de um marco regulatório global robusto e consistente torna a integração do Bitcoin a reservas soberanas um movimento de altíssimo risco. Os arcabouços jurídicos fragmentados, com abordagens distintas em diferentes jurisdições, adiciona riscos de reputação inaceitáveis aos bancos centrais, segundo o OMFIF.

O relatório afirma que o Bitcoin ainda não possui casos de uso testados e validados no sistema financeiro internacional. O ativo não é utilizado para o faturamento comercial nem para a liquidação de transações transfronteiriças em larga escala.

Além disso, persiste a percepção de que os principais casos de uso do Bitcoin ainda estão ligados a atividades ilícitas, como aponta o analista Paul Blustein, autor do livro “King Dollar: The Past and Future of the World’s Dominant Currency” (Rei Dólar: O Passado e o Futuro da Moeda Dominante do Mundo, em tradução livre).

Banco Central, Stablecoin, Tokenization, Bitcoin Reserve
Banco Central, Stablecoin, Tokenization, Bitcoin Reserve

Edit the caption here or remove the text

Qualidades de ativos de reserva soberana e adequações necessárias para que ativos digitais se enquadrem na catecoria. Fonte: Global Public Investor 2025 (OMFIF)

O relatório não apresenta dados ou análises sobre os impactos da adoção do Bitcoin como ativo de reserva em países como El Salvador ou Butão para validar a argumentação apresentada.

Stablecoins desafiam a soberania monetária de países em desenvolvimento

Apesar do ceticismo em relação ao Bitcoin, uma pequena fração de bancos centrais demonstra interesse em explorar o potencial dos ativos digitais sob uma perspectiva de longo prazo – e não como uma tendência iminente.

As stablecoins apresentam-se como uma opção óbvia, diante da crescente adoção em nível institucional e do seu propósito fundamental de manter a paridade com moedas fiduciárias, eliminando o fator volatilidade.

No entanto, segundo o relatório, as stablecoins em seu modelo atual ainda não são instrumentos adequados para exposição ao dólar em reservas soberanas.

À medida que reforçam a dominância do dólar no sistema financeiro internacional, as stablecoins ameaçam a soberania monetária de outras nações. A disseminação global de "dólares digitais" emitidos por entidades privadas pode minar a capacidade de bancos centrais, especialmente em economias menores e em desenvolvimento, de controlar sua própria política monetária.

Esse fenômeno, conhecido como “substituição de moeda”, enfraquece a soberania das instituições financeiras e dificulta o desenvolvimento de um sistema independente. A adoção de uma stablecoin estrangeira como ativo de reserva poderia, paradoxalmente, acelerar a perda de controle monetário que a própria reserva se destina a proteger, argumenta o relatório.

Bancos centrais priorizam tokenização de ativos

A rejeição das stablecoins desloca o foco do interesse dos bancos centrais em ativos digitais para a modernização das infraestruturas de emissão, negociação e custódia de ativos financeiros tradicionais por meio da tokenização de ativos reais (RWA) e de tecnologias de registro distribuído.

O relatório destaca que 10% dos bancos centrais planejam aumentar suas alocações em ativos digitais na próxima década, com um foco principal em “títulos tokenizados.” Inclusive, alguns experimentos já estão sendo realizados nesse sentido.

Segundo o relatório, a criação de plataformas digitais de liquidação multi-ativos, alimentadas por contratos inteligentes, tem o potencial de automatizar o ciclo de vida de produtos financeiros — da emissão e alocação de pedidos, passando pelo cálculo e liquidação de margens de variação, até o vencimento — reduzindo os riscos de crédito de contraparte. Ainda assim, 81% das instituições não têm planos de incluir nenhuma categoria de ativos digitais em suas reservas nos próximos cinco a dez anos.

Banco Central, Stablecoin, Tokenization, Bitcoin Reserve
Banco Central, Stablecoin, Tokenization, Bitcoin Reserve

Edit the caption here or remove the text

Estratégias de diversificação nos próximos 5 a 10 anos. Fonte: Global Public Investor 2025 (OMFIF)

Apesar de reconhecer o potencial inovador da tokenização, o relatório destaca que a implementação em larga escala é complexa e ainda enfrenta obstáculos relevantes.

Para que a tecnologia possa entrar em produção em larga escala, será preciso criar novos modelos de governança para gerir redes distribuídas que envolvem múltiplos participantes do setor público e privado.

O processo de transição do sistema legado para um ambiente 100% digital deve ser conduzido de forma gradual, minimizando riscos operacionais e de fragmentação do mercado em múltiplas plataformas permissionadas sem interoperabilidade entre si.

Para que o sistema prospere, será necessária a adoção de “protocolos abertos e colaborativos”, afirma o relatório:

“Assim como a internet floresceu com base em padrões abertos, a infraestrutura financeira do futuro exigirá colaboração interinstitucional para garantir a interoperabilidade e a aceitação em larga escala.”

O relatório conclui que o futuro das reservas soberanas não aponta para a substituição de moedas fiduciárias por criptomoedas descentralizadas, mas sim para a integração gradual e criteriosa da DLT como uma ferramenta para modernizar a infraestrutura dos mercados financeiros. O foco está em aumentar a eficiência, reduzir riscos e criar novas funcionalidades, não em adotar ativos especulativos.

Até que haja progressos significativos em termos de estabilidade, regulamentação e liquidez, os criptoativos permanecerão “fora do domínio da gestão de reservas dos bancos centrais”, afirmam especialistas do Banco Mundial citados no relatório.

Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, membros do governo brasileiro e do Congresso Nacional têm discutido alternativas para a criação de uma reserva soberana de Bitcoin no Brasil, ainda que à parte das reservas soberanas mantidas pelo Banco Central.

Segundo Pedro Guerra, assessor especial do Vice Presidente Geraldo Alckmin, há um embate entre modelos centralizados e descentralizados de governança e gestão. Mesmo com tensões naturais decorrentes das inovações tecnológicas, Guerra acredita que a tendência é de avanço, mas depende de um esforço contínuo: sensibilizar, esclarecer e construir pontes entre governo, empresas e sociedade.

A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://cointelegraph.com.br/editorial-policy

Mais sobre o assunto