Cointelegraph
DOGE$0.07931 1.32%
TRX$0.3332 1.01%
LINK$11.98 1.65%
ZEC$1,125.62 4.10%
ADA$0.2199 1.33%
XRP$1.29 0.80%
ETH$2,415.92 0.75%
BTC$82,015.62 0.57%
XMR$584.41 5.99%
BNB$722.80 0.21%
XLM$0.1776 1.04%
SOL$103.92 0.72%
HYPE$78.84 0.54%
Escrito por Cassio GussonEx-redatorRevisado por Lucas CaramEx-editor

Banco Central do Brasil abre fase de testes para reporte mensal de cripto no mercado de câmbio

Últimas NotíciasPublicado19 de mar. de 2026

Empresas já podem testar o envio do C212 antes do início da obrigação regulatória, previsto para maio de 2026

central-bank-opens-testing

O Banco Central do Brasil liberou o ambiente de homologação para testes da remessa do documento C212, aplicável à prestação de serviços de ativos virtuais no mercado de câmbio. A medida foi formalizada por meio do Comunicado BCB nº 44.851/2026 e permite a realização de testes operacionais antes do início da obrigação oficial de reporte.

A obrigação de envio do C212 já havia sido prevista na Instrução Normativa BCB nº 693/2025, com periodicidade mensal e remessa a partir de maio de 2026. Com a publicação do comunicado, as instituições abrangidas passam a contar com a estrutura necessária para iniciar a preparação operacional exigida para o cumprimento da nova rotina regulatória.

Segundo Thiago Amaral, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados e especialista em meios de pagamento e criptoativos, a liberação do ambiente de testes representa uma etapa relevante para a adaptação das instituições às exigências técnicas do novo reporte.

“A liberação do ambiente de homologação permite que as instituições ajustem seus sistemas e identifiquem eventuais inconsistências antes do início da obrigação regulatória”, afirma.

Os testes devem ser realizados por meio do Sistema de Transferência de Arquivos (STA), canal utilizado para a transmissão de arquivos ao Banco Central. Para a remessa, é necessária a solicitação de acesso ao serviço SCAM0019. No caso das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais, também deve ser solicitado acesso ao serviço PSTA300.

Banco Central

O período de homologação deve ser utilizado para verificar cadastro e permissões de acesso no ambiente de testes, ajustar os sistemas internos para geração do C212 e validar o fluxo completo de envio e retorno dos arquivos. O processo inclui a transmissão do ACAM212, arquivo de remessa, e a validação do ACAM213, arquivo-resposta emitido após o processamento pelo Banco Central.

“A fase de homologação tem justamente o objetivo de garantir que o fluxo de envio funcione corretamente, desde a geração do arquivo até o recebimento da resposta do Banco Central. Isso reduz o risco de falhas quando o reporte passar a ser obrigatório”, diz Thiago Amaral.

O leiaute técnico já está disponível na página de sistemas do Banco Central, com o ACAM212 como arquivo de registro e o ACAM213 como arquivo-resposta. Para o especialista, a abertura da homologação reforça o processo de estruturação da supervisão regulatória sobre a prestação de serviços de ativos virtuais no mercado de câmbio.

“Esse tipo de reporte amplia a capacidade de supervisão do Banco Central e contribui para maior transparência das operações reportadas ao regulador”, conclui.

Prazo até outrubo

Além disso, o BC publicou recentemente a Resolução BCB nº 552/2026 e deu um passo decisivo para consolidar a regulação do mercado de criptoativos no país. A norma inclui formalmente as sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais (PSAVs), como exchanges, em diversos normativos já publicados, estendendo a essas empresas obrigações regulatórias anteriormente aplicáveis apenas às demais instituições autorizadas, como bancos, instituições de pagamento e corretoras de títulos e valores mobiliários.

Com elas as plataformas que intermediam compra, venda, custódia e transferência de criptoativos terão de implementar estruturas robustas de governança, de segurança cibernética e de proteção ao cliente, alinhadas aos padrões exigidos já exigidos dos demais participantes do Sistema Financeiro Nacional e do Sistema Brasileiro de Pagamentos.

Entre as principais exigências, destacam-se a instituição de auditoria interna independente e de controles internos estruturados, a formalização de políticas de compliance e de gestão de riscos, bem como a adoção de políticas de segurança cibernética que contemplem inclusive, critérios e procedimentos para a contratação de terceiros, como provedores de serviços em nuvem. Também passa a ser obrigatória a criação de uma ouvidoria, medida que reforça a importância dos canais formais de atendimento e resolução de conflitos com clientes.

Florence Terada, sócia do Opice Blum Advogados, avalia que a resolução eleva o grau de maturidade regulatória do setor, mas impõe desafios operacionais e financeiros relevantes, especialmente para empresas de menor porte, já que o prazo de adequação vai até 30 de outubro de 2026.

Para a especialista, a exigência de ouvidoria e de governança tende a impactar diretamente a relação com o investidor. “Ao aproximar essas plataformas do padrão regulatório bancário, o Banco Central reforça a proteção ao consumidor e deixa mais claro o regime de responsabilidades em casos de falhas operacionais ou incidentes de segurança”, afirma.

A norma também promove ajustes em dispositivos de regulamentações anteriores, incluindo regras sobre autorizações de débitos em contas de pagamento, procedimentos para instituições que recebem recursos e controles e registros de operações financeiras. “A tendência é que o mercado passe por um processo de consolidação, onde empresas que se adequarem tendem a ganhar em credibilidade e competitividade”, conclui Florence.

Amadurecimento inevitável

Com o amadurecimento do mercado, a construção de um ambiente regulatório mais claro passou a ser uma etapa inevitável. Na visão de Richard Meng, CEO da Cregis, regras bem definidas ajudam a atrair capital institucional e reduzir incertezas operacionais.

Meng destaca que esse movimento já está em curso, mas exige equilíbrio. “É fundamental que a regulação avance sem sufocar a inovação. O mercado precisa de segurança jurídica, mas também de espaço para evoluir”, explica. Segundo ele, a demanda institucional por operações estruturadas e seguras cresce em toda a América Latina.

Esse cenário tem levado empresas e instituições financeiras a adotarem padrões mais rígidos de governança, controle de risco e compliance. A profissionalização do setor, nesse sentido, se torna essencial para sustentar o crescimento observado nos últimos anos.

Outro ponto central dessa transformação está no uso de stablecoins, que vêm ganhando espaço como ferramenta para pagamentos internacionais. Embora ainda não substituam o sistema tradicional, elas já oferecem ganhos relevantes de eficiência.

“Hoje, as stablecoins funcionam mais como uma camada tecnológica complementar, ajudando a acelerar transferências e reduzir custos”, afirma Meng. Segundo ele, o desafio agora está na adaptação das instituições financeiras a esse novo modelo, mantendo padrões elevados de transparência e conformidade.

Além disso, avanços em segurança também desempenham papel estratégico. Tecnologias que eliminam pontos únicos de falha e ampliam o controle sobre ativos digitais têm reforçado a confiança no setor.

Para Meng, a tendência não é de substituição total, mas de integração. “O que estamos vendo é uma convergência entre inovação tecnológica e estruturas tradicionais, criando um ambiente mais seguro e resiliente”, conclui.
A Cointelegraph está comprometida com um jornalismo independente e transparente. Este artigo de notícias é produzido de acordo com a Política Editorial da Cointelegraph e tem como objetivo fornecer informações precisas e oportunas. Os leitores são incentivados a verificar as informações de forma independente. Leia a nossa Política Editorial https://cointelegraph.com.br/editorial-policy

Mais sobre o assunto